Habituado a salvar vidas, um tenente do Corpo de Bombeiros vive um drama familiar: sua filha mais velha, Vanessa Pedroso Cordeiro, 25 anos, é suspeita de tentar matar 11 recém-nascidos no Hospital Universitário da Ulbra, no Rio Grande do Sul.
– Se ela fez qualquer coisa, ela jamais quis matar crianças – diz o bombeiro nascido 46 anos atrás, em Santa Maria, região central do RS, que pede para não ter seu nome divulgado.
Transtornado com as suspeitas que envolvem filha, o homem conversou com Zero Hora.
Zero Hora – Pelo que o senhor conhece da sua filha, pode ser verdade o que ela admite informalmente à polícia?
Pai – Quero acreditar que não é verdade. Se ela fez qualquer coisa, jamais quis matar crianças. Ela cuidou do irmão dela, quando era pequeno.
ZH – Por que ela teria admitido?
Pai – Em função da pressão psicológica. Antes de bombeiro, sou policial. Eu sei o que significam quatro, cinco policiais em cima de uma pessoa perguntando e pressionando. Muitas coisas que ela falou foram em função da pressão.
ZH – Os policiais falaram que ela sofre distúrbios psicológicos. É verdade?
Pai – Quando ela era bebê, ela teve convulsões e depois passou a tomar um anticonvulsivo. Tomou até os seis anos. Depois, houve a separação minha e da mãe dela, que teve muita influência nela. Ela inclusive chegou a se tratar com uma psicóloga.
ZH – Ela tomava algum tipo de medicação?
Pai – Medicação pesada, não.
ZH – Como foi a infância dela?
Pai – Ela e o irmão, que é brigadiano, tiveram uma infância muito boa, em Cruz Alta. Quando ela tinha quatro ou cinco anos, eu e a mãe dela nos separamos. Ela sofreu muito, até pela religiosidade, que incentivava estar sempre com a família. Depois reatamos e vivemos por muito tempo juntos.
ZH – De acordo com a polícia, ela havia dito que sonhava em ser médica. Ela disse algo ao senhor?
Pai – Ela queria ser veterinária. Depois, quando já era técnica em enfermagem, como eu sou bombeiro, ela fez cursos para retirar as pessoas acidentadas das ferragens. Mas para mim ela nunca disse: “pai, quero ser médica”. Se tivesse, nós lutaríamos para isso.
ZH – Na hipótese de ela ter dado a medicação, como afirma a polícia, o que poderia explicar isso?
Pai – Se for provado juridicamente, eu não acredito que ela tinha intuito de matar alguém. Se ela fez, pode ter sido para amenizar um choro, alguma dor. Ela ama muito as crianças. Inclusive, foi professora do primário na igreja.










