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15/04/2010 | 06h37

Em Caxias do Sul, é hora de se apresentar no Serviço Militar

Todos os anos, são esperados em torno de 3,5 mil jovens para o alistamento na cidade

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Em Caxias do Sul, é hora de se apresentar no Serviço Militar Roni Rigon/
Até quarta-feira, entre aproximadamente 2,7 mil alistados em Caxias, em torno de 330 já estão matriculados em um curso superior Foto: Roni Rigon

Nesta época, milhares de jovens terão de se alistar para servir o Exército. Cerca de 13% desses guris já estão no ensino superior e mais de 15% já completaram o ensino médio.

Muitas dúvidas surgem em torno desta obrigatoriedade e sobre qual caminho seguir. Será que participar das atividades nos quartéis é realmente aquilo que a gurizada quer? O que surpreende muitos meninos é que seguir a carreira traz ensinamentos para a vida inteira

Durante a adolescência, os jovens têm poucas certezas, mas uma delas é que, ao completar 18 anos, terão de se alistar no Exército. Desde janeiro, quem passa pela Junta Militar de Caxias do Sul vê a movimentação de jovens nascidos em 1992 cumprindo uma obrigatoriedade da lei que tem mais de 100 anos no Brasil.

Todos os anos, são esperados em torno de 3,5 mil jovens para o alistamento na cidade. Há apenas 15 dias para o fim do prazo, ainda são esperados quase mil jovens.

Para muitos que não tem interesse em uma carreira militar, ou nunca pensaram em servir o Exército brasileiro, o processo de alistamento é feito somente para cumprir a lei.

Como poucos sabem sobre as atividades e ensinamentos que podem participar dentro dos quartéis, podem deixar passar uma oportunidade de carreira com a qual, talvez, se identificariam.

O estudante do 3º ano do ensino médio Jeferson dos Santos, 17 anos, está com data de apresentação no quartel marcada, mas espera não ser chamado para servir. Ele pretende entrar na faculdade e não inclui o Exército nos seus planos.

— Não tenho vontade de servir e não penso em seguir carreira militar. Quero fazer faculdade de Educação Física — conta.

Até quarta-feira, entre aproximadamente 2,7 mil alistados em Caxias, em torno de 330 já estão matriculados em um curso superior. Esses jovens farão seleção para disputar 20 vagas no Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR).

Os demais, que ainda não completaram o ensino médio ou ainda estão no ensino fun damental, preencherão em torno de 200 a 250 lugares como soldados. O número varia a cada ano, dependendo da necessidade do quartel.

De acordo com o instrutor chefe do NPOR, major José Carlos da Silva Freitas, o núcleo prepara os jovens para exercerem funções de lideranças. Eles possuem funções similares com as dos soldados. São ensinados, porém, a liderar, enquanto os soldados, a realizar tarefas.

O primeiro-tenente e delegado de Serviço Militar da 13º Delegacia Moacir Dacampo, comenta que uma das dúvidas mais frequentes entre os jovens que completam 18 anos é se o Exército pode ser uma barreira para ingressar ou continuar no ensino superior.

— Quem já está, não precisa trancar a faculdade. O expediente no NPOR é menor. Os soldados também podem começar um curso superior, porém a carga horária dentro do quartel é maior. Seria mais trabalhoso, mas não é nada impossível — conta Dacampo.

Esse é o interesse do estudante de Tecnologias Digitais Andrey Trujillo, 17. Para ele, o dia 30 de junho pode marcar o início de uma nova etapa na busca de uma carreira. É porque nesse dia ele se apresentará no quartel em Caxias e participará da seleção para o NPOR.

Depois de conversar com familiares que já estão no Exército, Trujillo decidiu se alistar como voluntário. Além da disciplina e de outros valores que o serviço militar ensina, o que atrai o guri são as atividades.

— Gosto da ação que as funções exigem, não seria nada monótono. Tenho espírito aventureiro e os benefícios são bons. Estou aberto a possibilidades e talvez siga carreira. A maioria nem pensa nisso ou não tem muita informação sobre o assunto — opina o guri.

Andrey é o único no seu grupo de amigos que gostaria de ser considerado apto para servir. Ele é um dos 18% que se alistaram até hoje e se declararam voluntários. Esse número é contabilizado a partir das respostas dos alistados à pergunta:”Você quer servir?”.

— Muitos respondem uma coisa ao se alistar e durante o processo seletivo acabam mudando de ideia — diz o tenente Dacampo.

O tamanho do interesse muda mais constantemente do que se imagina. William Ranton, 18 anos, estudante de Educação Física, se alistou no ano passado. Como não pretendia servir, não se declarou voluntário.

— No dia do alistamento, falei que não queria servir, mas não sabia das diferenças entre ser aluno do NPOR e ser soldado. Com certeza servir o Exército seria bom. As atividades têm muito a ver com o meu curso e agregaria bastante — lamenta ele.

Ranton não foi escolhido para ingressar na preparação de oficiais e acredita que não ter se declarado voluntário pesou na avaliação. Agora, ele não pensa mais em disputar uma vaga no serviço militar, mas considera o alistamento obrigatório importante para o país.

Ele acredita, porém, que a maioria dos jovens não pensam nos lados positivos da oportunidade.

— Eu não conheço ninguém que queira servir. Todos se alistam só para cumprir a lei. Mas eu acho muito importante preparar jovens. Nunca se sabe quando o Brasil pode precisar dessa preparação — ressalta Ranton.

 

 

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