Rótula da São Leopoldo, em Caxias, soma cinco assassinatos em um ano - Polícia - Pioneiro

Violência06/10/2016 | 16h24Atualizada em 07/10/2016 | 08h38

Rótula da São Leopoldo, em Caxias, soma cinco assassinatos em um ano

Na quarta-feira, rapaz que foi baleado em setembro morreu no hospital

Rótula da São Leopoldo, em Caxias, soma cinco assassinatos em um ano Brigada Militar / divulgação/divulgação
Na mesma noite em que Iago foi baleado, Érica da Silva dos Santos, 20 anos, também foi alvejada e morreu na hora Foto: Brigada Militar / divulgação / divulgação
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Ponto de aglomeração de jovens por causa de bares e casas noturnas, as imediações da rótula da Avenida São Leopoldo com a Perimetral Sul amargam uma triste estatística: cinco assassinatos em um ano. A última morte ocorreu na quarta-feira: Iago Jacinto da Motta, 23 anos, baleado no mês passado na saída de uma festa, morreu no Hospital Pompéia. Na madrugada do crime, 18 de setembro, Érica da Silva dos Santos, 20, também foi alvejada e faleceu no local. Para a Polícia Civil, os tiros não eram direcionados a eles: um homem teria saído do estabelecimento e voltado em seguida para atingir um segurança, mas acabou errando o alvo. Além da Estação Férrea, na área central, o São Leopoldo é um dos pontos mais frequentados por reunir duas grandes casas noturnas e pequenos bares.

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Para a comunidade da região, o sentimento é de impotência. Embora a onda de badernas com som alto e consumo de bebidas e drogas ao ar livre, comum há alguns anos, tenha diminuído e migrado para outros pontos da cidade, a soma de mortes ainda assusta. Casos de brigas e rachas na Avenida São Leopoldo, raramente registrados e que por isso muitas vezes passam despercebidos, integram a lista de reclamações. O temor é de que, se a situação prosseguir, mais violência e mortes possam ocorrer. Som alto também incomoda.

— Quando alguém fica ferido grave, a notícia se espalha, mas isso não acontece se é algo menor. Uma coisa é saber da situação, outra é conviver — desabafa o presidente do bairro, Vagner Rodrigues Marçal.

Trabalhos que inibem a ação de baderneiros e ajudam a diminuir a sensação de insegurança, as forças-tarefas Balada Segura e Casas Noturnas estão no plano das autoridades para voltar em breve. Pontos como o São Leopoldo podem entrar na lista.

— Me parece que o ambiente melhora a partir dessas operações. É a maneira que temos de manter a situação controlada — avalia o major Jorge Emerson Ribas, comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar (12º BPM).

Titular da Secretaria de Segurança Pública e Proteção Social, José Francisco Barden da Rosa lembra que pontos de baderna costumam migrar com o tempo — se o São Leopoldo já foi o foco principal, hoje a Perimetral Norte concentra grande parte do problema. Ele acrescenta, ainda, que embora ações preventivas devam ser realizadas, não se pode criminalizar a aglomeração de jovens:

— 80% das mortes acontecem por terem relação com a disputa do tráfico e muitas vezes o acerto de contas ocorre nesses locais.

Rapaz será sepultado sexta-feira em São Leopoldo

Morto depois de 18 dias internado no Hospital Pompéia, Iago Jacinto da Motta, 23, era natural de São Leopoldo e morava havia cerca de um ano em Caxias. Ele vivia no bairro Salgado Filho com a irmã e o cunhado. Motta trabalhava na Associação de Recicladores e Carroceiros do Aeroporto (Arca) e projetava juntar dinheiro para cursar informática e se qualificar para o mercado de trabalho. Ele não tinha passagens pela polícia.Iago foi baleado quando saiu da casa noturna para comprar churrasquinho, conta o tio Airton Luis de Freitas, 50, com quem o rapaz trabalhava . O jovem integrava o time de futsal da reciclagem.

— Se tinha uma coisa que ele gostava, era de chegar em casa, tomar um banho e ir para o baile. Ia todos os finais de semana. Ele era um guri bom — lamenta o tio.

Iago deixa os filhos Lucas, quatro anos, e Maria, dois, que vivem com os avós maternos em São Leopoldo. Ele não conhecia a outra vítima fatal, Érica da Silva dos Santos, nem os outros três jovens baleados _ apenas Diego Barcelos Vieira, 28, seguia no Pompéia.

O velório ocorre no Centro Comunitário do bairro Scharlau, em São Leopoldo. O sepultamento ocorre na sexta-feira, às 9h, no Cemitério Municipal São Borja, também em São Leopoldo. 

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