22/06/2009 | 12h58
Protesto da oposição reúne mais mil pessoas em Teerã
Situação alertou que as ações para evitar os protestos "serão mais duras"
Aproximadamente mil pessoas se reuniram nesta segunda-feira numa praça do sul de Teerã para protestar contra os resultados das eleições presidenciais do último dia 12, apesar das advertências das autoridades. As forças de Ordem Pública atuaram duramente para dispersar as pessoas, que foram perseguidas pelas ruas da cidade. Muitos dos manifestantes, que gritavam Alahu Akbar (Deus é o maior), foram presos, acrescentaram as testemunhas.
A oposição iraniana tinha anunciado que marcharia nesta manhã e que acenderia velas em homenagem a Neda, a menina que foi morta a tiros durantes as manifestações convocadas pela oposição, assim como outros oito manifestantes que foram mortos há uma semana, em outra praça de Teerã. A tropa de elite dos Guardiães da Revolução alertou hoje que as ações para evitar os protestos da oposição "serão mais duras".
Em comunicado divulgado em seu site, o grupo enviou uma mensagem para os manifestantes para que eles se preparem para "fazer frente a uma dura resposta da Guarda Revolucionária, dos milicianos islâmicos Basij e de outras forças" se continuarem com suas intenções de tomar as ruas. Os Guardiães da Revolução dependem diretamente do líder supremo da Revolução, o aiatolá Ali Khamenei, e conta com os melhores meios e instrumentos de defesa do país.
O Irã é palco de manifestações e violentos enfrentamentos há mais de uma semana, que tiveram início depois da divulgação da vitória, por uma surpreendente maioria absoluta, do presidente Mahmoud Ahmadinejad, nas eleições do país. O regime iraniano acusou os Estados Unidos e o Reino Unido de interferir nos assuntos internos do Irã e de apoiarem os distúrbios.
Teerã está tomada por soldados, pela Polícia secreta e por islâmicos da milícia Basij desde que, na terça -feira passada, as autoridades consideraram "ilegais" as manifestações da oposição. Khamenei já pediu a oposição, na sexta-feira, para parar com os protestos imediatamente e alertou seus líderes que eles seriam os responsáveis se houvesse "um banho de sangue".