"Como que não vou andar com ônibus do meu bairro?", questiona passageira em Caxias do Sul - Polícia - Pioneiro

Rotina de medo02/05/2017 | 07h58Atualizada em 02/05/2017 | 07h58

"Como que não vou andar com ônibus do meu bairro?", questiona passageira em Caxias do Sul

Apesar do medo, trabalhadores e estudantes precisam utilizar o transporte coletivo

"Como que não vou andar com ônibus do meu bairro?", questiona passageira em Caxias do Sul Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Mariana dos Santos presenciou um assalto na Linha Santa Fé Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Com 98 roubos a ônibus registrados até a quinta-feira passada, o primeiro quadrimestre de 2017 é o pior dos últimos 19 anos em Caxias do Sul. O tema é um assunto cada vez mais comum entre os passageiros. A maioria das pessoas tem medo de estar de frente com o ladrão e não saber como reagir. Foi o que aconteceu com Mariana Cristina dos Santos, 19 , durante um assalto na linha Santa Fé, no dia 20 de abril.

— Eu estava sozinha e sentada mais para trás. Quando o ônibus parou naquela parada, que não costuma ter ninguém, já achei meio suspeito. Mas quando o cara entrou e anunciou (o assalto), quase morri do coração. A gente ouve falar, mas nunca espera — relembra.

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O assaltante estava armado com uma faca e rendeu o operador de sistema. Após recolher o dinheiro, o bandido fugiu pela porta da frente e não abordou a passageira. Ainda assim, Mariana teve dificuldades para dormir durante o feriadão de Tiradentes. Mariana é assistente administrativa em uma corretora de seguros e precisa do ônibus para ir e voltar.

— Como o ladrão não me roubou, as pessoas acham que não foi nada. Só que o susto é muito grande e eu só pensava naquilo. Chorei bastante (no feriado) e foi bem difícil voltar ao ônibus na segunda-feira. Agora estou sempre com medo e esperando. Qualquer um é suspeito. Mas penso "como que não vou andar com ônibus do meu bairro?" Não tenho quem me busque ou como comprar um carro. Vou fazer o quê? Preciso trabalhar — desabafa.

Apesar dos relatos de crimes nas paradas de ônibus da área central, o medo da jovem sempre foi de ser atacada no Santa Fé.

— O bairro está perigoso. Em toda esquina tem essa gurizadinha com drogas. É para isso que eles roubam ônibus, onde conseguem uma miséria. É para a droga — lamenta a moradora.

Marcele da Silva precisa do ônibus para buscar a filha, que fica na casa enquanto a mãe trabalha Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Para Marcele Fernanda Olivotto da Silva, 23, o medo é maior por estar com a filha, de 1 ano e 11 meses, no ônibus. A menina fica na casa a vó, no bairro Reolon, enquanto a mãe trabalha como assistente em uma gráfica.

— Está assustador. Eles (bandidos) não vão nem querer saber que estou com a criança no colo, né? A minha mãe sempre me aconselha para cuidar da nenê e ficar atenta. O que respondo é que não tem o que fazer. Se for para ser assaltada, vamos ser assaltadas. Em casa, o pensamento é sempre se "amanhã iremos chegar bem?" — resigna-se Marcele.

O medo do auxiliar de depósito Rodrigo da Silva é maior nas paradas de ônibus  Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Outros passageiros relatam que o medo é maior enquanto esperam o ônibus, caso do auxiliar de depósito Rodrigo Cezar da Silva, 21.

— A gente ouve falar de roubos em geral e ficamos desconfiados de algumas pessoas. Tem que estar sempre atento. Algumas vezes já pensei que ia ser assaltado. O meu medo é na parada de ônibus. Mas não podemos fazer nada. Temos que continuar — opina.

 
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