Mulher conta como teve o corpo incendiado pelo companheiro, em Vacaria - Polícia - Pioneiro

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Entrevista13/01/2018 | 07h05Atualizada em 14/01/2018 | 20h10

Mulher conta como teve o corpo incendiado pelo companheiro, em Vacaria

Vítima estava grávida e precisou passar por uma cesariana de urgência

Mulher conta como teve o corpo incendiado pelo companheiro, em Vacaria Roni Rigon/Agencia RBS
Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

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Na última quinta-feira, o Pioneiro conversou com a mulher que teve 30% do corpo queimado durante uma discussão com o então companheiro em novembro do ano passado, em Vacaria. Ela, que à época do crime estava grávida, alega que "foi tudo por causa da droga".

A mulher relatou que, após uma discussão com o companheiro, pegou uma garrafa com álcool e jogou parte do líquido na cama. Em seguida, o companheiro jogou o restante no rosto dela. Há duas versões para o que se seguiu. Ela diz que o agressor pegou um isqueiro e ateou fogo nela. Ele falou, em depoimento à Polícia Civil, que foi ela quem acendeu o isqueiro para por fogo na cama e acabou se queimando, já que estava molhada com o líquido. 

O homem foi indiciado por tentativa de feminicídio e está preso. Ainda no dia do crime, ela passou por uma cesariana e deu à luz um menino. A criança passa bem, mas está afastada da mãe. A mulher está em tratamento.  

Confira a entrevista:

Pioneiro: Como vocês se conheceram?

Maria (nome fictício): Conheci ele no Centro. Um dia fui na casa de uma amiga, ele estava lá. Ficamos juntos três vezes e ele foi trabalhar no pomar de maçã. Quando ele retornou, encontrei ele no Centro. Foi aí que decidimos morar juntos porque eu engravidei.

O que tu achas que levou ao que aconteceu?

Para ser sincera, porque nós estávamos drogados. Fazia tempo que eu não usava, mas naquela noite nós usamos. Não vou só culpar ele. Eu também tive um pouco de culpa. 

Vocês discutiram, mas daí a levar a uma atitude violenta...  

Acho que foi reação (da droga). Acho que nem ele queria fazer isso. Porque, no momento, ele me pegou e levou direto para o chuveiro. E acabou o fogo. E foi correndo chamar a Guarda Municipal. E chamaram os bombeiros que levaram para o hospital.

Como tu te sentes, agora, tirando a parte física?

Agora está tranquilo. Só que às vezes ainda não consigo dormir direito. Daí, tenho que tomar remédio para dormir. O resto... tem que aceitar. Não adianta.

E em relação ao homem que te causou isso? 

Não sei. Sinto raiva e, ao mesmo tempo, um pouco de culpa, porque se não tivesse um mais louco que o outro não tinha acontecido isso. Ele era uma pessoa boa para mim, antes. Estávamos indo na igreja. Foi tudo por causa da droga. Poderíamos estar bem, com o nenê e tudo...

O que tu pensa para o futuro?

Eu mesma falei que droga não quero mais. Porque olha só o que aconteceu por causa da droga.

Serviço de atendimento às vítimas está se organizando em Vacaria

Quando uma mulher faz uma denúncia de ameaça ou agressão à Polícia Civil o caso é investigado pelo Posto da Mulher da cidade. Se percebe a necessidade de acompanhamento psicológico ou de outro serviço, o posto encaminha as vítimas para a rede municipal. Porém, é com dificuldade de estrutura e pessoal que a Coordenadoria da Mulher e da Igualdade Racial está atendendo às vítimas de violência. 

O serviço ficava no Centro Socioeducacional Dom Orlando Dotti até que em novembro do ano passado um temporal danificou o prédio que teve parte interditada. A reforma começou na última quinta-feira. Não há previsão para conclusão.

Atualmente, a coordenadoria funciona em local improvisado, em um prédio nos fundos do centro socioeducativo. São quatro servidores _ uma coordenadora, uma assistente social, uma funcionária administrativa e um guarda municipal. Sem quadro completo de profissionais, o serviço conta com uma psicóloga do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) para prestar a assistência. Além disso, falta assessoria jurídica. 

Outra deficiência que deve ser suprida nos próximos dias é a abertura de uma casa de passagem para abrigar as vítimas que correm risco de morte.

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