Polícia Civil de Caxias já esclareceu 36% dos 119 assassinatos de 2017 - Polícia - Pioneiro

Investigação02/12/2017 | 09h15Atualizada em 02/12/2017 | 09h15

Polícia Civil de Caxias já esclareceu 36% dos 119 assassinatos de 2017

Demora de perícias e falta de agente são dificuldades enfrentadas

Polícia Civil de Caxias já esclareceu 36% dos 119 assassinatos de 2017 Porthus Junior/Agencia RBS
Um dos principais desafios foi esclarecer o esquartejamento de Luciano Vargas Silva, em agosto Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

A violência registrada em Caxias do Sul espanta, mas não surpreende. Muitos especialistas acreditavam que este ano manteria o ritmo de 2016 — o mais violento da história, com 150 assassinatos. Das 119 mortes de 2017, 44 já foram resolvidos pela Polícia Civil e remetidos para a Justiça. O índice de 36% de esclarecimento é considerado positivo pela Delegacia de Homicídios.

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O delegado Rodrigo Kegler Duarte pondera que homicídios, via de regra, são crimes que não se esclarecem em um curto espaço de tempo. A média de investigação seria de 90 dias. Se considerar também as tentativas de homicídios, número que é maior do que dobro dos homicídios consumados, o delegado Duarte aponta que a elucidação sobe para 50%.

Além do baixo efetivo da delegacia, outras dificuldades na investigação são a baixa colaboração da comunidade com denúncias em casos que envolvem o tráfico de drogas e facções, que são maioria, e os problemas estruturais que afetam o Instituto Geral de Perícias (IGP).

A comparação balística, que determina qual arma deflagrou a munição apreendida, é uma prova primordial em casos de homicídios. No Rio Grande do Sul, a análise só é feita em Porto Alegre e pode demorar anos. Um exemplo foi a prisão de Marcelo Viana Araújo, 34 anos, na semana passada. Ele é investigado pelo duplo homicídio de Antônio de Oliveira Hoffman, 51 anos, e de Vanessa Dutra, 16, ocorrido em dezembro de 2015, no bairro Fátima Baixo. A prisão e o indiciamento pelo crime só foram possíveis recentemente, quase dois anos após o crime, após a balística confirmar que a arma apreendida na casa do suspeito, em março do ano passado, foi a utilizada no crime.

— Sobre os casos deste ano, há diversas armas apreendidas, inclusive pela BM, e fizemos até o direcionamento de qual arma teria sido utilizada em cada caso. Pela ausência de prova testemunhal, que é uma regra, é fundamental a balística para comprovar que aquela arma cometeu tal delito — ressalta o delegado Duarte.

CONTADOR DA VIOLÊNCIA
119 assassinatos em 2017

Homicídios: 88
Feminicídios: 7
Latrocínios: 9
Confrontos com forças de segurança: 15

44 casos foram resolvidos
Homicídios: 23
Feminicídios: 5
Latrocínios: 6
Confrontos com forças de seguranças: 10

 
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