Técnica de reconstrução das digitais permitiu identificação de homem achado morto em Caxias do Sul - Polícia - Pioneiro

Investigação10/03/2017 | 17h13Atualizada em 10/03/2017 | 19h11

Técnica de reconstrução das digitais permitiu identificação de homem achado morto em Caxias do Sul

Corpo em adiantado estado de decomposição estava em rio de Fazenda Souza

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Durante quase dois meses, o corpo em adiantado estado de decomposição de um homem intrigou a equipe da 2ª Coordenadoria Regional de Perícias (2ª CRP) e os investigadores da Polícia Civil de Caxias do Sul. A marca de um tiro na cabeça deixava claro que ele havia sido executado, mas faltava uma resposta fundamental para tentar esclarecer o caso: quem era esse homem?

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O corpo envolto em um saco plástico foi encontrado por pescadores perto de uma cascata do Rio Carapiaí, no interior de Fazenda Souza, na tarde de 20 de janeiro. Ele estava amarrado a um pedaço de madeira e pedras. O mistério só foi desfeito na manhã desta sexta-feira. Trata-se de Lindomar Alves, 51 anos, natural de Novo Hamburgo, segundo a 2ª CRP.

Supostamente, ele pode ser um homem dado como desaparecido em São Leopoldo em outubro do ano passado. Contudo, nenhum familiar havia comparecido ao Departamento Médico Legal (DML) para confirmar se Alves e o desaparecido são a mesma pessoa.

A identificação foi complexa. Como a água havia danificado as digitais de boa parte dos dedos de Alves, os peritos recorreram a uma técnica pouco conhecida do público, mas muito difundida entre especialistas: a necropapiloscopia. Esse processo permite a recuperação das digitais de corpos parcialmente carbonizados, em processo decomposição e também em outros cadáveres em melhor estado de conservação. Com a alta da violência na Serra, que tem provocado semanalmente a desova de corpos sem nomes em rios, matas e estradas, esse processo é visto como uma ferramental essencial.

Conforme o responsável pela 2ª CRP, Airton Kraemer, outros 24 casos foram resolvidos desta maneira desde o ano passado na região. 

— A reconstituição das digitais consiste na hidratação da pele por meio de solução especial. Nesse caso específico, haviam poucos dedos que permitiam esse trabalho. A partir dessa reconstituição, foi feito o decalque da digital, que é o mesmo procedimento utilizado na hora em que alguém vai fazer a identidade — explica Kraemer.

Com as chamadas papilas dérmicas reconstruídas pela hidratação e com auxílio de programas de computador, o Laboratório de Perícias Necropapiloscópicas inseriu a digital no banco de dados da Secretaria de Segurança Pública, que reúne as identificação de milhões de gaúchos. O sistema fez uma varredura e detectou a digital de Lindomar Alves. O resultado foi encaminhado a Caxias do Sul na sexta-feira.

A tarefa agora é encontrar familiares de Alves. O corpo permanece no Departamento Médico Legal (DML), atrás do Bloco A da Universidade de Caxias do Sul, no bairro Petrópolis. Informações podem ser obtidas pelo telefone (54) 3212.4199.

 
 
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