"Fico feliz de ter errado meu prognóstico", diz delegado de Caxias do Sul - Polícia - Pioneiro

Homicídios02/12/2017 | 13h00Atualizada em 02/12/2017 | 13h00

"Fico feliz de ter errado meu prognóstico", diz delegado de Caxias do Sul

No início do ano, delegado Duarte acreditava que 2017 teria mais assassinatos que 2016

"Fico feliz de ter errado meu prognóstico", diz delegado de Caxias do Sul Porthus Junior/Agencia RBS
Delegado Rodrigo Kegler Duarte, chefe da Delegacia de Homicídios Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Responsável pela investigação da maior parte dos assassinatos em Caxias do Sul, o delegado Rodrigo Kegler Duarte, afirma que o atual índice de 36% de esclarecimento é considerado positivo. Em sua análise, o titular da Delegacia de Homicídios leva em consideração o baixo número de agentes, a baixa colaboração da comunidade com denúncias em casos que envolvem o tráfico de drogas e a demora de perícias. O delegado Duarte reforça que a guerra de facções impulsionou a violência na cidade. 

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Pioneiro: Como o senhor analisa estes 36% de elucidação de crimes?
Delegado Rodrigo Kegler Duarte:
Dentro da estrutura que temos, muito bom. Caxias do Sul tem quase 500 mil habitantes e a Delegacia de Homicídios conta com 10 servidores para esclarecer todos os homicídios consumados e tentados da cidade. Agora melhorou o nosso espaço físico (com a inauguração da Central de Polícia), que antes estava bem precária. Considero positivo porque são 36% dos inquéritos de 2017, sendo que trabalhamos com casos de 2014. A tendência é que este número de 36% melhore no ano que vem porque as investigações vão continuar. É cíclico. Homicídios, em sua maioria, não se consegue resolver em um curto espaço de tempo.

Existe um parâmetro ou objetivo?
A meta da Polícia Civil é de 70%. Muitos municípios conseguem, mas são cidades que têm muito menos casos de homicídios. O número de esclarecimento, de todos os inquéritos que remetemos ao Fórum (sem considerar a data do fato) é de 50%. Estamos 20% abaixo da meta, mas, com a estrutura que temos, é o que conseguimos alcançar.

Como o senhor analisa os homicídios em 2017?
É decorrência de 2016, que começou com a ação de uma facção criminosa. Houve um procedimento investigatório sobre e conseguimos vários indiciamentos, com alguns mentores enviados para presídios de outras cidades. Isso enfraqueceu esta facção. Só que, no início deste ano, veio uma nova facção para ocupar este espaço deixado pela primeira. Em decorrência disso, 2017 ficou caracterizado pela ação de confronto entre as duas (associações criminosas). Tivemos alguns casos de incêndio que, em sua totalidade, tem envolvimento de facções. Fico bastante feliz de ter errado meu prognóstico, quando previ que 2017 seria pior que o ano passado. Isto pode ser explicado pelas ações da Polícia Civil e da Brigada Militar, com prisões e a apreensões de armas de fogo.

Mudou o cenário de disputa pelo tráfico?
Os homicídios anteriores eram por dívida de pequenos usuários ou aquela pessoa que pegou uma quantidade de drogas para vender e não pagou. Hoje, as ações são por domínio de território e imposição que o pequeno traficante trabalhe para a facção. É pressão, "ou vende para mim ou não vende para ninguém". Não vendendo para a facção, acaba sendo morto.

Homicídios com outras motivações também estão diferentes?
Tivemos casos que espantaram pelo modo de execução que, embora não tenham relação com facção criminosa, foram bastantes violentos. Tivemos dois casos de esquartejamentos, por motivos familiares, e os casos de feminicídio, em quem uma criança foi vítima por uso de fogo. É a desvalorização da vida das pessoas, que está sendo observada de uns anos para cá. Há muita banalidade, como brigas por uma garrafa de cachaça que acarretam em homicídios. Tudo demonstra uma questão social que precisa ser resolvida.

 
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