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08/02/2010 | 04h33

Críticas de FH provocam reação de governistas

Chamada de “boneco de Lula” por ex-presidente, Dilma reforça comparação entre os dois governos

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O governo saiu ontem em bloco para responder às críticas feitas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) à estratégia adotada pelo Palácio do Planalto para tentar vencer as eleições de outubro. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata à corrida presidencial, reconheceu que o governo tucano deu contribuições ao país, mas mostrou que não deixará de fazer comparações entre o que foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu antecessor.

– Não estou desmerecendo ninguém, estou dizendo que nosso caminho é melhor – disse a ministra.

Em artigo publicado ontem nos principais jornais do Brasil, entre eles Zero Hora, Fernando Henrique afirmou que o presidente Lula, levado por "momentos de euforia", está "inventando inimigos e enunciando inverdades". FH mostrou disposição para entrar no embate das realizações de cada governo, polarização defendida por Lula. "Se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa", escreveu FH em seu artigo.

Para Dilma, o que o governo defende é uma comparação para a escolha de caminhos.

– Essa é a forma de nós confrontarmos as possibilidades – disse a ministra, pouco antes de participar de um evento do PT, em Brasília.

FH afirmou em seu artigo que a estratégia adotada pelos petistas seria uma tentativa de ganhar as eleições "com o retrovisor". Dilma rebateu:

– Houve passos no governo anterior, agora, o que estou dizendo é que o nosso caminho é melhor.

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, também defendeu as comparações e disse que o PT está disposto a debater com os tucanos propostas para o futuro.

– Assim que mostrarem aquilo que querem fazer, nós vamos comparar com aquilo que queremos fazer daqui para frente – disse.

O ex-presidente argumentou em seu artigo que o governo ignora dados e insiste em contar sua versão dos fatos para tentar "desconstruir o inimigo principal", os tucanos. O empréstimo feito pelo país em 2002, junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), foi um dos exemplos citados por FH de custos enfrentados pelo Brasil por anos de "bravatas" do PT e que hoje são ignorados pelos petistas.

– O governo pediu US$ 14 bilhões porque só tinha US$ 16 bilhões de reservas e tinha atrelado a sua dívida interna aos dólares. Hoje, temos reservas de US$ 240 bilhões – respondeu Dilma.

Citado por FH no artigo, o presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra, disse que quem não reconheceu os feitos do governo passado foi o candidato tucano ao Planalto em 2006, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin.

– Ele (Alckmin) ficou envergonhado de defender o governo FH – disse.

No artigo, o ex-presidente lembra que Dutra, que já presidiu a Petrobras, reconheceu que votaria contra uma eventual proposta de volta ao monopólio do petróleo, tema defendido por muitos anos pelo PT. Dutra confirmou sua posição contrária ao monopólio, e disse também que já elogiou outra medida tomada pelo governo FH que hoje é alvo de críticas dos próprios tucanos.

– Um dos grandes motivos para o crescimento da Petrobras foi a agilidade que ela ganhou a partir do momento em que não teve mais de cumprir a Lei 8.666 (de Licitações). Agora, o TCU bombardeia esse decreto, que é do governo FH, e a oposição fica do lado do TCU – disse.

No sábado, Fernando Henrique comparou Dilma a um boneco manipulado pelo presidente Lula. Num seminário destinado a prefeitos e vereadores do PSDB, recomendou que os tucanos não tenham medo da popularidade de Lula, a quem chamou de ventríloquo de Dilma. Segundo participantes, FHC duvidou do potencial de transferência de votos de Lula para Dilma porque o eleitor "desconfia de bonecos’’.

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