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Cerco policial07/02/2018 | 08h04Atualizada em 07/02/2018 | 08h04

Continuam as buscas pelos criminosos que atacaram carro-forte em Bento Gonçalves

Resposta policial pode ter desarticulado a quadrilha com maior poder de fogo do Rio Grande do Sul

Continuam as buscas pelos criminosos que atacaram carro-forte em Bento Gonçalves Porthus Junior/Agencia RBS
Metralhadora calibre .50 apreendida é uma arma capaz de derrubar aviões Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Mais de 21 horas após o ataque ao carro-forte na BR-470, em Bento Gonçalves, o cerco policial continua em Monte Belo do Sul na manhã desta quarta-feira. Brigada Militar e Polícia Rodoviária Federal (PRF) seguem mobilizados na busca por até quatro criminosos que participaram do assalto. No início da tarde de terça-feira, três homens foram presos, uma grande quantia de dinheiro foi recuperada e uma metralhadora calibre .50 foi apreendida.

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O aparato policial espalhado pela ERS-444 conta com 16 policiais rodoviários federais e 15 brigadianos do Pelotão de Operações Especiais (POE) e do setor de inteligência do 3º Batalhão de Policiamento de Áreas Turísticas (3º BPAT), além de reforços de Caxias do Sul e Veranópolis. Durante a noite, não foi relatada nenhuma ocorrência ou movimentação suspeita que possa ser relacionada aos criminosos que atacaram o carro-forte.

Arma de guerra sai de cena

A resposta policial contra o assalto ao carro-forte da empresa Brinks pode ter desarticulado a quadrilha com maior poder de fogo do Rio Grande do Sul. O ponto chave foi a primeira apreensão no Estado de uma metralhadora calibre .50, artefato de uso militar capaz de derrubar aviões e perfurar blindagens de tanques de guerra. A Polícia Civil acredita que pode ser a mesma arma empregada em dois assaltos a carro-forte na Serra, no ano passado.

O ataque de terça-feira ocorreu logo após uma curva na descida do Km 198 da BR-470, cerca de 4,5 quilômetros antes da Ponte Ernesto Dorneles, sobre Rio das Antas, na divisa com Veranópolis. A metralhadora .50 estava montada na parte de trás de uma Tucson, que cortou a frente do blindado, que seguia para Veranópolis.

Antes que o motorista do carro-forte pudesse fazer uma manobra de fuga, os criminosos abriram fogo com a metralhadora e romperam a blindagem do veículo. Os disparos danificaram o motor. Só restou aos vigilantes desembarcar e enfrentar os bandidos com armas nitidamente inferiores em relação ao arsenal dos bandidos. 

O contra-ataque dos seguranças serviu para segurar o ímpeto dos bandidos por alguns minutos, mas não o suficiente para impedir o assalto. Os criminosos renderam os trabalhadores e utilizaram explosivos para implodir o cofre do blindado e recolher os sacos de dinheiro.

O bando, que teria entre seis e sete homens, abandonou a Tucson e fugiu na carona de um Corolla preto e de uma Montana prata, onde estavam comparsas que ficaram responsáveis por render motoristas de outros veículos que passavam pela estrada e bloquear a BR para impedir a eventual passagem da polícia. Dois ladrões ainda tiveram tempo de retirar a metralhadora da caminhonete e colocar num dos carros. 

Os bandidos empreenderam a fuga por estradas vicinais entre Bento Gonçalves e Monte Belo do Sul. Pelo caminho, os ladrões ainda roubaram mais três carros, fizeram reféns numa propriedade rural e só pararam diante de uma barreira policial na rota turística do Vale dos Vinhedos. Três criminosos foram presos com a metralhadora, além de uma grande quantidade de dinheiro, explosivos, espingardas e fuzis. Não houve feridos entre as vítimas e policiais. Um assaltante foi baleado na perna.

— Esse armamento (metralhadora) pode ser decorrente de um furto ou descarte das Forças Armadas. Não é um calibre comum, é um calibre de precisão e extrema energia, que em um único disparo foi capaz de parar o carro-forte  — aponta o delegado João Paulo de Abreu, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

Pelo modo de operação e o uso do armamento, a Polícia Civil acredita que o bando é o mesmo que realizou os últimos dois ataques a carro-forte na Serra. No dia 13 de março, uma metralhadora parecida foi vista em ação pela primeira vez no Rio Grande do Sul no km 54 da BR-116, em Vacaria, também contra um carro-forte da Brinks. Dois meses depois, o armamento foi utilizado novamente na BR-116, desta vez entre Caxias do Sul e Nova Petrópolis, contra um blindado da Prosegur. O delegado Abreu acredita que as investigações dois ataques poderão avançar a partir da apreensão desta terça-feira.

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