"Ele dizia que só queria ser preso", relata refém de assaltante que atacou carro-forte em Bento Gonçalves - Polícia - Pioneiro
 

Cerco policial07/02/2018 | 11h57Atualizada em 07/02/2018 | 11h57

"Ele dizia que só queria ser preso", relata refém de assaltante que atacou carro-forte em Bento Gonçalves

Atendente ficou por quase uma hora na mira do bandido

"Ele dizia que só queria ser preso", relata refém de assaltante que atacou carro-forte em Bento Gonçalves Porthus Junior/Agencia RBS
Veículo utilizado na fuga dos assaltantes pela ERS-444, no Vale dos Vinhedos Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

O primeiro dia das férias em Monte Belo do Sul de Genica Brandalise, 29 anos, virou um pesadelo na manhã de terça-feira. A atendente estava na casa dos pais quando um homem armado surgiu pelos parreirais e a fez de refém. O rapaz era um dos assaltantes que atacaram um carro-forte na BR-470, entre Bento Gonçalves e Veranópolis, momentos antes. A mulher ficou sob a mira de uma arma por quase uma hora antes do bandido se render aos policiais.

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A trama ocorreu por volta das 10h40min, após uma quadrilha roubar o dinheiro do blindado e fugir por estradas vicinais até a ERS-444. Lá, os criminosos foram surpreendidos por uma barreira montada pela Brigada Militar (BM). Houve confronto e Genica ouviu diversos tiros ecoarem pelo Vale dos Vinhedos. Ela estava na varanda com o pai, quando um rapaz aparentando 20 anos invadiu a propriedade.

— Ele estava todo de preto e chegou pedindo água. Falei que ia buscar e pedi para esperar ali, mas ele me atacou e colocou a arma na minha cintura. O meu pai viu e veio atrás, mas o criminoso ameaçou atirar — relata.

Para proteger a mãe, que estava na cozinha, Genica convenceu o assaltante a segui-lá até a garagem. No abrigo, a atendente começou a conversar com o criminoso para acalmá-lo. O plano do bandido era ficar escondido até anoitecer, para depois tentar fugir pelo matagal.

— Ele ficava me empurrando e me pedindo para ficar quieta. Comecei a perguntar se ele tinha família. Ele repetia que queria só se esconder, que estava com medo de morrer, que se os policiais iam pegar ele e matar. Ele só queria ser preso — conta a atendente.

Sob a mira de uma arma, Genica afirma que só pensava nos pais que estavam nos outros cômodos. O medo era que eles tentassem reagir e uma tragédia ocorresse. Nestas situações, a mulher afirma que é melhor ficar quieta e esperar.

— Acho que ficamos ali por uma hora. Depois, a polícia chegou e avisou que não tinha mais saída, que o bandido tinha que me largar. Ele (o criminoso) se entregou bem fácil. Logo depois, a BM prendeu mais dois no mato — relembra.

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A propriedade da família Brandalise serviu de base para as polícias durante as buscas aos demais criminosos na região. Ainda na terça-feira, uma casa foi arrombada enquanto os moradores não estavam. Na moradia, os bandidos comeram e beberam, antes de fugir e se esconder novamente nas matas da região. As forças policiais, que continuam as buscas na manhã desta quarta-feira, estimam que três bandidos seguem em fuga na região.

A situação gera tensão nos moradores. Os esforços dos policiais, no entanto, passam tranquilidade. Moradora de Bento Gonçalves, Genica aponta que nunca havia vistos tantos policiais e helicópteros como nesta terça-feira.

— Qualquer barulho estamos com medo. O matagal é grande, parece que continua tendo alguém lá. Mas os policiais estão sempre por perto, passaram a noite toda por aqui e estão passando bastante tranquilidade. Eu já contei mais de 70 policiais.

 
 
 
 
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