Com o fim da crise, a volta dos empregos e as boas perspectivas de ganhos, aliados a reduções de impostos em alguns setores, o consumidor precisa ter cuidado para não se endividar. A tentação de tomar crédito não se verifica apenas em cenários favoráveis, como o final do ano, em que as receitam crescem com a chegada do 13º salário.
Mesmo durante o período de incerteza causado pela crise econômica em todo o mundo, as pessoas não deixaram de consumir e de financiar imóveis, por exemplo. No período de 12 meses a partir de agosto do ano passado, 3,59 milhões de brasileiros contraíram dívidas superiores a R$ 5 mil no sistema financeiro, segundo levantamento do Banco Central (BC). Entre as operações que mais cresceram nesse período estão o crédito consignado e o financiamento imobiliário, segmentos em que os bancos públicos passaram, a pedido do governo, a atuar mais fortemente desde o agravamento da turbulência.
A tomada de crédito cresceu 20,8% até agosto deste ano, em relação aos 12 meses anteriores a agosto de 2008. Dados do Sistema de Informações de Crédito (SCR) do BC mostram que, no fim de agosto, 20,83 milhões de pessoas mantinham empréstimo superior a R$ 5 mil nas instituições financeiras. Na avaliação do governo, o aumento de pessoas que contraíram dívidas é visto "de maneira saudável" porque foram privilegiados empréstimos para o consumo e aquisição de bens e imóveis, operações que geram reflexos positivos na atividade econômica.
Quem estava com os planos traçados e com dinheiro no banco, não se intimidou com a economia em recessão, e investiu em bens duráveis. Um bom exemplo de que planejamento econômico é a chave para bons negócios é a história de Janaina Sodré, 33 anos. Ainda em 2004 ela começou a pensar na compra de um imóvel, e em dezembro do ano passado, fechou o financiamento com o banco. O apartamento de dois quartos, no bairro Nossa Senhora da Saúde, teve 50% do valor financiado, o restante foi pago com o fundo de garantia.
— Tinha medo de financiamento, fazer parcelas longas não é o meu perfil, então guardei dinheiro para dar uma boa entrada. Financiei em 20 anos, mas quero aproveitar o fundo e o 13º, por exemplo, para quitar em menos tempo — planeja.
Com a retomada dos empregos, do crédito e da renda das famílias, passado o período de crise econômica, especialistas sugerem cuidado com financiamentos longos. Na busca por clientes, instituições financeiras ampliam prazos, e já é possível pagar um carro em até seis anos. Para o economista e especialista em finanças pessoais, Everton Lopes, muitas vezes o cliente age por impulso, e pensa somente se a parcela, naquele momento, cabe no seu bolso. Contudo, é preciso planejamento para que o carro novo não vire um problema a longo prazo.
— Em dois, três anos, essa parcela pode afetar significativamente o orçamento. Como o brasileiro quer honrar a dívida, entra no cheque especial, no cartão, pega outros empréstimos, e isso vira uma bola de neve — avalia.










