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23/05/2009 | 05h10

Conheça a história de Nossa Senhora de Caravaggio

Romarias reúnem multidão de fiéis por toda a Serra

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Conheça a história de Nossa Senhora de Caravaggio  Nereu de Almeida/
Romarias de Caravaggio reúnem multidão de fiéis por toda a Serra Foto: Nereu de Almeida
As milhares de pessoas que se curaram de doenças, conquistaram um emprego ou receberam a graça de um filho muito desejado talvez não representem o maior milagre de Nossa Senhora de Caravaggio. Possivelmente, o feito mais admirável e espantoso da santa é ter multiplicado a fé de 20 famílias de imigrantes italianos que chegaram à região no final do século 19 em uma multidão incontável de fiéis por toda a Serra.

Oficialmente, a adoração à santa na Serra, cuja devoção já existia na Itália desde 1432, se iniciou em 1879, considerado o ano 1 da romaria na região.

Segundo registros históricos da época, os imigrantes desejavam ter um lugar decente para rezar. Naqueles anos, Linha Palmeiro não passava de uma terra estranha, cercada de pinheiros com mais de 40 metros de altura e infestada de animais selvagens, como cobras e pumas, por exemplo. Os encontros religiosos se resumiam a reuniões nos barracões das famílias, onde se rezava o terço e se cantava as ladainhas a Nossa Senhora. Em raras vezes, a localidade recebia a visita de um padre, que precisava se deslocar da comunidade de Dona Isabel, hoje Bento Gonçalves.

De acordo com historiadores, os imigrantes Antônio Francesquet, cuja casa já havia servido como lugar para missas, e Pasqual Pasa tiveram a ideia de construir um pequeno oratório. O projeto foi mantido em segredo. Eles derrubaram um pinheiro, serraram as tábuas e construíram um galpão de três metros por quatro metros, com alpendre na entrada, em frente ao lugar onde hoje fica o cemitério de Caravaggio.

Assim que o oratório ficou pronto, as famílias se ofereceram para ajudar com recursos e mão-de-obra, transformando o modesto espaço em uma capela com capacidade para não mais que 100 pessoas. Até logo após o fim da obra, ainda não havia qualquer imagem religiosa no interior da capelinha. Nossa Senhora de Caravaggio, aliás, nem estava cogitada para a dar nome nem ser a maior referência religiosa da comunidade. Como Antônio Francesquet era um dos idealizadores da capela, o povo então decidiu homenagear Santo Antônio.

O problema é que já havia festa em honra ao santo em Dona Isabel e ficaria difícil disputar a atenção do padre. Escolheram, então, Nossa Senhora de Loreto. Mas após semanas de viagens até a costa do Rio Caí sem encontrar uma imagem da santa sequer, o morador Natale Faoro decidiu emprestar um quadrinho com a imagem de Nossa Senhora de Caravaggio que tinha em casa. Lançava-se aí a semente da devoção à santa.

A primeira capela

Acredita-se que a inauguração da capela tenha culminado com a colocação do quadrinho no altar do prédio, em 1879. Segundo o padre Volmir Comparin, atual reitor do Santuário de Caravaggio, esse teria sido o primeiro embrião da romaria.

Seis anos depois, a comunidade decidiu homenagear sua padroeira com algo grandioso para a época. O quadrinho de Faoro seguiu para Caxias do Sul, onde o artista Pietro Stangherlin construiu em cedro as réplicas de Nossa Senhora e Joaneta, a camponesa italiana para a qual a santa teria aparecido, originando a devoção. Depois de cinco meses, 10 moradores, entre eles João Faoro, Antônio Francesquet, Pascoal Pasa, Pedro Mugnol, Domênico Domenegato e Angelo Sebben, foram buscar a imagem. A comitiva viajou a pé, descalça. Sebben teria levado um cavalo, que teria sido montado pelos companheiros mais cansados durante o trajeto.

A estrada passava pelas capelas de São José e Nossa Senhora das Graças, chegando em Caxias na região onde hoje fica o bairro Santa Catarina. As imagens, ainda não bentas, foram envoltas em lençóis, suspensas em varas e carregadas no ombro dos homens. Na chegada de volta à Linha Palmeiro, segundo escreveu o padre Olívio Bertuol em um livro de 1951, as imagens teriam sido colocadas sobre um andor e levadas à igrejinha sob cânticos e orações.

A bela imagem de cedro não ficou muito tempo na capela precária de madeira de pinheiro construída por Francesquet e Pasa. Em 1890, após um ano de muito trabalho, a comunidade inaugurava a primeira igreja de Caravaggio.

Milagre da chuva

Na Serra, um dos primeiros e mais importantes milagres atribuídos a Nossa Senhora de Caravaggio teria ocorrido em 1899. Uma seca que durava mais de seis meses castigava as colônias de imigrantes na região. As plantações e riachos haviam secado e o povo semi-isolado decidiu então se unir para pedir ajuda, fazendo uma procissão de penitência.

Devido ao forte calor, os romeiros esperaram o entardecer para voltar para casa. Até o final daquele dia, o céu estava limpo. Mas em um momento, uma pequena nuvem surgiu e depressa se tornou escura e grande. Uma chuva torrencial desabou horas a fio, enchendo riachos e trazendo a vida de volta à vegetação.

A notícia desse milagre se espalhou pelas comunidades, que passaram a visitar Caravaggio para pedir graças e agradecer. Registros históricos dos padres Bertuol e Henrique Poggi indicam que os peregrinos começaram a invadir o vilarejo por volta de 1900, quando a romaria já era realizada todos os anos.

Segundo o padre, as procissões chegavam a ter dois quilômetros. De acordo com Bertuol, os peregrinos começavam a chegar de seis a oito dias antes da festa de Nossa Senhora, tradicionalmente comemorada em 26 de maio. A família de Antônio Francesquet, segundo o religioso, teria chegado a hospedar mais de 50 pessoas, enquanto o potreiro acomodava mais de 100 bois e cavalos dos visitantes.

Em 1925, acredita-se que a romaria à santa já reunisse cerca de 3 mil devotos. Quinze anos depois, o número de fiéis chegava a 10 mil. Hoje, o público que visita o santuário ultrapassa a marca de 300 mil pessoas.

A multiplicação da fé em torno de Caravaggio também foi impulsionada pelas peregrinações da imagem, que teriam começado em 1944. Há informações da passagem de Nossa Senhora por Caxias do Sul, Montenegro, Canela, Bento Gonçalves e até São Joaquim, em Santa Catarina.

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