"Pode se repetir a qualquer momento", lamenta mãe de menina assassinada em Caxias do Sul - Polícia - Pioneiro

Dois anos depois15/07/2017 | 13h30Atualizada em 15/07/2017 | 13h30

"Pode se repetir a qualquer momento", lamenta mãe de menina assassinada em Caxias do Sul

Pais de Ana Clara Benin Adami lamenta indiferença do Judiciário com criminosos reincidentes

"Pode se repetir a qualquer momento", lamenta mãe de menina assassinada em Caxias do Sul Roni Rigon/Agencia RBS
Márcia Elisa Benin e Sérgio Olivo Adami revivem cada momento buscando uma explicação Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

A proximidade do dia 16 de julho deixa mais emotivos os pais de Ana Clara Benin Adami, 11 anos, estudante assassinada com um tiro nas costas em 2015 em Caxias do Sul. Sérgio Olivo Adami e Márcia Elisa Benin revivem cada momento buscando uma explicação. Dois anos depois, a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) mantém duas linhas de investigações. A demora para conclusão do inquérito policial divide os sentimentos: os pais desejam uma resposta logo, mas também querem ter certeza que o caso seja completamente esclarecido.

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Pioneiro: Como conviver com a investigação que não termina?
Márcia Elisa Benin:
Em nenhum momento nós clamamos por justiça. Queremos apenas saber o que aconteceu. Depois cabe à Polícia Civil e ao Ministério Público resolver. Acredito apenas na justiça de Deus. A justiça do homem é falha e demorada. Tem que ser apurada todas essas hipóteses e provadas. A Ana Clara me faz muito falta. A gente acompanha os colegas dela crescendo e evoluindo, e sabemos que não temos mais ela aqui. Não consigo sentir raiva ou ódio da pessoa que fez isto. Rezo para que rapaz encontre a luz dele lá do outro lado.

Sérgio Olivo Adami: Temos raiva é da maneira que a Justiça... Este cara não podia estar na rua. Ele já tinha diversos crimes. Como um juiz libera um cara desse para estar na rua? Em 2011, foi solicitado um exame de sanidade mental e até 2015 ainda não tinha sido feito.

Quais são as respostas que vocês ainda precisam?
Márcia:
Apenas o que realmente aconteceu. Se foi uma tentativa de assalto ou um crime encomendado, o que eu não acredito que tenha sido isso.

Sérgio: Sinceramente, não acredito que a polícia e a Justiça vão encontrar (algo novo). Se era para descobrir, tinha que ter sido feito o trabalho logo nos primeiros meses. Agora, não tem como descobrir mais nada. É muito demorado. Quer descobrir o que aconteceu? Basta olhar o histórico daquela pessoa (Gedson Braga). Era algo praticamente anunciado. Esses caras que ficam na rua com diversos crimes.

No quê vocês acreditam?
Sérgio:
Esta hipótese (de crime encomendado) não tem ligação nenhuma com a gente ou nossa filha. Ela não tinha nenhuma briga, nem na escola. É um boato que surgiu.Márcia: A gente pensa nisso a toda hora. A minha filha ia sempre pela Rua Moreira César para a catequese. Naquele dia, ela foi pela José Eberle. Se fosse uma pessoa enviada para executar esse crime, não estaria esperando lá. Ela mudou o itinerário naquele dia. Nas nossas câmeras lá de casa não aparece ninguém (para seguir ela). Como ele iria adivinhar? As coisas não fecham.

Como vocês percebem Caxias do Sul após a morte da Ana Clara. Por que, em números, a situação só piorou?
Márcia: A história pode se repetir a qualquer momento. E irá. O nosso país tem uma estrutura completamente falida. Vem lá de cima. Não há dinheiro para investir em segurança e educação. O que podemos esperar? Apenas que cada vez mais aumente esses números.

Sérgio: O que a gente vê que a Justiça faz... Esse cara deveria estar internado como um psicopata. É uma questão de tempo, vai voltar a acontecer. Por que ele iria dar um tiro em uma criança de 11 anos? Para mim, ele não sabia onde estava ou que estava fazendo. Ou atirou sem querer. Não vejo como ele querer dar um tiro em nossa filha.

Márcia: Mas eu ainda acredito na Justiça. Coloco toda minha esperança e fé no delegado Joigler (Paduano, chefe da DPCA). Acredito que ele trabalha direito e é uma pessoa séria.

 
 
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