02/03/2010 | 04h27
Garota de 12 anos vira heroína no Chile após alertar sobre risco de tsunami
Martina Maturana tocou o alarme do arquipélago Juan Fernández após ter visto sinal de perigo no mar
Para a maior parte de todos os moradores da ilha de Robinson Crusoé, a maior do arquipélago de chileno Juan Fernández, o leve tremor de terra que prenunciava a chegada de um tsunami passou quase despercebido. Mas a pequena Martina Maturana, de apenas 12 anos, viu ali um sinal de perigo e conseguiu salvar muitas vidas, ao alertar os moradores sobre as ondas gigantes que instantes depois devastaram o local.
A sensibilidade que poupou vidas transformou a menina na heroína da tragédia chilena. Filha de um policial lotado na ilha, Martina percebeu que algo estranho estava acontecendo ao sentir a terra tremer, no sábado, e recorreu ao pai. Para tranquilizar a menina, ele telefonou para o continente – o arquipélago de Juan Fernández fica a 600 quilômetros da costa do Chile. Ao ouvir o avô, morador de Valparaíso, relatar que um terremoto havia devastado o país, a garota olhou pela janela e viu barcos se chocando e sacudindo na baía. Era o que precisava para tomar uma atitude.
Rapidamente, a menina correu para a praça central e tocou o gongo – que é o alarme da ilha para situações de catástrofes –, como revelou uma reportagem publicada no jornal chileno La Tercera. Mesmo sem saber os códigos de emergência – dois toques para incêndios e três para desmoronamentos –, Martina despertou moradores, que também começaram a tocar sinos e fugiram para a parte mais alta do lugar. Minutos depois, uma onda gigante avançou 300 metros e arrasou boa parte do território. Cerca de 200 dos 840 habitantes tiveram suas casas destruídas e agora estão abrigados em residências vizinhas.
A ação da menina impediu que o número de mortos na ilha fosse maior: até ontem, oito corpos haviam sido recolhidos e 13 pessoas permaneciam desaparecidas. Em 2004, foi também graças à ajuda de uma menina, a britânica Tilly, então com 10 anos, que cerca de cem pessoas que estavam em Phuket, na Tailândia, conseguiram escapar da fúria do tsunami que atingiu a Ásia e deixou um saldo de 230 mil vítimas.
De férias com os pais e a irmã, a garota, batizada de “Anjo da Praia”, previu que um tsunami estava prestes a atingir o litoral da Tailândia ao lembrar de uma aula de geografia. Na praia, ela viu o mar começar a recuar.
– Compreendi o que estava ocorrendo, tive a sensação de que ia haver um tsunami e avisei a minha mãe – contou, à época.
O alerta permitiu a retirada das pessoas da praia de Maikhao antes que a onda gigante chegasse à costa.