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Investigação12/01/2018 | 08h35Atualizada em 12/01/2018 | 18h36

Projeto de ampliação das perícias em Caxias do Sul esbarra na falta de servidores

Levantamento de provas é essencial para manter criminosos presos

Projeto de ampliação das perícias em Caxias do Sul esbarra na falta de servidores Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Sede do IGP é fruto de parceria com a Universidade de Caxias do Sul (UCS) Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Em um momento de crise na área da segurança pública, cada vez mais repete o discurso que "prender é fácil, difícil é manter preso". Especialistas afirmam que, para acabar com este sentimento de impunidade, é preciso dedicar mais fôlego à investigação e ao levantamento de provas dos crimes. Por isso, cada vez mais ganha força a necessidade de se ampliar o papel do Instituto Geral de Perícias (IGP) em Caxias do Sul, equipando o laboratório como forma de diminuir a dependência da equipe de Porto Alegre, que precisa atender a todo o Estado, e reduzir o longo tempo de espera pelas perícias. 

O projeto existe e conta com apoiadores locais para angariar fundos, como o Poder Judiciário e a Câmara de Vereadores. Porém, a ideia esbarra na histórica falta de investimentos pelo governo estadual. A perspectiva para o atual concurso da Polícia Civil é que a Serra receba oito novos servidores —número insuficiente até para repor as perdas dos últimos anos.

— A partir do momento em que faltam pessoas, falta tudo. Não adianta ter uma sala equipada, se não tem nenhum perito para utilizar. Hoje, trabalhamos só com plantão. Estou com 41 anos e sou um dos peritos mais novos. Tem perito com mais de 60 anos fazendo plantão. Em outros órgãos, isto seria considerado um absurdo — aponta Airton Kramer, titular da 2ª Coordenadoria Regional de Perícias (2ª CRP), com sede em Caxias do Sul e que responde por mais 55 municípios da Serra.

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No ano passado, o reduzido e veterano efetivo de Caxias do Sul realizou mais de 6 mil procedimentos — um crescimento de 11% em comparação com 2016. Devido a falta de investimentos, a maioria das perícias se resumiu a exames básicos. Um terço dos procedimentos foi o exame de corpo delito em presos, essencial para evitar acusações de tortura ou abuso contra policiais.

— Para efetividade de processo e condenação, precisa ter a prova. Ninguém fica preso sem a prova material. Todos os processos judiciais e criminais precisam, de forma fundamental, da perícia. Esta é a visão que nossos governantes precisam ter para área de segurança — reforça Kramer.

Um exemplo claro da necessidade de se ampliar a estrutura é dado pelo delegado Rodrigo Kegler Duarte, responsável pela Delegacia de Homicídios. Em dezembro de 2015, após um duplo homicídio no bairro Fátima, a investigação apontou para um suspeito e houve a apreensão de uma arma de calibre compatível ao crime na casa do possível atirador. A perícia de balística, que comprovaria que a arma foi usada no crime e foi solicitada a servidores da Capital, só ficou pronta no final de 2017, dois anos após o crime, e confirmou o envolvimento do suspeito no crime.

— Esse exemplo demonstra bem a importância da perícia para a resolução do crime. Certamente, uma estrutura melhor em Caxias nos ajudaria muito a desenvolver o nosso trabalho — acredita Duarte.


 
 
 
 
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