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Escritório do crime29/12/2017 | 16h25Atualizada em 29/12/2017 | 17h12

Polícia Civil afirma ter prendido negociador de facção em Caxias do Sul

Operação Paiol apreendeu R$ 327 mil e seis armas de fogo no Charqueadas

Polícia Civil afirma ter prendido negociador de facção em Caxias do Sul Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Mais do que ter apreendido R$ 327 mil e seis armas de fogo, a Polícia Civil comemora ter atacado o ponto central de uma facção em Caxias do Sul. Marcio Rogério Duarte, 38 anos, conhecido como Alemão, é apontado como ponto central da atividade desta organização criminosa, que tem sua base na Galeria A da Penitenciária Estadual no Apanhador e foi indiciada durante a Operação Fratelli em abril.

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O volume da apreensão comprovaria o que a investigação da Delegacia de Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec) previa. A influência de Duarte na facção é semelhante a de Daniel Gomes Paim, que foi apontado como o líder do bando dentro do sistema prisional durante a primeira operação. A diferença é que o nome de Paim está vinculado a violência do bando e aparece em diversos casos de homicídio. Já o foco de Duarte estava nos negócios e em ganhar dinheiro para a facção.

— Ele é um cabeça (desta associação criminosa) e mantinha um padrão de vida elevado. Todos estes valores (apreendidos) e a estrutura que a casa possuía não seriam entregues para qualquer um. Por sua perspicácia e influência, (o investigado) preferia não se expor, mas é um sujeito importantíssimo (na facção) — destaca o delegado Adriano Linhares, chefe da Defrec.

Foto: Divulgação

Esta foi a primeira vez que Duarte, que se diz jardineiro, aparece como protagonista no mundo do crime. Seu nome, no entanto, não chega a ser uma novidade para as forças policiais. Ele possui outros quatro indiciamentos por tráfico de drogas. O primeiro é referente a um flagrante em 2002, quando foi preso pela Brigada Militar (BM) com 16 gramas de cocaína dentro de um carro no bairro Santa Fé. Sua última passagem pelo sistema penitenciário foi em 2011.

"Mansão era escritório do crime"

O alvo da Operação Paiol foi uma casa da Rua dos Jasmins, no bairro Charqueadas. As informações da Defrec apontavam o endereço como sendo o esconderijo de armas da facção que elevou os índices de assassinatos em Caxias do Sul no ano passado. A residência de dois pisos possuía um forte aparato de segurança, com diversas câmeras e cerca elétrica.

Na tarde de quinta-feira, os investigadores monitoravam a possível chegada de um novo carregamento com 60 quilos de cocaína — provavelmente vindo da fronteira com o Paraguai em Ponta Porã (MS). Antes, no entanto, a equipe da Defrec percebeu uma oportunidade e decidiu cumprir o mandado de busca — mesmo com um número reduzido de policiais. A ação ocorreu por volta das 14h30min e o efeito surpresa teve sucesso. Após o "congelamento" da cena do crime, o reforço foi solicitado — e atendido pelos agentes da Delegacia de Homicídios.

O dinheiro e as armas foram encontrados dentro de um imenso armário no quarto do casal. Duarte foi preso em flagrante junto com a esposa, de 33 anos. Outras pessoas que estavam presentes foram detidas, identificadas e registradas como testemunhas na ocorrência.

— Esta mansão era o escritório do crime. Lá era feita a coleta do dinheiro, a droga era recebida e as armas (desta facção) eram guardadas. Atingimos o coração desta organização criminosa — aponta o delegado Linhares.

Após, os policiais seguiram para o bairro São José e fizeram buscas na casa da mãe de Duarte. Foram encontrados mais ilícitos na moradia e a idosa de 61 anos também foi presa em flagrante. De acordo com a investigação, carregamentos com cerca de 60 quilos de cocaína pura eram entregues na casa do Charqueadas. Como Duarte não queria muita movimentação em sua residência, o entorpecente era levado para o endereço de sua mãe — uma casa mais humilde e que chamava menos atenção. Lá, a droga era fracionada e distribuída para a venda.

 
 
 
 
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