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03/07/2009 | 06h54

Ministério Público quer parar obra na Chácara dos Eberle, em Caxias do Sul

MP vai investigar a viabilidade ambiental das novas construções

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Ministério Público quer parar obra na Chácara dos Eberle, em Caxias do Sul  Ricardo Wolffenbüttel/
Chácara pertenceu a Abramo Eberle, um dos ícones da imigração italiana e do empreendedorismo no estado Foto: Ricardo Wolffenbüttel
A promotora Janaína de Carli dos Santos deve pedir nesta sexta-feira à Justiça que pare a construção de dois edifícios de 14 andares na antiga chácara da família Eberle, na Rua Alfredo Chaves, em Caxias do Sul. O Ministério Público deseja um prazo de aproximadamente 45 dias para investigar se a obra contratada pela empresa ADLA Comércio e Representações Ltda, dos herdeiros do imigrante italiano Abramo Eberle, produzirá algum dano ambiental na área verde de 9 mil metros quadrados.

A obra se iniciou nesta semana e gerou uma série de questionamentos, por descaracterizar ainda mais o espaço, que originalmente somava 47 mil metros quadrados.

A chácara pertenceu a Abramo Eberle (1880-1945), um dos ícones da imigração italiana e do empreendedorismo no Rio Grande do Sul. Além do verde, o espaço abriga uma mansão, erguida em 1961, e um pórtico de ferro e azulejos pintados a mão. Chamada de Casa Rosa, ela e o pórtico serão preservados (os dois prédios serão erguidos nas extremidades do terreno, de frente para a Alfredo Chaves).

Caso a promotora consiga paralisar a obra, esse tempo poderá ser útil para que a cidade decida se deseja proteger a Casa Rosa, embora ela tenha pouco valor arquitetônico, e seu entorno. A residência mais antiga e importante, erguida em 1931 e que Abramo frequentava, já deu lugar a um prédio, ao lado do Zaffari. Ela era chamada de Casa Verde. A fonte que abastecia a família também desapareceu – sobre ela foi instalado um posto de combustíveis.

A família já quis negociar a chácara com a prefeitura, mas o negócio nunca avançou. As últimas tentativas foram nos governos Pepe Vargas (PT) e no primeiro de José Ivo Sartori (PMDB). A negociação esbarra no valor (algo em torno de R$ 40 milhões), dinheiro suficiente para construir quatro postos de saúde 24 horas, como o inaugurado em 2008. 

— Não tememos a ação do Ministério Público, pois a obra está absolutamente dentro da lei ambiental. Além disso, a mansão e o pórtico serão mantidos — informa o advogado da ADLA, Alencar Dall’Agnol, mestre e doutorando em Direito Ambiental.

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