Nunca se matou tanto em um verão em Caxias do Sul - Polícia - Pioneiro

Recorde negativo09/03/2017 | 10h35Atualizada em 09/03/2017 | 10h35

Nunca se matou tanto em um verão em Caxias do Sul

Até esta quarta-feira, já eram 29 vidas perdidas, superando 2011, com 26 casos no mesmo período, o maior até então

Nunca se matou tanto em um verão em Caxias do Sul Porthus Junior / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Porthus Junior / Agência RBS / Agência RBS
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Nunca um verão teve tantos assassinatos em Caxias do Sul. Neste início de 2017, são motivações variadas que vêm dando sequência à matança histórica do ano passado, que terminou com 151 mortes.

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Até esta quarta-feira, já eram 29 vidas perdidas (os 10 dias da estação em 2016 não registraram vítimas), superando 2011, com 26 casos no mesmo período, o maior até então. Por trás desses números, as histórias se repetem. Três mulheres morreram pelas mãos de namorados e companheiros. Assaltantes mataram três pessoas a tiros. Houve pelo menos quatro homicídios durante brigas impulsionadas por bebidas e drogas. Traficantes e outros criminosos cometeram mais 17 assassinatos por conta de desacertos.

Há ainda uma execuções cercadas de mistério: dois corpos de homens foram largados em áreas afastadas da zona urbana. Um dos cadáveres, achado ontem pela manhã na barragem do Dal Bó, é de Antônio Cláudio Domingues Varela, 58 anos. O outro corpo, achado em Fazenda Souza, no dia 20 de janeiro, permanece sem identificação.

Violência proporcional

Em números absolutos, a violência constatada desde o ano passado é a maior de todas. Em números proporcionais, que considera a taxa de homicídios por 100 mil habitantes, a matança parece ser menor. Se comparada a 1989, por exemplo, quando Caxias tinha 278 mil moradores e registrou 119 homicídios, a taxa era de 42,8. Em 2016, com quase 500 mil habitantes e mais assassinatos, a taxa foi de 31,5.

As estatísticas, porém, serviriam para maquiar a violência, segundo o professor Charles Kieling, com mestrado na área de segurança pública pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

— A taxa proporcional pode ser enganosa. Só que não existe um número tolerável. Independentemente do número de habitantes, as mortes indicam uma realidade adversa: desorganização social, baixa escolaridade das vítimas e atuação de grupos criminosos, entre outros — destaca Kieling.

É um entendimento diferente do doutor e mestre em Sociologia e especialista em segurança pública Marcos Rolim:

— Só podemos afirmar se há aumento de violência ou não com a taxa por 100 mil habitantes. Mas o importante é analisar a curva num período específico. Nos últimos 10 anos, a taxa cresceu ou diminuiu?

O questionamento de Rolim faz sentido. Proporcionalmente, estariam morrendo menos pessoas de forma violenta nesta década do que no final de 1980 e início dos anos 1990. Contudo, a curva vinha diminuindo e agora mostra sinais de crescimento desde 2013: a taxa daquele ano era de 23,64 mortes para cada 100 mil habitantes. Em 2916, a taxa subiu para 31,51. O que poucos conseguem apontar é porque oscila tanto.

— Houve redução na metade dos anos 1990 até meados dos anos 2000. Agora, além das mortes em brigas e crimes passionais, se somam os assassinatos do tráfico. É complicado indicar as causas sem um estudo — pondera o delegado aposentado Farnei Goulart, que atuou durante 32 anos na cidade e acompanhou a evolução da violência.

É difícil afirmar se 2017 pode ser pior do que 2016, mas este verão certamente é um indicativo da escalada da violência.

ENTENDA

:: A taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes permite a comparação entre cidades de diferentes tamanhos e também a comparação por períodos. Ou seja, Caxias do Sul pode ser mais populosa hoje e ter mais assassinatos. Contudo, a cidade seria proporcionalmente menos violenta em relação a outras décadas, quando havia menos habitantes.

:: A taxa é calculada da seguinte forma: divide-se o número de assassinatos no ano pelo número de habitantes do município. Após, multiplica-se o resultado por 100 mil.

 
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