Caxias do Sul alcança a triste marca de 100 assassinatos no ano - Polícia - Pioneiro

Violência29/09/2016 | 01h05Atualizada em 29/09/2016 | 09h04

Caxias do Sul alcança a triste marca de 100 assassinatos no ano

Caso mais recente ocorreu na frente do Parque da Lagoa, no bairro Desvio Rizzo

Caxias do Sul alcança a triste marca de 100 assassinatos no ano Felipe Nyland/Agencia RBS
Homem foi baleado e morto por volta das 22h de quarta-feira Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS
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O 100º assassinato do ano em Caxias do Sul aconteceu na Rua João Florian, na frente do Parque da Lagoa, no bairro Desvio Rizzo, por volta das 22h de quarta-feira.

A vizinhança ouviu três tiros e nada mais. Pouco depois, um morador encontrou o corpo de um homem caído na calçada. Até o início da madrugada desta quinta-feira, a vítima não havia sido identificada. 

É a primeira vez nos últimos 10 anos que a triste marca de 100 assassinatos é alcançada no mês de setembro. Desde o início do ano, Caxias do Sul vem registrando uma média de 11 casos por mês, entre latrocínios (roubos com morte), feminicídios e homicídios motivados por rixas e acertos de contas entre criminosos.

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Nada indica que esse ritmo vai arrefecer tão cedo, o que pode fazer de 2016 um dos anos mais violentos na história da cidade — a pior marca pertence a 2012, com 134 assassinatos. Naquele período, porém, o 100º caso só ocorreu na madrugada de 5 de outubro.

Em relação ao assassinato no Parque da Lagoa, sabe-se apenas que a vítima correu cerca de 100 metros antes de tombar. O homem teria sido abordado na esquina da João Florian com a Nestor Domingos Rizzo. Marcas de sangue pela calçada indicam que ele tentou fugir em direção à Rua Celestino Deitos. 

— Eu estava em casa e ouvimos os disparos. Foi meu filho quem saiu depois e encontrou o corpo — conta o representante comercial Alceu Padilha.

Conforme o delegado plantonista da Polícia Civil, Ives Trindade, o atirador disparou três vezes, mas uma exame preliminar de peritos só havia identificado uma perfuração na altura do peito da vítima, quase perto da axila. Como não portava documento, a identificação do homem dependeria de reconhecimento pessoal ou por meio das digitais. No bolso da calça, os policiais encontraram cerca de R$ 20 em dinheiro.

A sequência de mortes em Caxias do Sul não surpreende as autoridades policiais. O titular da Delegacia de Homicídios e Desaparecidos (DHD), delegado Rodrigo Kegler Duarte, apontava essa tendência desde o primeiro semestre, mas admite que é complicado definir as razões de tanta violência. 

— Não há um motivo específico. O delito de homicídio pode ser derivado das mais variadas causas e a instabilidade, seja política ou econômica, resulta no aumento da prática de crimes, inclusive os homicídios. São casos pulverizados, mas que afetam mais os bairros que sofrem problemas sociais e a falta de estrutura. É um aumento de violência que tem várias causas e estamos enfrentando com as forças que temos — resume o delegado Duarte. 

 
 
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