Reativação de estrada férrea de Bento Gonçalves a Jaboticaba depende do Ibama - Pioneiro

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15/03/2011 | 06h12

Reativação de estrada férrea de Bento Gonçalves a Jaboticaba depende do Ibama

Projeto turístico já tem investidores, mas concessionária do trecho precisa de licença ambiental para obras

Reativação de estrada férrea de Bento Gonçalves a Jaboticaba depende do Ibama Fabiano Mazzotti, especial/
Os trilhos, túneis e pontes foram encobertos pela mata Foto: Fabiano Mazzotti, especial /

A paisagem das videiras do Vale do Rio das Antas poderia atrair ainda mais turistas se a malha férrea no trecho de Bento Gonçalves até a localidade de Jaboticaba, próxima à ponte Ernesto Dornelles em Veranópolis, fosse reativada. O trecho foi construído, na década de 1940, pelo 1º Batalhão Ferroviário. Serviu de ramal para construir o Tronco Principal Sul da ferrovia de carga, ligação de Porto Alegre ao Centro do país, ativa até hoje. No entanto, encontrar o que sobrou desses tempos é um desafio. Os trilhos, túneis e pontes foram encobertos pela mata e hoje só habitam o imaginário da população mais antiga. 

O sonho de ver o trem percorrendo novamente o trajeto está cada vez mais distante, mas ainda há uma luz no fim do túnel. A Giordani Turismo, operadora da Maria Fumaça entre Bento e Carlos Barbosa, pretende implantar um novo trem turístico no trecho até Jaboticaba. Essa intenção já é antiga, vem desde a inauguração do trem a vapor, há 18 anos, mas a vontade tem se intensificado nos últimos anos. Em 2004, a empresa obteve da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a autorização para explorar a ligação com Jaboticaba. 

— Assim que o projeto da Maria Fumaça se consolidou, lembramos desse trajeto até Jaboticaba, porque foi onde teve o primeiro trem turístico de Bento. Pretendemos operar ali, porque é uma alternativa diferente do que temos agora, que é uma locomotiva a vapor. Lá, nosso projeto é bem mais moderno — explica Susana Tercila Giordani, diretora da Giordani Turismo. 

A primeira tentativa de transformar o percurso até Jaboticaba em atração cultural não vingou. A prefeitura promoveu o passeio de 1986 até 1990, aos domingos, mas as dificuldades de manter uma Maria Fumaça fazendo o trajeto íngreme não compensavam o investimento. Movida a vapor, só tinha capacidade para descer de Bento a Jaboticaba, fazendo o caminho de volta sem passageiros e tracionada por uma locomotiva a diesel. Para evitar que o problema se repita, a Giordani pretende operar com outro tipo de trem.

Segundo Susana, a empresa encaminha a aquisição de um veículo tipo litorina, movido a óleo diesel. Trata-se de um trem automotor, semelhante ao do passeio da Serra do Mar, entre Morretes e Curitiba, no Paraná. O trem terá capacidade para transportar de 50 a 100 passageiros e fará um percurso de uma hora e 30 minutos de duração. Além do meio de locomoção ser diferente, a proposta da Giordani é que o passeio tenha outra função, diferente do resgate à cultura italiana, principal atrativo da Maria Fumaça.

— O foco será as belezas do Vale das Antas e as obras arquitetônicas da rede ferroviária, como as pontes e os túneis — explica a diretora.

Conforme Susana, a intenção de reativar o trecho é compartilhada com a América Latina Logística (ALL), concessionária da malha ferroviária. A Giordani tem um contrato com a ALL para operar esse trecho de 49 quilômetros. Porém, o plano é viabilizar, inicialmente, metade desse trajeto.

— Como é um trecho que exige bastante manutenção, reativar 49 quilômetros é muito difícil, porque há muitas quedas de barreiras. A gente propôs fazer parte do trajeto, de 18 quilômetros, para começar a operar de uma vez. Mas, a ideia é ligar Bento a Jaboticaba no futuro — explica Suzana.

O trecho que se pretende reativar por primeiro se inicia na localidade de Pedra Lisa, mais precisamente no Km 197 da RSC-470. Uma plataforma de embarque e desembarque terá de ser construída. Apesar de ser um perímetro mais complicado geograficamente e demandar mais investimentos, a escolha é justificada pelos atrativos:

— É porque a maioria das obras arquitetônicas fica mais próxima de Jaboticaba.
Se há potencial turístico e investidor, o que falta para executar o projeto é uma licença ambiental do Ibama. Em 2006, o sonho de reativar o trajeto esteve perto de se concretizar.

Na época, a ALL começou a reforma, mas o Ibama embargou a obra por questões ambientais. Desde então, não se pôde mais fazer manutenção e limpeza. O que foi feito se perdeu. Quando foi embargado, faltavam três quilômetros para o trecho ficar pronto. Cheguei a andar de carro de linha, o projeto estava acontecendo... _ conta Suzana.

O órgão multou a ALL por falta de licença para executar as obras trecho. A concessionária disse que já pagou o que devia, mas ainda precisa providenciar estudo ambiental para obter o licenciamento. Enquanto trâmites legais travam a reativação do trecho, a impressão que se tem ao andar pelos trilhos é que há mais mato do que luz no final do túnel para concretizar o empreendimento. Apesar disso, a população não desiste de tornar esse trem, até agora fantasma, em realidade.

— Essa estrada de ferro como está é um desperdício para nós e para a cidade, que ganharia mais um ponto turístico. As pessoas vêm a Bento e retornam. Tem gente que já fez o passeio da Maria Fumaça até cinco vezes, mas também busca novos atrativos — defende a empreendedora Suzana.

 
 
 
 
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