Quadrilhas de roubos a bancos com reféns contavam com 20 mulheres para organizar ataques - Polícia - Pioneiro

Operação Tríade17/05/2017 | 16h06Atualizada em 17/05/2017 | 16h35

Quadrilhas de roubos a bancos com reféns contavam com 20 mulheres para organizar ataques

Suspeitas tinham a função estratégica de identificar os locais para os assaltos, mapear caminhos para fuga e obter automóveis

Quadrilhas de roubos a bancos com reféns contavam com 20 mulheres para organizar ataques Roni Rigon/Agencia RBS
Uma das suspeitas mais perigosas, segundo o Deic, é Márcia dos Santos Cordova, 39 anos, presa em Caxias do Sul Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

As três quadrilhas desarticuladas nesta quarta-feira pela Polícia Civil na Operação Tríade usaram cerca de 20 mulheres para a organização logística de ataques a bancos no Rio Grande do Sul. Uma delas escondia um arsenal dentro de casa para o irmão, Alexandre Longhi da Rosa, 33 anos, o Fazenda. Os líderes dos bandos estão detidos em diferentes penitenciárias do Estado.

De acordo com a polícia, as suspeitas não participavam dos atos violentos, mas tinham a função estratégica de identificar os locais para os roubos, mapear caminhos para fuga e obter automóveis. Algumas são companheiras dos criminosos, conforme o delegado João Paulo de Abreu, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic):

— Elas tinham participação efetiva, atuavam no levantamento dos locais que seriam objetos dos ataques e circulavam pelas cidades para identificar os melhores lugares e as rotas de fuga. Em algumas vezes, como vimos em Fontoura Xavier, se faziam presentes no dia do roubo, antes e depois, para prover os meios de fuga. Quando não era necessário, elas seguiam caminhos diferentes dos criminosos e se encontravam depois com eles.

Uma das suspeitas mais perigosas, segundo o Deic, é Márcia dos Santos Cordova, 39 anos, ex-companheira de Adair da Silva Chaves, 48 anos, o Daio, líder de uma das duas organizações desarticuladas na Serra pela Operação Tríade nesta quarta-feira. Ela foi presa em sua residência na Rua Ville Dutra da Silva, bairro Reolon, em Caxias do Sul. O bando do Daio, que já está preso, é relacionado aos ataques em Muitos Capões (abril de 2016) e Planalto (dezembro de 2016).

A investigação comprovou que Márcia também repassava informações para o grupo liderado por Fazenda. A quadrilha dele é acusada de assaltar bancos com reféns em Monte Belo do Sul (agosto de 2016), Tupanci do Sul (setembro de 2016), Putinga (janeiro de 2017), Maximiliano de Almeida (fevereiro de 2017) e Fontoura Xavier (março de 2017). 

— Ela (Márcia) já foi vinculada como informante de organizações criminosas mais antigas, e agora continua neste mesmo contexto, desempenhando funções específicas — salienta o delegado João Paulo de Abreu.

Fazenda está preso desde 14 de março, quando foi flagrado pela BM com uma pistola 9mm, três carregadores com 50 munições, um automóvel Honda City roubado e R$ 6,4 mil no bairro Diamantino, em Caxias. Ele solicitou uma transferência para o presídio de Rio Grande, onde permanece recolhido. O pedido causou estranheza aos investigadores por Fazenda não ter familiares naquela região.

Foto: Leonardo Lopes / Divulgação

Em São Marcos, município da Serra próximo a Caxias do Sul, a Polícia Civil localizou um pequeno arsenal de cinco armas de calibres longos (foto acima) na casa de Fazenda. Ele era guarnecido pela irmã do criminoso, que assumiu a posse e foi presa em flagrante.

— Ela tinha total conhecimento das armas e depôs que são dele — frisa o delegado Abreu.

Em março deste ano, duas mulheres foram abordadas pela Brigada Militar após um assalto a banco em Fontoura Xavier. Elas acabaram liberadas porque não existiam elementos suficientes para prisão em flagrante. À imprensa, as suspeitas alegaram ter sido torturadas pelos policiais.

Porém, a investigação da Operação Tríade comprovou que Márcia Roberta dos Santos, 35 anos, e Luciana Cristina da Silva, 42 anos, tinham relação com o crime. Elas fazem parte do bando de Fazenda. Mandados de prisão foram cumpridos na manhã desta quarta-feira no bairro Bom Pastor, em Caxias, mas elas não foram encontradas.

— Confirmamos a presença delas na cidade (Fontoura Xavier). Uma entrou em um restaurante, pediu um prato, não comeu e saiu em cinco minutos. No celular apreendido com elas, que alegaram que o aparelho foi abandonado por criminosos, encontramos números relacionados às suspeitas. Outros telefones apreendidos em Caxias do Sul comprovam a ligação (das mulheres com os bandidos) — complementa o delegado João Paulo de Abreu.

Os nomes de todas as suspeitas ainda não foram revelados. Segundo a Polícia Civil, 22 pessoas foram presas nesta quarta-feira, outras 12 já estavam detidas e terão suas penas agravadas, e nove seguem foragidas. 


 
 
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