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14/10/2010 | 19h37

Proibição da caça do javali ameaça lavouras da Serra gaúcha

A Associação de Controle do Javali Asselvajado estima mais de 120 mil bichos em solo gaúcho

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Proibição da caça do javali ameaça lavouras da Serra gaúcha Cassiano Onzi, Divulgação/
Os javalis se proliferam rapidamente e, desde agosto deste ano, o abate está proibido pelo Ibama no Rio Grande do Sul Foto: Cassiano Onzi, Divulgação
Vania Marta Espeiorin

vania.espeiorin@pioneiro.com

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Ao retirar a autorização para caça do javali no Rio Grande do Sul, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) acentuou as preocupações dos produtores rurais da região da Serra gaúcha.

Os agricultores temem investir no plantio de grãos por receio de ver boa parte das lavouras comprometidas por causa dos ataques do animal, que tem, em média, três gestações num intervalo de 14 meses. A cada parto, nascem, pelo menos, seis filhotes.

Esses bichos costumam fuçar na terra e comer a vegetação, além de também atacar rebanhos de cordeiros pequenos e se alimentar de outros tipos de animais.
Em cidades como Vacaria, São Francisco de Paula, Ipê e Antônio Prado, os donos de plantações de grãos já convivem com a ação dos javalis, só que conseguiam amenizar o problema por meio do abate feito por caçadores autorizados, com a ajuda de cães.

A partir da interdição dessa possibilidade pelo Ibama, o quadro tende a piorar, prospectam os agricultores e pecuaristas.

— A situação é difícil em termos dos direitos dos animais, mas quem proibiu a caça do javali é co-responsável pela destruição de espécies da fauna e flora. Há desinformação por parte de quem é contrário à liberação da caça — pontua o agrônomo e secretário municipal da Agricultura e Meio Ambiente de Vacaria, Dorlei Marcos Cole.

Os javalis são animais fortes e pesados. Segundo o veterinário da mesma pasta, Ivalcir Peruchin, um javali puro pesa de 90 a 100 quilos. Já os javaporcos, que surgem do cruzamento de javalis com porcos de grande porte, seriam maiores. Alguns podem chegar a 200 quilos. Eles comem tanto carnes como vegetais. 

— Iniciamos o plantio do milho e a proliferação dos javaporcos preocupa. Estamos recebendo reclamações de vários agricultores que perderam parte das lavouras. O puma poderia ser seu predador, mas eles têm se respeitado, pois não há registros de javalis atacados por pumas. Sem a caça, a situação deve se agravar —  frisa o veterinário da Secretaria Municipal da Agricultura e do Meio Ambiente de Vacaria, Ivalcir Peruchin.

O agricultor Raul Basso relata que, desde 2004, é comum ver lavouras de sua propriedade danificadas pelos javalis. No ano passado, por exemplo, Basso perdeu 10% de uma plantação de milho de 40 hectares. O prejuízo foi de cerca de R$ 5 mil.
Presidente da Associação Gaúcha de Controle do Javali Asselvajado (Agaja), Cassiano Bocchese estima que existem no Estado mais de 120 mil bichos dessa espécie soltos na natureza e a tendência é aumentar.

O coordenador da Gestão do Uso de Espécies de Fauna do Ibama, Vitor Hugo Cantarelli, explica que a portaria que autorizava a caça do javali no Rio Grande do Sul foi publicada no ano de 2005, em caráter experimental. Como o órgão não teria recebido provas de que houve o controle do animal, decidiu proibir o abate a partir de agosto deste ano.

Paralelamente, o órgão, em conjunto com os ministérios da Agricultura, da Saúde e do Comércio Exterior, está trabalhando na formação de um grupo para pensar um plano de controle do javali capaz de atender a todo o Brasil. 

—  Até o final do ano, esperamos ter esse grupo de trabalho formado. O objetivo é viabilizar um controle efetivo da população de javali, que já vem sendo considerado uma praga — informa Cantarelli.

Leia mais sobre o assunto no Pioneiro desta sexta-feira.

 

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