Moradores da Zona Norte de Caxias estão em alerta - Polícia - Pioneiro

Violência23/10/2017 | 18h34Atualizada em 23/10/2017 | 19h35

Moradores da Zona Norte de Caxias estão em alerta

Motivados pelo tráfico de drogas, crimes contra a vida amedrontam a comunidade local 

Faz tempo que os bairros Santa Fé, Vila Ipê, Belo Horizonte, Cânyon, na Zona Norte de Caxias do Sul, sofrem com a violência. Neste ano, porém, os crimes contra a vida têm chamado a atenção por conta da disputa escancarada entre grupos rivais pelo controle do tráfico de drogas. A exemplo do que ocorreu domingo à noite, amedrontados, moradores da região realizam, informalmente, um toque de recolher. Alguns moradores tem evitado sair à noite pelo bairro e comerciantes têm fechado estabelecimentos mais cedo.

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—Estamos muito assustados, o episódio de domingo demonstra, mais uma vez, a insegurança que estamos vivendo. Para nos proteger estabelecemos um toque de recolher pelas 20h. Sair na rua está muito complicado— relata uma liderança da comunidade que prefere o anonimato por questões de segurança.

Para ele, a sensação que permanece é a de descaso das autoridades em relação à região. 

—Há uns dois anos nós até tínhamos policiamento frequente. De um tempo para cá a situação mudou, não temos nem o módulo da Brigada Militar por aqui. O bairro está meio esquecido e a comunidade assustada— lamenta.

Para amenizar a situação, no bairro Belo Horizonte foi criada uma rede de pacificação, a partir da qual a comunidade participa de reuniões mensais para discutir formas de solucionar e prevenir a violência. 

—A gente sabe que não tem hora para acontecer os crimes. Essa briga mais recente entre as gangues é reflexo do tráfico. Não respeitam ninguém e saem atirando. A polícia sabe quem são esses criminosos, mas não faz muito. Está de mãos atadas e, infelizmente, isso não vai acabar tão cedo— afirma um morador.

Conforme outra moradora, não são apenas os assassinatos que a população teme. Há uma onda de assaltos a pedestres, a estabelecimentos comerciais e contra alguns equipamentos públicos que intensificam o violento cenário da Zona Norte de Caxias. 

Nessa semana, um centro educativo, na parte superior da Escola de Educação Infantil Carinha de Anjo, na Rua Antônio Andrigheti, no Vila Ipê, foi invadido por um grupo que costuma utilizar o local como ponto de tráfico de drogas.

—Eles roubaram fios de luz, grades de ferro das janelas e alguns objetos que estavam dentro do centro educativo. O lugar ficou todo destruído— diz uma moradora.

A moradora do bairro Vila Ipê afirma que os furtos e roubos são práticas constantes no local e que a prefeitura, assim como a Brigada Militar, já foi comunicada sobre o caso, mas, até o momento, nada foi feito para desarticular o ponto de drogas na região.

Segundo o Secretário de Segurança Pública de Caxias, José Francisco Mallmann, já existe um planejamento para contornar a criminalidade desenfreada no município. A ação será intensificada, até o final do ano, a partir de encontros e discussões com a Brigada Militar, Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), Polícia Civil e Polícia Rodoviária Federal. Contudo, não há nada planejado para uma ação imediata na Zona Norte.

—Primeiro, estamos estruturando o setor de inteligência e levantando dados e informações para combater o crime. Em seguida, serão realizadas reuniões com as autoridades policiais e de segurança e, por fim, na segunda quinzena de dezembro,  haverá uma ação para entender o perfil do crime organizado na região de Caxias— explica Mallmann.

Confira os assassinatos mais recentes e também um confronto de um grupo a polícia que resultou em morte e prisões:

11 de junho
Quatro pessoas, incluindo um casal de adolescentes, foram executadas dentro de uma residência da Rua João D'Andréa, no bairro Pioneiro. Os assassinos jogaram combustível nos corpos e colocaram fogo na moradia. A principal linha de investigação aponta que o crime foi ordenado por uma facção da Região Metropolitana, que queria a extinção do ponto de vendas de drogas. 

25 de agosto
Dois criminosos foram mortos e outros três foram presos em confronto com a Brigada Militar (BM) no bairro Fátima. O bando estava em uma casa alugada na Rua Doutor Antônio Botto e teria recebido os policiais militares a tiros. Seis armas foram apreendidas na ação. Nas redes sociais dos criminosos, os PMs encontraram fotos ostentando armas e referências a uma facção da Região Metropolitana.

13 de outubro
Os irmãos Maurilio, 18 anos, e Marlon Kowaleski Santos, 16, são executados com diversos tiros dentro de uma casa que seria um ponto de tráfico na Rua dos Agricultores, bairro Belo Horizonte. Testemunhas relataram a participação de cinco atiradores. Os assassinos colocaram fogo na casa, mas as chamas foram controladas.

21 de outubro
Vera Lúcia Marchioro, 55 anos, foi morta com seis tiros em uma residência na Rua Arlindo Claudino Knob, bairro Pioneiro. Relatos extraoficiais apontam que o endereço era conhecido pela venda de drogas.

Dos 89 assassinatos neste ano em Caxias do Sul, 26 ocorreram em bairros da Zona Norte. 


 
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