Maioria dos assassinatos de 2017 em Caxias do Sul terminará o ano sem solução - Polícia - Pioneiro

Contador da Violência28/12/2017 | 06h30Atualizada em 28/12/2017 | 13h50

Maioria dos assassinatos de 2017 em Caxias do Sul terminará o ano sem solução

Falta de agentes e testemunhas emperrou esclarecimento de 78 casos

Maioria dos assassinatos de 2017 em Caxias do Sul terminará o ano sem solução Porthus Junior/Agencia RBS
Assassinatos com mais de uma vítima atribuídos a facções estão entre os casos ainda em aberto Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Diante dos índices elevados da violência e o número restrito de policiais, a maioria dos assassinatos de 2017 em Caxias do Sul não serão esclarecidos neste ano. Conforme o Contador da Violência, ferramenta criada pelo Pioneiro com base nas informações da polícia, 78 das 125 mortes por violência continuarão a investigação em 2018 — ou seja, 62% dos casos.

Leia mais:
Justiça decreta prisão preventiva de rapaz que matou o pai em Caxias do Sul
"Fico feliz de ter errado meu prognóstico", diz delegado de Caxias do Sul
Tráfico de drogas e facções elevam índices de crimes contra a vida em Caxias do Sul

Responsável pela Delegacia de Homicídios, o delegado Rodrigo Kegler Duarte aponta que, diante da elevada demanda, os casos são priorizados conforme o número de provas disponíveis. Atualmente, a delegacia conta com 10 servidores. Cada um deles é responsável, em média, por 33 inquéritos policiais.

— Precisamos eleger os casos que andam conforme as provas estão chegando. Aqueles casos em que as provas começam a ficar demoradas, ou são inexistentes, acabam ficando mais para trás — aponta.

O chefe da Homicídios admite que, quanto mais o tempo passa, mais difícil se torna o esclarecimento. Ele ressalta, no entanto, que a Polícia Civil não abandona nenhuma investigação e continuará trabalhando para responsabilizar autores de crimes.

— Hoje, os casos mais antigos são do segundo semestre de 2014. São 10 inquéritos que precisamos dar um andamento em 2018. Não havendo nenhuma perícia pendente, devemos encaminhar, com indiciamento se possível, os inquéritos para a avaliação do Ministério Público.

O delegado ressalta que, com aparecimento de novas provas, os inquéritos podem ser desarquivados. No entanto, é raro isto ocorrer.

Primeiro caso de 2017 é exemplo das dificuldades enfrentadas

O primeiro assassinato registrado em 2017 é um dos 78 casos que seguem sem solução. Paulo Sergio Palhano, 46 anos, foi executado a tiros na Rua Cristóforo Randon, bairro Euzébio Beltrão de Queiróz, nas primeiras horas de 1º de janeiro. O caso é um exemplo das principais dificuldades enfrentadas nas investigações da Delegacia de Homicídios.

O bairro Euzébio Beltrão de Queiróz, popularmente conhecido como Vila do Cemitério, historicamente sofre com o tráfico de drogas. A região está dividida entre as duas principais facções criminosas. Com antecedentes por roubo a pedestre, ao comércio e receptação, Palhano é visto como um usuário de drogas que pode ter sido morto em razão de dívidas por entorpecentes.

— Este caso específico, e outros da mesma natureza, tem dois grandes dificultadores. O primeiro é o histórico da própria vítima, que era usuário de entorpecentes e tinha uma certa vinculação com a vida criminosa. Mesmo sendo apenas usuário, a pessoa está estreitamente ligada ao traficante, que é um sujeito que exerce violência em razão de dívidas de drogas e disputa de territórios — aponta o delegado Duarte.

A segundo barreira apontada pelo chefe da Homicídios é o bairro onde ocorre o crime. Devido à presença de traficantes, prevalece a lei do silêncio em algumas comunidades. Em bairros onde ocorrem confrontos com frequência, não há câmeras para registrar o crime e são raras as testemunhas que aceitam falar.

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros