Com seis mortes em 24 horas, fim de semana é o mais violento do ano em Caxias do Sul - Polícia - Pioneiro

Assassinatos16/10/2016 | 20h53Atualizada em 18/10/2016 | 14h26

Com seis mortes em 24 horas, fim de semana é o mais violento do ano em Caxias do Sul

Até então, a cidade só havia vivenciado situação semelhante em 30 de abril e 1º de maio

Com seis mortes em 24 horas, fim de semana é o mais violento do ano em Caxias do Sul Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Priscila de Lima Boeira, 29, e Stefani de Souza de Oliveira, 24, foram executadas em casa localizada no bairro Fátima Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS
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Seis assassinatos em apenas 24 horas fazem com que o fim de semana ostente o triste título de mais violento de Caxias do Sul em 2016. Até então, a cidade só havia vivenciado situação semelhante em 30 de abril e 1º de maio, quando houve quatro homicídios e um latrocínio (roubo seguido de morte). Até as 20h30min de domingo, a cidade somava 111 mortes, marca alcançada somente outras cinco vezes desde 1990.

Todos os casos ocorreram entre a madrugada e a noite de sábado, mas uma das mortes só foi confirmada na madrugada de domingo no Hospital Pompéia: um assaltante que havia sido baleado quando tentava roubar um carro. Também chama a atenção a execução de duas mulheres em uma casa no bairro Fátima. Na mesma ocorrência, um homem foi ferido. 
A investigação desses casos só deve começar nesta segunda.

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Corpo em contêiner
O primeiro assassinato ocorreu no bairro Marechal Floriano, às 2h de sábado. O corpo de Luiz Carlos Hedlund, 49 anos, foi encontrado em um contêiner de lixo atrás do Cemitério Municipal, na Rua Rosalimbo Cosseo, no bairro Euzébio Beltrão de Queiroz. O crime teria ocorrido no porão de uma residência próxima, onde os policiais encontraram marcas de sangue. Hedlund, que tinha a perna esquerda amputada, foi assassinado com um tiro no peito. Dali, teve o corpo levado até o contêiner.

Morte durante briga
Por volta das 4h de sábado, Dagoberto Bettim Azambuja, 21, levou golpes de faca no peito e no rosto durante uma briga entre supostos guardadores de carro, no Centro. Conhecido como Zóio, o jovem estava em liberdade provisória e costumava cuidar de veículos na esquina das ruas Marquês do Herval e Pinheiro Machado. O nome de um suspeito foi repassado aos agentes da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), e a investigação irá verificar se as câmeras de monitoramento da região flagraram o ataque.

Baleado dentro de casa
Minutos depois do assassinato do guardador de carro no Centro, Mauro Fornasa Ferreira, 35, foi baleado em casa, no bairro Jardim América, e morreu no Hospital Pompéia. A mãe dele, Ivete Cecília Fornasa Ferreira, 62, que mora na parte superior do imóvel, diz ter ouvido pelo menos seis disparos antes de descer e encontrar o filho caído no interior da residência. Conforme ela, o filho era viciado em crack e já havia sido preso inúmeras vezes.

— Ouvi os tiros e, quando olhei pela janela, vi duas pessoas pulando a grade para fugir e entrar em uma caminhonete branca que estava esperando. Foi uma execução perfeita. Antes de partirem, eles ainda voltaram e atiraram mais uma vez. Poderiam ter nos acertado. A violência está se tornando uma tristeza. Todo mundo está impune — resigna-se Ivete, que mora com um neto de 11 anos e uma neta de 15, ambos filhos de Ferreira.

 Mulheres executadas
Priscila de Lima Boeira, 29, e Stefani de Souza de Oliveira, 24, foram executadas às 23h de sábado. As duas moravam na esquina das ruas Vicente Bornancini e Dr. Renato Del Mese, no bairro Fátima. Pai de Priscila, o encanador José Alvonei Boeira, 58, diz que, conforme relatos de populares, dois homens armados chegaram à residência, que fica em cima de um bar, em um Honda Civic prata e atiraram nas duas, fugindo em seguida. Everton Hoffmann, 32, namorado de Stéfani, também foi baleado. Uma quarta pessoa estaria no local, mas não foi identificada.

— Ela (Priscila) usava drogas, ficava desaparecida por vários dias, depois voltava. Tentei de tudo que pude, mas não conseguimos livrá-la disso — lamenta Boeira, acrescentando que mora com um filho de oito anos de Priscila e que outra neta, de 11 anos, mora com o pai.

A polícia investigará se as mortes têm relação com o tráfico de drogas, uma suspeita levantada por familiares das vítimas. Stéfani deixa dois filhos, de seis e um ano de idade, e uma filha, de dois. Até o fechamento desta edição, Hoffmann permanecia à espera de um leito no Hospital Pompéia. O hospital não informou o estado de saúde do paciente.

 Vítima reage e mata assaltante
A sexta morte do fim de semana em Caxias do Sul ocorreu às 2h da madrugada de ontem, no Hospital Pompéia. Lucas de Brito dos Santos, 24, era um dos homens que assaltaram um casal na noite de sábado na Rua Graciema Formolo, no bairro Sagrada Família.

Conforme a Brigada Militar, um jovem de 26 anos embarcava com a namorada, de 22, em um Saveiro, quando foi abordado por três assaltantes. Um deles era Santos, que atirou contra o motorista. Mesmo ferido, o jovem reagiu e lutou com Santos.

O motorista conseguiu desarmar o criminoso e disparou três tiros contra ele. Os outros dois bandidos fugiram. O motorista passou por cirurgia e não corre risco de vida. Santos estava em prisão domiciliar desde o dia 14 de março. 

ANOS MAIS VIOLENTOS
:: 2012 = 134
:: 2010 = 125
:: 2006 = 120
:: 2015 =115
:: 1990 e 2016* = 111 cada

* até 16 de outubro


 
 
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