"Fui cercado, me deram socos e pontapés" diz jornalista agredido e salvo pela BM em Antônio Prado - Polícia - Pioneiro

Violência09/03/2017 | 18h20Atualizada em 09/03/2017 | 18h32

"Fui cercado, me deram socos e pontapés" diz jornalista agredido e salvo pela BM em Antônio Prado

Profissional fazia cobertura de um assassinato e foi atacado por pelo menos 15 pessoas

"Fui cercado, me deram socos e pontapés" diz jornalista agredido e salvo pela BM em Antônio Prado Ronei Marcílio/Rádio Solaris,divulgação
Amigos e conhecidos de homem assassinado se revoltaram contra o suspeito de ter cometido o crime e também atacaram jornalista Foto: Ronei Marcílio / Rádio Solaris,divulgação
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Havia seis anos que não ocorria um assassinato em Antônio Prado, cidade de 12 mil habitantes e com qualidade de vida acima da média na Serra. Na noite de quarta-feira, essa tranquilidade foi quebrada pela morte Paulo Ricardo Lopes Rodrigues, 44 anos, e pela revolta de conhecidos dele. Indignadas com o homicídio, mais de 50 pessoas tentaram linchar o suspeito de ter cometido o crime, queimaram o carro dele e ainda agrediram um jornalista que produzia uma reportagem sobre o caso.

O assassinato de Rodrigues ocorreu na Rua Ângelo Golin, bairro Aparecida, por volta das 20h30min. Segundo o delegado Rodrigo Duarte, a vítima tinha uma desavença com um familiar de Tobias Pereira Barbará, 21. Na noite de quarta-feira, Rodrigues e o familiar de Barbará brigaram. Conforme relatos de testemunhas aos policiais, Barbará teria sacado um revólver e atirado várias vezes contra Rodrigues supostamente para defender o parente. Baleado, Rodrigues tombou na calçada e morreu antes de receber socorro.

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Em seguida, Barbará se escondeu na casa do familiar, ao lado da moradia da vítima. Em poucos minutos, a Brigada Militar chegou ao local. Nesse meio tempo, populares se reuniram na rua e exigiram a saída do suspeito de casa. O jornalista Ronei Marcílio, que trabalha na Rádio Solaris, foi até o local para fazer fotos e buscar informações. 

— O pessoal estava muito revoltado. Fiquei de longe fazendo fotos e coloquei minha máquina fotográfica no ombro. As pessoas tentaram invadir a casa do homem que atirou. Depois, viraram o carro dele e tocaram fogo. Foi muito tenso — relata Marcílio.

Ao pedir informações para uma jovem que registrava a tentativa de linchamento com um celular, Marcílio passou a ser alvo.

— Fui cercado por umas 15 pessoas. Me deram socos, pontapés, me derrubaram no chão. Só escapei porque a Brigada Militar interveio — conta Marcílio.

Bando também incendiou veículo que pertencia a homem que atirou contra Paulo Ricardo Lopes Rodrigues Foto: Ronei Marcílio / Rádio Solaris,divulgação

Os agressores ainda pegaram a máquina fotográfica do jornalista, recuperada pouco depois pela polícia. A BM convocou reforço para conter o grupo e ainda precisou de apoio da Polícia Civil da cidade e de uma equipe de Caxias do Sul. A confusão só terminou perto da meia-noite, quando Barbará e outros familiares saíram escoltados da casa. Barbará foi preso em flagrante e conduzido a um presídio. Com ele, a polícia apreendeu um revólver. O jovem não quis se manifestar sobre o crime na delegacia.

— Houve o desentendimento entre a vítima e o avô do suspeito. O suspeito alegou que, em razão da agressão que o avô estava sofrendo, reagiu. Só que as versões apresentadas não batem. Testemunhas dizem que o agressor (Rodrigues) estava armado com uma faca e outras não. O avô não apresentou lesão aparente. 

Nesta quinta-feira, Marcílio buscou atendimento médico novamente para fazer novos curativos e exames — ele sofreu escoriações. 

A polícia investigará a identidade das pessoas que queimaram o veículo e agrediram o jornalista.

 
 

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