Lotérica onde ladrão foi baleado em Caxias do Sul já foi assaltada seis vezes - Polícia - Pioneiro

Roubo04/05/2017 | 17h46Atualizada em 05/05/2017 | 12h48

Lotérica onde ladrão foi baleado em Caxias do Sul já foi assaltada seis vezes

Funcionárias admitem possibilidade de deixar emprego após novo ocorrido

Lotérica onde ladrão foi baleado em Caxias do Sul já foi assaltada seis vezes Porthus Junior/Agencia RBS
Foto: Porthus Junior / Agencia RBS
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Um assaltante foi baleado durante um roubo a lotérica na Rua General Sampaio no bairro Rio Branco, em Caxias do Sul. A agência é a mesma que, há dois anos, foi assaltada no momento em que o proprietário concedia entrevista à Gaúcha Serra sobre a alta incidência de crimes naquela região.  Nesta quinta, a diferença foi que um policial à paisana percebeu o crime e reagiu disparando três vezes contra  o criminoso, identificado como Evandro Alves da Silva, que foi socorrido e encaminhado ao Hospital Pompéia, onde permanece internado em estado estável. O outro suspeito conseguiu fugir. 

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Não foram fornecidos maiores detalhes sobre as circunstâncias que envolveram a ação ou a identidade do servidor que atirou contra o assaltante.

O fato se iniciou ainda por volta de 13h50min, quando dois homens encapuzados, com rostos totalmente expostos, adentraram o local, renderam o único cliente presente e roubaram o dinheiro dos caixas. Embora rápida, a ação foi executada de forma truculenta, conforme depoimentos.

— Estou trabalhando lá (na lotérica) há sete anos e esse já é o sexto roubo que presencio. O que mais me chama a atenção é a forma cada vez mais violenta que os bandidos praticam os assaltos. E o pior de tudo é que eles nem se escondem mais, talvez saibam que vão ser soltos nas próximas semanas — relata a atendente Carla Pedroni.

Após um deles subtrair o dinheiro dos guichês o outro se encaminhou para a saída, e, no momento em que embarcava em uma moto utilizada na ação, os disparos foram ouvidos.

— Não vimos quem atirou, estávamos ainda todas amedrontadas lá dentro, inclusive um dos bandidos que saiu correndo quando viu que o companheiro dele tinha sido atingido — descreve Amanda Silva de Moraes, que trabalha há nove meses no estabelecimento e testemunhou assalto pela primeira vez.

— No momento que ele apontou a arma pra mim eu acho que estava em estado de choque, a ficha só foi cair quando ele assaltou o cliente que estava no meu guichê — acrescenta.

O outro suspeito conseguiu fugir após render o motorista de um Scénic. A vítima foi obrigada a levar o criminoso até o bairro Vale Verde, onde desembarcou e prosseguiu a fuga a pé.

Com a ocorrência, o estabelecimento  já soma quatro assaltos nos últimos três anos. Diante do ocorrido, as funcionárias admitiram a possibilidade de deixar o emprego.

Em tom de desânimo, o proprietário da lotérica lamentou todo o ocorrido:

— A polícia até faz, mas o problema é que a justiça solta. Em um dos assaltos que sofremos nos últimos anos, os bandidos foram presos, liberados logo depois e em questão de dias identificados como integrantes de um grupo autor de roubo a um banco — desabafa o proprietário do local, acrescentando ser inviável financeiramente a contratação de segurança particular.

O caso será encaminhado para a Delegacia de Furtos, Roubos e Capturas (Defrec). 

 "A Justiça só solta quando a prova é fraca", afirma titular da Defrec

O discurso do proprietário da lotérica foi respaldado pelas funcionárias, que culta o alto número de assaltos no estabelecimento à suposta ineficiência do Poder Judiciário. O titular da Defrec, delegado Mário Mombach, no entanto, pensa diferente:

 — Se a justiça solta é porque não produzimos provas robustas suficientes.  Esse discurso de que polícia prende e judiciário solta não procede. O Judiciário só solta quando as provas são fracas — afirma.

 Ainda assim, apesar de assumir o que classificou como mea culpa, o delegado ressalta que parte da culpa é também das próprias vítimas que se negam a colaborar com investigações.

 — A polícia sabe quem são eles, mas precisamos provar. Então, grande parte da responsabilidade de não fornecermos base suficiente para a Justiça prender os criminosos é da própria sociedade, das vítimas, que não contribuem para uma investigação mais precisa, e se negam a reconhecer os autores — salienta Mombach.

 Sobre a ocorrência em particular, ele reitera que há cerca de dois anos houve um levantamento de suspeitos de praticarem perfil específico de assaltos a lotéricas, cujo banco de dados afirma ter resultado em diversas prisões, porém, não descarta que nova onda possa ressurgir.

 — Não podemos georreferenciar a criminalidade, não adianta, um dia acontece em um tipo de estabelecimento, e no outro eles encontram um novo alvo — conclui.

 
 
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