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Caso Naiara23/03/2018 | 07h12Atualizada em 23/03/2018 | 07h54

Polícia deve indiciar autor confesso de morte de Naiara por estupro, homicídio e ocultação de cadáver

Polícia aguarda laudo de necropsia para determinar qualificadoras

Polícia deve indiciar autor confesso de morte de Naiara por estupro, homicídio e ocultação de cadáver Felipe Nyland/Agencia RBS
Menina desapareceu no dia 9 de março e caso começou a ser esclarecido no domingo (18) Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

O autor confesso dos crimes cometidos contra Naiara Soares Gomes, sete anos, em Caxias do Sul, deve ser indiciado por estupro de vulnerável, homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

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As qualificadoras ainda serão determinadas conforme a causa da morte que deve constar no laudo de necropsia do Departamento Médico-Legal (DML), disse o delegado que conduz o inquérito, Caio Márcio Fernandes. A  pena é aumentada por se tratar de vítima criança.

Para o delegado, são pelo menos quatro as semelhanças entre o caso da Naiara e o estupro de uma menina em outubro do ano passado, crime que o investigado de 31 anos também confessou depois de ser preso na quarta-feira: o rapto perto de escolas, a idade das vítimas, o modo que as convence a entrar no carro e o local do estupro (a casa dele).

– Vamos analisar com bastante calma o procedimento, mas a essência é essa (apresentada). Vamos verificar a pertinência de ouvir ou não mais testemunhas, de acordo com o que já foi produzido. A ideia é fechar o inquérito anterior (do abuso do ano passado), para o qual já temos elementos robustos. Mas, como o inquérito acaba alimentando o outro, vamos, muito possivelmente, num prazo não muito distante um do outro, concluir também o da Naiara. Ao concluir o procedimento, representaremos pela decretação da prisão preventiva – projetou o delegado Fernandes.

Nome não divulgado

Os inúmeros boatos e informações falsas que rodearam o Caso Naiara levaram a Polícia Civil a blindar a investigação. O acordo de não repassar qualquer informação sobre a investigação era evidente na fisionomia dos policiais envolvidos e ficou ainda mais forte na quarta-feira, dia da prisão. Assim, o nome do preso temporariamente, em nenhum momento, foi divulgado oficialmente pela Polícia Civil.

A justificativa da Polícia Civil é que a prisão é temporária e há temor de que a comoção popular resulte em outro crime. Mesmo que não existam dúvidas sobre a autoria do crime, juridicamente esta ainda é considerada uma fase preliminar das investigações.

Perfil do preso, conforme a polícia:
- Casado e sem filhos
- Sem antecedentes criminais graves
- Estava de atestado médico nos dias 7, 8 e 9, depois, continuou trabalhando
- É frio, confessou os dois crimes com riqueza de detalhes, tranquilamente, permaneceu sério com o olhar fixo e não demonstrou arrependimento
- É um homem grande e forte
- Tinha fixação por meninas a caminho da escola
- Mantinha o carro sempre limpo

Com base no depoimento do autor confesso da morte de Naiara, confira como foram os momentos do rapto, do cárcere e da morte da menina:

:: Pouco depois das 7h11min, do dia 9 deste mês, momento em que as últimas imagens de câmeras mostram Naiara com vida, ela é abordada pelo suspeito em um Palio Branco na Rua Júlio Calegari, perto da esquina com a Rua Mozart Perpétuo Monteiro. Antes disso, ele já havia passado em frente e arredores de pelo menos uma outra escola que fica na região do bairro Esplanada

:: Para conseguir que Naiara entre no veículo, o homem oferece uma mochila de bicho de pelúcia a ela. Dentro do carro, dá uma bebida alcoólica adocicada com sabor laranja à vítima

:: Ao chegar na casa de madeira alugada onde mora, no bairro Serrano, o homem carrega Naiara, já embriagada, no colo para o interior do imóvel, que tem dois quartos, sala, cozinha e banheiro

:: Ele leva a vítima ao quarto do casal e comete o estupro. A menina chora e, ao tentar silenciá-la, o homem lesiona a coluna dela e, possivelmente, a sufoca até causar a morte

:: Em seguida, ele a carrega envolta em um cobertor com os objetos – mochila e calçados –, de volta ao carro e a leva por mais de 12 quilômetros até uma estrada vicinal da Rota do Sol (RSC-453), próximo a Represa do Faxinal, uma região quase desabitada onde o corpo foi escondido em um matagal, no bairro Ana Rech

:: Ele larga a mochila e calçados em determinado ponto e, em torno de 40 metros distante, o corpo da menina com as roupas que usava ao sair de casa – camiseta, blusa e calça rosa – para ir a mais um dia de aula na turma do 2º ano da Escola Municipal Renato João Cesa, onde não chegou naquela manhã

:: Após o depoimento, já na madrugada de quinta-feira, o homem preso no bairro Serrano foi transferido para o Presídio Regional de Caxias do Sul. 

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