Principal fornecedora da Serra, quadrilha movimentou cerca de 720 quilos de cocaína em 12 meses - Polícia - Pioneiro

Tráfico internacional29/08/2017 | 12h20Atualizada em 30/08/2017 | 18h05

Principal fornecedora da Serra, quadrilha movimentou cerca de 720 quilos de cocaína em 12 meses

Operação Coroa chegou até o maior fornecedor de cocaína no Rio Grande do Sul

Principal fornecedora da Serra, quadrilha movimentou cerca de 720 quilos de cocaína em 12 meses Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Em Caxias do Sul, foram apreendidas duas pistolas e diversas munições Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

A Polícia Federal (PF) acredita ter desarticulado a principal quadrilha de tráfico de cocaína para o Rio Grande do Sul. A Operação Coroa, deflagrada na manhã desta terça-feira (29), prendeu duas pessoas em Caxias do Sul e outros quatro homens em Ponta Porã (MS). 

O grupo tinha como fornecedor no Paraguai Jarvis Chimenes Pavão, considerado um dos maiores narcotraficantes da América do Sul e herdeiro de Fernandinho Beira-Mar.

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A investigação iniciou em março deste ano, mas esta quadrilha já era acompanhada pela inteligência da Polícia Federal há mais tempo. Um dos alvos na Serra é um homem que está preso desde abril, quando foi flagrado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) com 80 quilos de pasta base de cocaína na BR-470, em Veranópolis. O lucro obtido pela quadrilha em cada carregamento é estimado em R$ 500 mil.

— É uma organização criminosa que tem base em Caxias do Sul e trazia drogas do Paraguai. Nos últimos 12 meses, conseguimos identificar que este grupo realizou nove transportes de drogas, sendo o último este da prisão em Veranópolis — afirma o delegado Roger Soares Cardoso, da Delegacia de Repressão à Drogas da Polícia Federal.

O nome dos alvos da operação não foram divulgados pela Polícia Federal. O líder desta articulação criminosa foi preso, nesta terça-feira, em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. Ele resistiu e houve troca de tiros com os policiais federais, mas não há relatos de feridos. 

Este investigado possui uma obsessão por coroas, tendo uma tatuagem e uma réplica que foi apreendida em sua residência na Serra — de fabricação argentina e estimada em R$ 25 mil —, o que deu origem ao nome da operação.

— O chefe da quadrilha é de Caxias do Sul e tem esta parceria com outros dois homens que atuam em Ponta Porã, que são os compradores da droga do Pavão. A droga era transportada escondida em compartimentos secretos de automóveis de luxo. Eles eram fornecedores na Serra, ou seja, muitos traficantes da região compravam a cocaína deles — explica o delegado Cardoso.

Delegado Roger Soares Cardoso, da Delegacia de Repressão à Drogas da Polícia Federal Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Nesta terça-feira, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva, nove de busca e apreensão, além do sequestro de bens e bloqueio de contas bancárias de alguns dos investigados. Outro mandado deve ser cumprido no Paraguai, após os trâmites necessários.

Ligação com um dos maiores narcotraficantes da América do Sul

A fronteira seca entre Pedro Juan Caballero e Ponta Porã é considerada a principal entrada de cocaína do Brasil. Jarvis Chimenes Pavão é considerado o "gerente" desta rota. O brasileiro já foi alvo de cinco operações deflagradas no Rio Grande do Sul. Contra Pavão, existem três processos em extradição em andamento. Um deles, já decretado, é referente a Operação Matriz, deflagrada na Serra em 2010. Acredita-se que Pavão seja enviado ao Brasil em dezembro.

— Em que se pese o número de mandados expedidos, podemos afirmar que (a Operação Coroa) é uma das maiores operações considerando os alvos envolvidos, principalmente este cidadão que se encontra preso no Paraguai, que é o maior fornecedor de cocaína do Rio Grande do Sul — afirma o delegado Cardoso.

Até julho de 2016, Pavão cumpria a pena de oito anos de prisão por tráfico de drogas em cela de luxo na prisão Tacumbú, em Assunção, uma das mais lotadas do país vizinho. Protegido pela cumplicidade comprada de altos funcionários, o brasileiro desfrutava de três suítes, uma cama confortável, TV de plasma e até uma biblioteca com a coleção em DVD da série sobre o narcotraficante Pablo Escobar.

TV de plasma, geladeira e cozinha particular: a cela de luxo que Pavão estava até julho de 2016 Foto: Norberto Duarte
 
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