Morador relata terror em assalto que fez 17 reféns no interior de Caxias - Polícia - Pioneiro

Insegurança14/11/2016 | 17h26Atualizada em 14/11/2016 | 17h26

Morador relata terror em assalto que fez 17 reféns no interior de Caxias

Ação criminosa iniciou em Vila Oliva na noite de sábado 

Morador relata terror em assalto que fez 17 reféns no interior de Caxias Marcelo Casagrande/Agencia RBS
 As vítimas, que incluíam seis crianças de 6 a 13 anos, foram empilhadas no compartimento de carga de uma Fiorino. Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Como seguir em frente após perder a tranquilidade de ficar em casa? Esta é a pergunta que incomoda os moradores da localidade de Fazenda Invernada, antigamente considerado um refúgio em Vila Oliva, interior de Caxias do Sul. Na noite de sábado, cinco bandidos renderam 17 pessoas durante roubo a quatro residências. As vítimas, que incluíam seis crianças de 6 a 13 anos, foram empilhadas no compartimento de carga de uma Fiorino, que seria abandonada no Distrito de Vila Seca. Foram mais de oito horas de terror.

A ação criminosa teve início na casa do comerciante Flávio Tonietto Brugalli, 47 anos (confira entrevista abaixo). Ele recebia um casal de amigos de Florianópolis (SC) quando os criminosos invadiram a casa, por volta das 19h15min. Com agressões e ameaças, a quadrilha perguntou quem morava nas proximidades. Os reféns foram utilizados como escudo para atacar outras três casas vizinhas.

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Leia o relato completo:

Pioneiro: Como começou o assalto?

Flávio Tonietto Brugalli: Era cerca de 19h15min. Eu estava recebendo um casal de amigos que mora em Florianópolis (SC). Tínhamos sentado para começar a conversar quando eles surgiram. Eram cinco homens armados que utilizavam bonés e bandanas para esconder o rosto. Entraram em um ritmo agressivo. O meu amigo demorou para entender o que estava acontecendo e foi agredido com uma coronhada na cabeça. Foi o início da sessão de terror. Eles repetiam que queriam o dinheiro e armas.

E as outras casas?

Eles começaram a perguntar por quem mais morava nas proximidades. Eles obrigaram nossa família a ir junto até essa outra casa, cerca de 800 metros, onde fizeram mais reféns. No total, foram 17 pessoas enfileiradas no meu sofá. Eles utilizavam nossos carros para ir e voltar. Reviraram todas as casas. A tortura foi grande. Eles não entendiam que não tínhamos dinheiro guardado ou algo escondido.

Vocês foram levados na fuga?

Era depois da meia-noite, quando tiveram a petulância de colocar as 17 pessoas no furgão da Fiorino. Nos socaram lá. Foi um pavor total. Imaginávamos o pior. A maioria com as mãos amarradas, quase não conseguíamos respirar e cada vez ficando mais quente. A maioria passou mal, teve até gente desmaiando. Andaram por estrada de chão e fizeram zigue-zague quando chegaram no asfalto. Pedíamos desesperados que nos liberassem.

Onde vocês foram abandonados?

Foipróximo ao Golf Clube. Parece um local de desova de carro. Lá, colocaram os objetos roubados em outro carro, provavelmente alguém estava esperando. Por último, o mais velho deles, que comandou toda a ação, abriu a porta e nos ameaçou de novo. Disse que era para ficarmos em silêncio por 20 minutos e deixou a porta encostada. Nós aguardamos e depois fomos procurar ajuda. As pessoas estavam receosas, afinal era duas da manhã. Uma destas casas chamou o monitoramento de uma empresa de segurança que nos ajudou. Acionaram a Brigada Militar, que foi muito rápida e eficiente. Tem que registrar. Deram todo suporte para a gente e conseguiram até um micro-ônibus para nos levar de volta.

Como foram estes primeiros dias após o assalto?

Terríveis. São 17 vítimas e está todo mundo abalado. Cada um reage de uma forma diferente. Fica a sensação que não conseguimos proteger nossas famílias. São sentimentos de todas as espécies. Quando termina, parece que temos que agradecer por estarmos vivos. Mas o que fica é o pior. Não sabemos como proceder. O problema é muito maior do que colocar uma cerca.

Como seguir em frente?

Temos que ir juntando os cacos. O problema não é o que eles levaram, mas o que deixaram. Esta sensação de impunidade e que não conseguimos proteger a nossa família. Não sabemos o que fazer. Não é uma questão de interior, a insegurança está por toda Caxias do Sul. Essa realidade precisa mudar. Precisamos tentar viver de novo, superar a cada dia

Há notícias de outros assaltos na região?

Sempre tem algum outro caso sendo contado. Antigamente escutávamos casos isolados de crimes. Hoje as conversas chegam para todos. Hoje ou amanhã, uma hora seremos vítimas também. Está cada vez mais próximo do nosso dia a dia. Escutamos histórias cada vez mais bárbaras.


 
 
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