"É preciso trabalhar políticas de aglutinação", diz novo secretário de Segurança de Caxias do Sul - Polícia - Pioneiro

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Entrevista03/01/2018 | 07h30Atualizada em 03/01/2018 | 09h40

"É preciso trabalhar políticas de aglutinação", diz novo secretário de Segurança de Caxias do Sul

Novo secretário municipal de Segurança Pública e Proteção Social quer resolver impasses entre a prefeitura e a Brigada Militar

"É preciso trabalhar políticas de aglutinação", diz novo secretário de Segurança de Caxias do Sul Roni Rigon/Agencia RBS
Clóvis Juvenal Pacheco Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

Resolver o novo convênio para o policiamento comunitário e se reaproximar da Brigada Militar (BM) são as duas primeiras missões do novo secretário de Segurança Pública e Proteção Social de Caxias do Sul, Clóvis Juvenal Pacheco. Oficialmente, o tenente-coronel da reserva da BM assumiu a pasta nesta terça-feira. No entanto, na última semana de 2017, o novo secretário já representou o prefeito Daniel Guerra (PRB) na entrega das novas viaturas à BM e se reuniu com o comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar (12º BPM), major Jorge Emerson Ribas.

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O foco é resolver impasses e assinar o novo convênio, permitindo renovar o auxílio-moradia para até 82 policiais militares em um único termo de cooperação. A proposta entregue pelo governo estadual segue em análise na chefia de Gabinete, que já teria solicitado uma nova prestação de contas ao 12º BPM.

Natural de São Borja, Pacheco trabalhou na BM de Caxias do Sul entre 1984 e 1995. Foi responsável da seção de logística e efetivo do 12º BPM e comandou a fração da BM em Nova Petrópolis. O tenente-coronel entrou para a reserva em 2010 e estava morando em Porto Alegre.

Pioneiro: Qual foi o primeiro pedido do prefeito Daniel Guerra?
Clóvis Juvenal Pacheco:
O objetivo inicial é retomar os convênios do policiamento comunitário. Já tive reunião com o comando do 12º BPM para retirar os empecilhos e formatar o novo convênio pela nova legislação. Agora, não terá um intermediário, o pagamento será direto ao servidor (policial militar), e a prestação de contas será mais fácil.

Essa pendência será solucionada em curto prazo?
Depende também de tramitação fora da prefeitura, mas queremos para o mais brevemente possível. É importante ressaltar que, mesmo sem ter o convênio, a BM realiza o policiamento comunitário. O que existe é um aporte (financeiro) e uma fixação maior destes brigadianos em seus núcleos, com o PM morando em sua comunidade de atuação. Houve este lapso no fornecimento do incentivo, mas o policiamento teve continuidade.

Como retomar aquele policiamento comunitário de 2012, tão exaltado pela população?
O que faltou foi visibilidade deste policiamento. Muitas vezes, os PMs estão lá com a viatura, mas não são vistos. Não adianta atender, se a comunidade não percebe. Queremos ajustar algumas coisas para que este policiamento seja mais visível e, talvez, possamos agregar outras ações. Há vários programas em andamento na secretaria que poderiam se unir a este projeto. Podemos fazer operações que levem mais ações para a comunidade e, assim, ser mais visível a ação pública.

O senhor recebeu o planejamento estratégico deixado pelo antigo secretário?
Existe o plano teórico, o plano prático e o que posso executar. Este planejamento é muito bom como um norte, mas faltam subsídios. De onde virá o dinheiro? Isto é primordial, mas não está elencado. Sou militar, então não mudo nada antes de conhecer o que tenho. Estou indo até os setores para saber o que cada um faz, o que poderia fazer e quais necessidades possuem. Gosto muito do "olho no olho". Temos diversas pessoas e boa vontade, mas falta a conjunção de esforços. Não sou político, meu trabalho é a nível técnico.

A descentralização das ações da secretaria continua um objetivo?
É algo que envolve mais de um participante. Por que não convidar o policiamento comunitário da BM e as associações de bairros? Podemos nos reunir, colocar um micro-ônibus, juntar a Guarda e disponibilizar mais serviços nos bairros, pois temos programas em prol do idoso, da mulher, entre outros. Podemos agregar e tornar este trabalho itinerante. Não temos pessoas para estar em todos os bairros, mas podemos criar um calendário junto as associações de bairro, que saberão onde estaremos. Precisamos da participação das comunidades. É uma via de duas mãos. Este é o meu objetivo. Trazer as comunidades para perto.

Qual seu planejamento para a Guarda Municipal?
Temos de ter excelência em nossa missão principal. Já tive algumas reuniões com o diretor da Guarda Municipal e precisamos nivelar a corporação. Hoje, temos dois tipos de guardas — com e sem Ensino Médio — que fazem a mesma coisa. Precisamos, primeiro, tratar destes problemas e da valorização dos guardas.

A BM e a Guarda Municipal terão atuações semelhantes?
A Guarda Municipal foi regulamentada e foi aberto um leque de atribuições, mas ainda existe uma ação de inconstitucionalidade junto ao Supremo (Tribunal Federal). Continuaremos trabalhando. A Guarda tem de fazer o policiamento ostensivo onde mais é vista, como praças e terminais de ônibus. Para a BM, ficará o embate maior (contra a criminalidade). Os guardas têm de passar a sensação de segurança onde há maior circulação de pessoas. As pessoas não estão enxergando a Guarda. Nossos guardas precisam se posicionar para serem vistos.

 
 
 
 
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