Escola de Caxias do Sul vence o vandalismo após abrir as portas para a comunidade - Polícia - Pioneiro

Eu quero a paz10/10/2016 | 08h09Atualizada em 10/10/2016 | 08h09

Escola de Caxias do Sul vence o vandalismo após abrir as portas para a comunidade

Colégio Madre Assunta, no loteamento Jardim Oriental, é personagem da série de reportagens sobre a paz

Escola de Caxias do Sul vence o vandalismo após abrir as portas para a comunidade Roni Rigon/Agencia RBS
Crianças e adultos, estudantes ou não da escola, podem utilizar a quadra de esportes após o período de aula e aos finais de semana Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

A Escola Municipal Madre Assunta, no loteamento Jardim Oriental, zona sul de Caxias do Sul, contraria uma tendência. Para amenizar os conflitos com jovens que invadiam a escola à noite, liberou a quadra de esportes fora do horário de aula. A decisão foi tomada após ataques de vandalismo praticados por alunos e ex-alunos da instituição. Está dando certo.

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A iniciativa foi inspirada no programa Abrindo Espaços: Educação e Cultura para a Paz, lançado há 16 anos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A abertura das escolas públicas nos finais de semana é vista como uma opção de lazer capaz de auxiliar na disseminação da cultura da não-violência, além de promover a cidadania. Nem toda instituição de ensino atendeu ao chamado da Unesco, mas a Madre Assunta percebeu que esse é o melhor caminho.

O problema, conforme a diretora Zilba Lucia Bernardi Klóss, se acentuou em junho deste ano, quando a direção reuniu autoridades policiais, escolares e integrantes da associação de moradores do bairro Nossa Senhora das Graças para identificar os invasores e proibir, de forma oficial, o uso da estrutura da escola fora do período de aula. A medida revoltou os jovens, que, além de prosseguir com a invasão, passaram a quebrar vidros, derrubar extintores, rasgar trabalhos e danificar as salas. Detalhe: além da escola, a comunidade não possui outra opção de lazer.

— A situação estava insustentável. Não só a escola em si estava sendo prejudicada como os alunos também. Por mais que a gente tivesse conhecimento de quem seriam alguns dos invasores, nada do que fazíamos estava melhorando a situação. Então, decidimos mudar a estratégia — conta Zilba. 

Em setembro, uma nova reunião definiu que abrir a escola para a comunidade poderia minimizar os ataques. O resultado foi imediato: a depredação parou. Além disso, a medida estabeleceu um senso comunitário entre os moradores do Jardim Oriental. O resultado ainda não é comemorado, pois a abertura dos portões segue o princípio da confiança. 

— Alguns moradores ainda são contrários à decisão, mas a bandeira branca é um sinal de que estamos confiando nas pessoas que utilizam o espaço. Sabemos que com o tempo, a desconfiança irá embora. Principalmente, por causa da consciência de que a população tem direito de usar o espaço público, desde que cuide — explica a diretora.

Ceder a escola para a comunidade representa um ganho duplo: moradores podem usar o prédio como ponto de lazer e a escola fortalece os vínculos com as famílias e os alunos. A paz não apenas voltou a fazer parte da rotina escolar, como foi possível estabelecer uma relação de respeito. 

Para Levino Rodrigues Dahmer, 59 anos, responsável pela chave do portão da instituição, deixar os moradores usufruir do espaço foi a melhor decisão. Segundo ele, a ideia foi bem aceita e pais já organizam até campeonatos de futebol e outras atividades.

— Até agora, todos entenderam que a escola é nossa e por isso precisamos cuidar dela. O nosso bairro não tem qualquer estrutura para lazer e isso estava aumentando a violência. Fico muito contente que tivemos a chance de mudar e possibilitar dias mais tranquilos — comemora Dahmer, que por diversas vezes consertou a cerca cortada pelos jovens que invadiam a escola. 

Integrantes da Secretaria Municipal da Educação, por meio do programa de Comissões Internas de Prevenção de Acidentes e Violência Escolar (Cipave), e a Guarda Municipal incentivaram a decisão e estão auxiliando no projeto de pacificação na Madre Assunta. 

No período que compreende a Semana da Paz, em setembro, e a Semana da Justiça Restaurativa, em novembro, a reportagem conta histórias de pessoas que se engajam contra a violência em Caxias.

 
 
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