Suspeita de sedar 11 bebês no Hospital Universitário da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas, Vanessa Pedroso Cordeiro, 25 anos, sempre gostou de trabalhar perto de crianças.
A prisão de Vanessa abalou amigos e familiares em Cruz Alta, sua terra natal, São Leopoldo, cidade onde reside, e Tramandaí, município em que mora seu pai.
Casada há três anos, Vanessa e o marido planejaram o futuro em etapas: primeiro comprariam uma casa, depois um carro e, por fim, teriam o primeiro filho.
– Eles decidiram inclusive que ela engravidaria no ano que vem – conta o pai de Vanessa, um tenente do Corpo de Bombeiros que pede para não ter o nome divulgado.
Enquanto alimentava o sonho da maternidade, Vanessa, mórmon desde os 10 anos, dedicava-se às crianças na igreja. Durante os cultos, aos domingos, transformava-se em “conselheira da primária”: ensinava doutrinas religiosas de acordo com a faixa etária das crianças. Na igreja, a jovem também foi voluntária em berçários, como confidencia o pai:
– A Vanessa trabalhava com crianças de até dois anos. Os pais ficavam nas aulas religiosas, e ela, com outra pessoa, cuidando para os bebês não chorarem.
Apaixonada por animais, Vanessa, indiciada por tentativa de homicídio, pensou em ser veterinária, mas desistiu para seguir um destino familiar: proteger pessoas. Além do pai, o irmão do meio, dois anos mais novo, é policial militar lotado em Cruz Alta.
– Eu contava as ocorrências e percebia que ela não tinha repulsa em ouvir determinadas histórias. Ela gostava tanto que chegou a fazer curso de socorrista – conta o pai.
Concluído o Ensino Médio, a jovem fez curso técnico de auxiliar de enfermagem na Escola de Enfermagem da Paz, em São Leopoldo. Com dificuldades de aprendizagem, espalhava o conteúdo aprendido pelo quarto.
– Ela sempre foi muito dispersiva, mas isso não chega a abalar a sua autoestima – detalha o pai.
O esforço foi recompensado. Em 13 de março de 2004, ao ser escolhida juramentista da turma, Vanessa leu a seguinte mensagem para um auditório lotado, conforme vídeo obtido pelo Teledomingo, da RBS TV:
“...juro dedicar minha vida profissional a serviço da humanidade, respeitar a dignidade e os direitos do ser humano, exercer minhas funções de técnica em enfermagem... respeitar a vida desde a concepção até a morte, não praticar voluntariamente atos que coloquem em risco e integridade física ou psíquica do ser humano...”










