Primeiro quadrimestre de 2017 registra o maior número de roubos a ônibus em Caxias do Sul desde 1999 - Polícia - Pioneiro

Rotina de medo02/05/2017 | 08h00Atualizada em 02/05/2017 | 10h28

Primeiro quadrimestre de 2017 registra o maior número de roubos a ônibus em Caxias do Sul desde 1999

Insegurança se tornou a principal reclamação dos passageiros do transporte coletivo

Primeiro quadrimestre de 2017 registra o maior número de roubos a ônibus em Caxias do Sul desde 1999 Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Comunidade precisa enfrentar o medo, pois depende do transporte coletivo para trabalhar e estudar Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Andar de ônibus virou um exercício de convivência com a insegurança em Caxias do Sul. Todos os dias surgem relatos de roubos ao transporte coletivo. Com 98 crimes registrados até a quinta-feira passada, o primeiro quadrimestre de 2017 é o pior dos últimos 19 anos. Já são 32 assaltos a mais do que o quadrimestre de 2008, até então o período mais problemático, com 66 assaltos. Os bairros da zonas Norte e Oeste concentram a maioria dos crimes. A onda de ataques a ônibus chamou a atenção da Brigada Militar (BM) e a Polícia Civil, que prometem ações pontuais a partir desta semana.

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No total, desde 1999, a Visate registrou 2.254 roubos ao transporte coletivo da cidade. Ao contrário de outros crimes, o prejuízo financeiro não é o foco. Os ladrões, que geralmente são usuários de crack desesperados para saciar o vício, dificilmente levam mais do que R$ 50 em cada roubo. A preocupação é com pessoas que diariamente precisam do transporte coletivo, como Armelinda Varela Guedes, 49 anos, que usa o ônibus cinco noites por semana para buscar o neto de três anos na creche. A aposentada utiliza a linha Reolon/Mariani, na Zona Oeste, que foi assaltada sete vezes somente em abril. 

— Na vizinhança até sabem quem é (que faz os assaltos). Todo mundo sente medo, mas vamos fazer o quê? Precisamos que alguém de um jeito (na situação). Daqui a pouco não terá mais motorista querendo vir para o bairro. Nós que vamos pagar o pato porque um moleque anda por aí com uma faca? — questiona.

Armelinda Varela Guedes precisa utiliza a linha Reolon para buscar o neto de três anos Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

O desabafo de Armelinda traduz o sentimento dos trabalhadores e estudantes da Zona Norte, uma das regiões mais afetadas pelo tráfico de entorpecentes em Caxias do Sul. O medo dos passageiros cresceu tanto com o assaltos que, a segurança, de acordo com o supervisor de segurança da Visate, Renato Cordeiro, virou a principal reivindicação de quem utiliza o transporte coletivo.

— Não é mais o valor da tarifa ou a limpeza dos veículos. O que o pessoal pede é segurança. Os passageiros estão com medo e evitando andar de ônibus. A situação também preocupa a empresa, só que foge do nosso alcance. Mas estamos confiantes na parceria que está sendo estreitada com a BM e a Polícia Civil — comenta.

DICA DE SEGURANÇA
Geralmente, os ladrões de ônibus querem recolher o dinheiro do caixa e fugir o mais rápido possível. Raramente o bandido passa a catraca. Por isso, a recomendação da Visate é que os passageiros fiquem na parte de trás do ônibus e evitem contato com os criminosos.

 
 
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