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Polícia07/11/2014 | 13h58

Seco, um dos maiores bandidos do Estado, iniciou a vida no crime em Caxias do Sul

Mesmo preso na Pasc, ele comandava roubos e furtos de carros por telefone

Seco, um dos maiores bandidos do Estado, iniciou a vida no crime em Caxias do Sul Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Em 2005, assaltos a carros-fortes na Serra renderam ao bando de Seco R$ 1,6 milhões Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

Um dos maiores bandido do Estado, José Carlos dos Santos, o Seco, iniciou a vida no crime em Caxias do Sul. Mesmo preso na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), em Charqueadas, onde cumpre condenação, ele orquestrava roubo, furto e clonagem de veículos, de acordo com investigações da polícia.

Natural de Candelária, no Vale do Rio Pardo, Seco conheceu os maiores quadrilheiros do Estado em Caxias do Sul, entre 2000 e 2001, quando trabalhou na cidade. O jovem despertou interesse dos bandidos pela habilidade ao volante e conhecimento técnico em explosivos.

Durante anos, Seco dirigiu máquinas pesadas em lavouras e terraplanagens. Tinha conhecimentos em explosivos, já que trabalhou na abertura de açudes.

No começo da carreira criminosa, Seco conduzia os caminhões usados para parar os blindados. Ele ajudou a criar a logística das ações contra carros-fortes. Costumava sentar ao lado do caroneiro, protegido por colchões e um capacete. Com a morte de Dilonei Melara, em 2005, passou a ser o criminoso mais temido do Estado.

De acordo com o delegado Juliano Ferreira, titular da Delegacia de Repressão ao Roubo de Veículos, foram identificados cerca de 200 roubos e furtos de carros e caminhões praticados pelo grupo de Seco neste ano, que foi preso em 13 de abril de 2006 após tiroteio com quatro agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), na BR-386, Vale do Taquari.

A prisão, na época, ocorreu três dias após o roubo a uma transportadora de valores de Santa Cruz do Sul, que resultou na morte de um capitão da Brigada Militar. Na investigação da polícia, divulgada nesta quinta, foi revelado que Seco comandava uma quadrilha que roubava veículos e os enviava para Santa Catarina, Paraná e Paraguai, onde podiam ser trocados por dinheiro e por drogas.

— Verificamos que o Seco é muito vinculado ao tráfico de drogas, inclusive com os "Bala na Cara" (facção que atua no ramo), com quem fazia contatos seguidos. Qual era a ideia? Quem sabe, se tornar fornecedor. Era uma atividade muito intensa, com muito dinheiro _ explica o delegado Juliano Ferreira.

A mulher de Seco, Adriana da Silva Santos Moraes, foi presa em Montenegro - ela é apontada como braço direito do criminoso. Seco chegou à sede do Deic, em Porto Alegre, por volta das 10h30min de ontem. Ele prestou depoimento e retornou para a Pasc.

OS RASTROS DE SECO NA REGIÃO

Na Serra, Seco é apontado como líder dos seguintes crimes. Somente em 2005, assaltos a carros-fortes na Serra renderam ao bando R$ 1,6 milhões.

Farroupilha:

- Em 1º de dezembro de 2005, um bando fortemente armado joga um caminhão roubado contra um carro-forte da Proforte que leva valores de Caxias do Sul para Veranópolis. Na RSC-453, na localidade de Burati, os ladrões param o blindado com o caminhão. Há trocas de tiros e os vigilantes Anderson Pivotto, 29 anos, e Neri dos Santos, 35, são mortos. Os bandidos fogem levando R$ 900 mil.

- Na noite de 29 de março de 2005, cinco homens jogam um caminhão sobre um blindado na localidade de Burati. Os vigilantes trocam tiros com os assaltantes, que conseguem fugir sem levar nada. O bando abandona armamentos e explosivos.

Veranópolis

Na manhã de 9 de setembro de 2005, bandidos esperam pela passagem de um blindado em um belvedere na RSC-470. Os ladrões tentam atingir o carro-forte, mas os vigilantes percebem a ação e escapam.

Em 4 de fevereiro de 2005, oito homens fortemente armados jogam um caminhão roubado contra dois blindados da Prosegur, que seguem de Bento Gonçalves para Veranópolis pela RSC-470. Um deles é atingido pelo caminhão. Na colisão, morre o criminoso Eduardo Miguel Lara, 30 anos. Inicia-se a troca de tiros e os ladrões fogem em dois veículos com R$ 700 mil.

SUSPEITO

Mesmo depois da prisão de Seco, em 2006, há indícios de que remanescentes da quadrilha liderada por ele tenham se reestruturado e cometido assaltos a carros fortes na região, como em junho de 2010,na ERS-115, em Gramado. Os criminosos também pararam o blindado da Brinks com um caminhão e usaram explosivos para abrir o cofre.  O roubo resultou na morte do vigia Giovani da Fontoura Fagundes e no espancamento a coronhadas do seu colega Alexsandro Fernandes de Oliveira.

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