Facção criminosa que domina bairros de Caxias planejava matar policiais - Polícia - Pioneiro

Polícia Civil 19/04/2017 | 11h50Atualizada em 19/04/2017 | 17h15

Facção criminosa que domina bairros de Caxias planejava matar policiais

A intenção do grupo surgiu como forma de resposta ao confronto na Vila Ipiranga, em 17 de outubro do ano passado

Facção criminosa que domina bairros de Caxias planejava matar policiais Polícia Civil / Divulgação/Divulgação
Foto: Polícia Civil / Divulgação / Divulgação

Um dos planos mais ousados da facção criminosa que domina o tráfico em cinco bairros em Caxias do Sul nunca teve êxito: matar policiais militares. A intenção do grupo surgiu como forma de resposta ao confronto na Vila Ipiranga, em 17 de outubro do ano passado, que terminou com quatro integrantes da organização mortos pela BM. A ideia era atacar dois policiais militares que, supostamente, trabalhariam como seguranças de um mercado no bairro Planalto em horas vagas.

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Para o plano, a facção encomendou uma Zafira blindada na Região Metropolitana. O veículo estaria em posse de um dos líderes da facção, Maicon Cristiano Borges, o Maicon Torto. A ação da inteligência policial, no entanto, conseguiu apreender o carro blindado com outro integrante do grupo, em 17 de novembro de 2016. Deiviti Anderson Paim Seben foi preso com diversas munições e com a Zafira no bairro Santa Fé. Seben estava em liberdade provisória e foi autuado por receptação. A partir dessa apreensão, o suposto plano de atacar PMs foi descartado pelos bandidos.

Recorde de homicídios em 2016 é relacionado à facção

 A Polícia Civil relaciona a atuação da facção do Apanhador ao recorde de assassinatos no ano passado em Caxias do Sul — foram 150 mortes. A disputa por território teria provocado diversas execuções de rivais do grupo. A Polícia, no entanto, não estabeleceu quatro crimes foram ordenados pela facção. Um dos casos, porém, ficou escancarado por meio de um vídeo apreendido com os bandidos. Nas imagens, Felipe Sturcio Stumpf, 14 anos, é conduzido por um homem armado em um matagal na Linha 40, interior de Caxias do Sul. O adolescente teria pego drogas da quadrilha e recebeu a sentença de morte dos chefes do bando: levou dois tiros na cabeça. Deixado no mato, o corpo só foi achado um mês depois. Interceptações telefônicas também mostram que os líderes ordenavam assassinatos de outros traficantes ou ameaçavam quem não queria se juntar ao esquema.

Contudo, a onda de execuções parou bruscamente nos últimos 20 dias de dezembro. O relatório da Operação Fratelli apontou que houve a coincidência com o retorno de Daniel Gomes Paim à Penitenciária do Apanhador, de onde ele estava afastado desde 2015. A ordem do líder foi para que a facção retornasse para a discrição e parasse de se envolver em mortes.

A investigação aponta que entre a prisão de Paim em Santa Catarina, em 1º de novembro de 2016, e sua transferência, em 9 de dezembro, o comando da facção ficou a cargo do segundo escalão, pois o líder estava em um presídio catarinense sem acesso a celulares. Neste período, Caxias do Sul registrou média de duas mortes a cada três dias. Após o retorno de Paim, nenhuma morte violenta foi registrada até o final daquele ano.

Outra mudança drástica no cenário de violência da cidade neste ano também é relacionada à facção. Nos primeiros dois meses deste ano, foram registrados 26 assassinatos. Entre março e abril, apenas cinco — até o fechamento desta edição, já eram 27 dias sem homicídios em Caxias do Sul. Na avaliação da Polícia Civil, a redução é decorrência do cerco na fase final da Operação Fratelli. Ou seja, o grupo criminoso teria diminuído a atuação a partir de prisões e apreensões de drogas e armas.

Assassinatos e ameaças por telefone

Por meio de telefonemas com comparsas, um dos traficantes da facção criminosa que agia na Penitenciária Estadual de Caxias do Sul, no Apanhador, ordena a morte de rivais e ameaça quem não se unir ao grupo em Caxias do Sul. Dezenove integrantes da facção foram indiciados pela Polícia Civil. Confira os áudios:

Áudio 1: No dia 9 de janeiro, Jéferson da Silva, o Jé do Reolon, um dos líderes da facção denunciada pela polícia, coordena, por telefone, comparsas que receberam a ordem de matar um traficante rival no bairro Euzébio Beltrão de Queiróz. 

Áudio 2: Como o traficante não foi encontrado, Jéferson da Silva determina a morte de um usuário de droga, vizinho do traficante. O crime não foi consumado porque o usuário fugiu.

Áudio 3: Em outro telefonema, no mesmo dia, Jéferson da Silva conversa com Paulo Roberto Maciel de Jesus, que teve o ponto de drogas tomado pela facção no bairro Euzébio Beltrão de Queiróz. Jéferson da Silva faz ameaças a Paulo Roberto: 


 
 

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