Prefeitura de Caxias admite desvio de conduta na Guarda Municipal em suposto furto de viatura - Polícia - Pioneiro

Investigação02/09/2017 | 07h53Atualizada em 02/09/2017 | 07h53

Prefeitura de Caxias admite desvio de conduta na Guarda Municipal em suposto furto de viatura

Sindicância de caso foi oficialmente aberta após servidores alegarem recebimento de ordem de omissão 

Prefeitura de Caxias admite desvio de conduta na Guarda Municipal em suposto furto de viatura Roni Rigon/Agencia RBS
Foto: Roni Rigon / Agencia RBS
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A abertura oficial de sindicância para apurar suposto caso de furto a uma viatura da Guarda Municipal de Caxias do Sul indica reversão do posicionamento da prefeitura sobre o fato, o qual havia negado a existência no início de agosto. Na ocasião, a situação foi exposta por meio de um pedido de informações remetido pelo vice-prefeito, Ricardo Fabris de Abreu (PSD), ao diretor da Guarda, Ivo Rauber. Neste, eram requeridos mais detalhes sobre o furto do veículo que teria ocorrido no dia 30 de junho, no bairro Vila Leon, e sido abafado pelo órgão. Quando questionados pelo Pioneiro no dia 1º de agosto, tanto o diretor da Guarda, quanto o secretário de Segurança Pública, José Francisco Mallmann, negaram o acontecimento.

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Porém, em termo de declaração assinado no dia 30 de agosto, os dois servidores, que seriam responsáveis pela viatura na data do suposto furto, admitiram a ocorrência na data citada. No mesmo ofício, os guardas ainda afirmam não terem registrado um boletim de ocorrência devido a uma orientação do fiscal chefe, o que teria sido respaldado pelo diretor da Guarda, Ivo Rauber, no dia seguinte. As manifestações dos guardas depoentes resultaram no despacho de sindicância, por parte do secretário de Segurança Pública, José Francisco Mallmann, na última quinta-feira.

— Alguém com certeza se omitiu. Temos um claro desvio de conduta, porém, precisamos apurar de que parte — afirma Mallmann.

Porém, segundo ele, independentemente das alegações dos dois guardas que estavam responsáveis pela viatura, nada justificaria, de acordo com o secretário, a obediência de uma ordem de omissão, que é considerada manifestamente ilegal:

— Mesmo se, eventualmente, se prove o furto alegado, o fato de não terem reportado isso logo após o ocorrido por suposta ordem, não é justificável. Esse tipo de ordem (manifestamente ilegal) não se cumpre. E o pior, pelo que sei, esses guardas seriam formados em direito, então tinham conhecimento disso —complementa.

Mallmann alega que a prefeitura não havia dado andamento efetivo à apuração devido a provas que teriam sido apresentadas pelo diretor da Guarda logo após o ocorrido.

— O diretor (Ivo Rauber) me apresentou os registros do GPS, onde não constavam o deslocamento da viatura naquele endereço alegado pelos guardas. Na época, não houve contestações por parte deles (os guardas) e, portanto, não demos prosseguimento. Porém, com os novos fatos, abrimos a sindicância oficial e os culpados sofrerão sanções administrativas.

Diferentes perspectivas

Conforme descrevem os guardas, naquela noite de 30 de junho, eles teriam ido até uma creche no bairro Vila Leon, por volta das 2h, em decorrência de o alarme da instituição não estar funcionando. Os servidores teriam permanecido no local até por volta das 5h30min quando, ao saírem, notaram a ausência da viatura. O veículo teria sido localizado a algumas quadras de distância sem o estepe e com o rádio sobre o banco. No depoimento, é alegado que imediatamente o fiscal chefe  foi procurado e que teria assumido a responsabilidade alegando que "mataria no peito" a situação, sem que houvesse a necessidade de registro. O Pioneiro contatou um dos guardas depoentes, que preferiu não se manifestar.

Já para o diretor da Guarda, Ivo Rauber, a situação estaria expondo interesses políticos de terceiros.

— Respondi tudo o que me foi solicitado e apresentei todos documentos comprobatórios de que o veículo não teria se deslocado para aquela região na noite referida. Essa situação já ganhou viés político e não vamos deixar que afete nossa rotina de trabalho — afirma.

Apesar das denúncias serem direcionadas à direção da Guarda, Rauber reitera que devem ser apuradas conforme os procedimentos legais previstos.

— Há toda uma estranheza por trás disso. Me pergunto o porquê desses guardas não terem procurado a Corregedoria, que é o órgão correto para esse tipo de situação e também o próprio fato de o encontro que eles cederam os depoimentos ao vice-prefeito terem ocorrido em um shopping. Nada disso me soa normal — conclui.

Já Ricardo Fabris de Abreu nega que haja interesses políticos e alega que não instigou qualquer declaração dos guardas, que alega terem procurado ele (Fabris) para relatar a história.

— Quando essa história começou eu mandei e-mail  pra ele (Rauber) pedindo informações, que não foi respondido. Para a imprensa, ele então disse que esse fato não teria acontecido, que era trote. Até que os guardas me ligaram e aceitaram dar depoimento, até por medo pela história ter se espalhado  dentro da Guarda.

O vice-prefeito ressalta ter encaminhado novos e-mails para o secretário de Segurança, o diretor da Guarda,  e ter acionado a Corregedoria, o Ministério Público e a própria Polícia Civil.

— A questão nem é o que os guardas estariam fazendo lá (na creche), se estavam dormindo ou não, é indiferente. Também não contesto o furto da viatura, isso pode acontecer, já roubaram até helicóptero de órgãos públicos. O grande problema foi não ter sido registrado isso. É um precedente perigoso — observa Fabris.

 
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