Vítima do 102º assassinato em Caxias do Sul poderia ter seguido carreira na música - Polícia - Pioneiro

Violência05/10/2016 | 17h52Atualizada em 05/10/2016 | 18h15

Vítima do 102º assassinato em Caxias do Sul poderia ter seguido carreira na música

Professor de Leandro de Souza desabafou nas redes sociais após o crime

Vítima do 102º assassinato em Caxias do Sul poderia ter seguido carreira na música Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Leonardo dos Reis lembra o aluno talentoso e prestativo que Souza era aos 15 anos Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

A 102ª vítima de assassinato em Caxias do Sul poderia ter seguido a carreira de músico. Antes de ser preso por roubo, Leandro de Souza, 21 anos, foi aprendiz de percussão de Leonardo dos Reis, o Leozão. Após ler a notícia, o professor de música desabafou em sua rede social lamentando o caminho seguido pelo ex-aluno. Souza foi executado a tiros em uma residência da Vila Ipê,  às 21h30min de terça-feira.

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Leozão conheceu Souza em 2010, no extinto Centro Assistencial Vó Juvelina, que atendia jovens da Zona Norte. O garoto de 15 anos se destacava por ser participativo nas aulas. Os encontros semanais prosseguiram por cerca de um ano. O reencontro deles ocorreu na escola Ruben Bento Alves, no Vila Ipê, onde Souza trabalhava como monitor. O rapaz contou que participava da banda marcial municipal e pediu conselhos sobre a troca de instrumentos, contato que prosseguiu via rede social.

— Ele tinha talento para tocar e gostava bastante. Era um laço de amizade daquele grupo de jovens, aproveitavam aquele convívio da banda. É difícil prever o que poderia ter acontecido, mas naquela época a carreira de percussionista era uma possibilidade — opina Leozão.

Leandro de Souza, 21 anos Foto: Divulgação

A vida do rapaz, porém, tomou outro rumo. Ao que tudo indica, Souza foi influenciado por más companhias da Zona Norte, região que sofre com tráfico de drogas e que registrou um terço dos homicídios deste ano. Em maio, ele participou de um roubo a posto de combustível. Souza foi preso em flagrante pela BM em um Chevette com dois adultos e um adolescente. Policiais apreenderam R$ 70 e uma touca ninja no veículo.

Esta era a única passagem de Leandro pela polícia. Pelo crime, ficou recolhido num presídio por 13 horas e 47 minutos. O nome dele só retornou ao noticiário policial na noite de terça-feira, quando dois homens encapuzados invadiram uma residência da Rua dos Carpinteiros e o executaram com quatro tiros na cabeça.

Investigação

O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios e Desaparecidos (DHD). Neste primeiro momento, há duas vertentes sobre a motivação do crime. Uma é relacionada ao tráfico de drogas na região. A outra se refere a outro homicídio praticado neste ano. Não está descartado que Souza não fosse o alvo do ataque.


 
 
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