Familiares suspeitam que execução no Montes Claros, em Caxias do Sul, foi motivada por dívida de drogas - Polícia - Pioneiro

Violência05/06/2017 | 08h56Atualizada em 05/06/2017 | 10h36

Familiares suspeitam que execução no Montes Claros, em Caxias do Sul, foi motivada por dívida de drogas

Município registrou cinco assassinatos no final de semana

A violência que parecia ter diminuído nos últimos três meses manchou os primeiros dias de junho em Caxias do Sul. Em menos de 48 horas, entre a tarde de sexta-feira e o início da manhã de domingo, cinco pessoas foram assassinadas. Os casos tiveram as mais variadas motivações: uma mulher foi assassinada pelo ex-companheiro, um idoso foi morto durante um assalto por um viciado em drogas e um jovem perdeu a vida supostamente por dívidas com traficantes.

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Este último caso aconteceu na madrugada de sábado, quando Patrick Romario Martins, 22 anos, levou um tiro na cabeça. O crime ocorreu na Rua Albano Caberlon, bairro Montes Claros, e a vítima foi socorrida por familiares até o Hospital Pompéia, onde morreu pouco depois. As primeiras informações relacionam a execução a uma suposta dívida de drogas.

De acordo com a família, Patrick começou a usar crack aos 18 anos e, desde então, ficou sem rumo. Em sua cidade natal, Carazinho, o rapaz se envolveu em diversos crimes de menor potencial ofensivo, como furtos em residência. Por duas vezes, a família conseguiu internar o rapaz para tratamento, mas a luta contra o vício era um desafio diário. Foi com a esperança em uma vida diferente que, no início do ano, a família veio para Caxias do Sul.

— Ele tinha parado de usar drogas e estava trabalhando como servente de pedreiro. Não tinha mais se envolvido com a polícia nenhuma vez. Daí aconteceu tudo isso. Ontem à noite (sexta-feira), ainda pedi para ele ficar em casa e comer alguma coisa comigo. Mas, quando vimos, ele já tinha saído — lamenta a mãe Maria Madalena Martins.

Na roupa de Patrick foi encontrado um cachimbo utilizado para o consumo da droga. O caso será investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa a partir desta segunda-feira. Nos últimos dias, o rapaz estava sendo ameaçado por dois homens.

— A dor que estou sentindo, não quero que ninguém passe. Só que este bairro (Montes Claros) é complicado. Há muitos pontos de tráfico e usuários perambulando. Muitas mães ainda vão perder seus filhos — avisa Maria Madalena.

Patrick foi sepultado domingo em Carazinho. A família dele pretende voltar para a cidade natal e esquecer o Montes Claros. Desde 2016, o bairro registrou cinco homicídios. Todas as vítimas tinham 22 anos ou menos.

 
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