"Nos deixaram de mãos atadas", diz tia de indiciado por atear fogo em bebê e mulher em Caxias - Polícia - Pioneiro

Investigação14/11/2017 | 10h25Atualizada em 14/11/2017 | 10h50

"Nos deixaram de mãos atadas", diz tia de indiciado por atear fogo em bebê e mulher em Caxias

Maykon Marcelino da Silva foi responsabilizado por homicídio qualificado por motivo torpe e por meio de fogo

"Nos deixaram de mãos atadas", diz tia de indiciado por atear fogo em bebê e mulher em Caxias Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Tia do indiciado relata que a família procurou ajuda, mas não conseguiu internar o sobrinho viciado Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

A Polícia Civil indiciou Maykon Marcelino da Silva, 30 anos, pelo assassinato de Isabella Theodoro Martins, oito meses, e pela tentativa de feminicídio contra a ex-companheira dele. O crime ocorreu na madrugada do dia 4 de novembro, quando Maykon jogou álcool e ateou fogo na menina e na mulher, que é madrinha da criança, em uma casa entre os bairros Reolon e Santa Lúcia. A mulher permanece em estado grave no Hospital Geral (HG).

Abalados com o ocorrido, familiares do indiciado procuraram a reportagem para desabafar. Eles relatam que Maykon tinha surtos devido ao vício em drogas e que procuraram ajuda, mas não conseguiram a internação compulsória dele (leia abaixo).

Pela morte da bebê, Maykon foi responsabilizado por homicídio qualificado por motivo torpe e por meio de fogo, além de a vítima ser menor de 14 anos, o que aumenta a pena em caso de condenação.  O indiciamento por tentativa de homicídio contra a ex-companheira também foi qualificado por motivo torpe, por meio do fogo e por se tratar de um feminicídio — crime contra mulher em razão de gênero.

Maykon  segue na Penitenciária Estadual, no Apanhador, e se manteve calado durante os depoimentos.

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Familiar de indiciado desabafa

Abalada com o crime, a tia de Maykon Marcelino da Silva procurou a reportagem para fazer um desabafo. Benta Marcelino Monçani, 66 anos, conta que a família previa uma tragédia devido ao vício em drogas do homem, mas não conseguiu uma internação compulsória. 

Dias antes do crime, o Samu e a Brigada Militar foram acionados para conter Maykon, que estaria em surto. No entanto, os socorristas teriam afirmado que ele estava lúcido e era preciso uma ordem judicial para levá-lo para atendimento à força.

— A mãe dele pedia para o amarrarem e levarem antes que acontecesse uma tragédia. Repetia que ele não estava bem, mas os médicos diziam que ele estava lúcido. Era uma mãe implorando, mas nos deixaram de mãos atadas — relata.

O desabafo de Benta busca alertar as autoridades a tomarem mais atitudes diante deste cenário de famílias destruídas pelas drogas.

— Estou triste e abalada. Tem uma mãe que perdeu a nenê, a minha sobrinha (mulher do acusado) está entubada no hospital e ele está na prisão. Olha tudo que aconteceu porque ninguém nos ajudou — lamenta.

De acordo com a família, Maykon começou a usar cocaína ainda na adolescência, entre os 14 e 15 anos. O rapaz ficou viciado e a família buscou tratamento em diversas oportunidades, inclusive com internações. Maykon ficava por algum tempo longe das drogas, mas tinha recaídas e retornava ao vício. Recentemente, Benta foi morar com a irmã para ajudar a cuidar do sobrinho.

— Uma vez ele teve overdose e o levamos quase morto para o hospital. Mais recentemente, internamos ele duas vezes em uma clínica: na primeira vez ele fugiu e na outra não aceitou mais o tratamento — lembra.

Os problemas de violência doméstica, segundo a tia, também foram causados pelo uso da droga. Benta garante que a mulher do sobrinho não possuía um amante, mas, quando estava surtado, Maykon tinha essa ideia na cabeça e fazia ameaças à companheira — o casal teria se separado no início deste ano. Por esses motivos, a família pediu ajuda quatro dias antes da noite do crime. O Samu e a BM, segundo ela, teriam recomendado a busca pela Defensoria Pública, que poderia ingressar com um pedido para internação compulsória. Na instituição, no entanto, a família esbarrou na burocracia.

— Meu apelo é que quando uma mãe pedir ajuda, tem que ser feito alguma coisa. Amarrem e levem para tratamento. Ele fez o que fez. Mas fez porque estava louco, nós sabíamos que algo iria acontecer — desabafa. 

 
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