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Memória08/10/2020 | 07h00Atualizada em 08/10/2020 | 07h01

Três fases do coração da Praça Dante Alighieri

Em 1937, área do antigo Chalet Municipal passou a abrigar o chafariz, na sequência das obras de remodelação e nivelamento

Três fases do coração da Praça Dante Alighieri Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / Divulgação/Divulgação
O chalé captado a partir da Av. Júlio, durante a neve de julho de 1918 Foto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / Divulgação / Divulgação

As recentes colunas sobre o antigo chalé da Praça Dante Alighieri permitem fazer uma espécie de linha do tempo do “coração” da cidade. Reproduzimos aqui parte do conteúdo publicado originalmente no Facebook do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, detalhando mais algumas histórias sobre o derradeiro período do chalé.

Conforme o texto da postagem, o jornal “O Democrata”, em sua edição de 14 de fevereiro de 1923, informou:“O Chalet da Praça, que foi sempre o ponto chique de reuniões, se acha hoje transformado em Centro Republicano”.

Não foram localizados outros documentos a respeito dessa ocupação no Arquivo Histórico. Porém, o contexto do trecho acima é a Revolução de 1923, quando os partidários de Assis Brasil (maragatos) deflagraram um movimento armado contra o presidente do Estado, Borges de Medeiros, reeleito em 1922 para o quinto mandato consecutivo.

À época, o intendente municipal, José Penna de Moraes (gestão 1912-1924), foi eleito presidente do Centro Republicano, conforme consta na edição de 3 de novembro de 1922 do jornal “A Resistência”. Daí o chalé provavelmente ter servido como QG dos partidários de Borges de Medeiros (ximangos) e Penna de Moraes, filiados ao Partido Republicano Riograndense.

Na imagem acima, o chalé captado a partir da Av. Júlio, durante a neve de julho de 1918. Vê-se a praça ainda cercada, a Catedral e o casarão da família Serafini (na esquina com a Dr. Montaury, à direita). Já o novo prédio do Magnabosco só surgiria 20 anos depois, em 1939.

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Fim da concessão

Ao longo do ano de 1924, não foram identificados registros do funcionamento do chalé, apenas a desistência dos direitos de concessão e a rescisão do contrato selado entre os comerciantes José Domingos de Arruda e Alziro Baptista de Lucena, e a Intendência Municipal, representada por Celeste Gobbato.

Já o único registro de funcionamento do chalé no ano de 1925 foi anunciado pelo jornal “Correio Colonial”, em sua edição de 12 de dezembro. O texto da época informava que a reabertura ocorria devido ao contrato firmado entre a Municipalidade e Davide Marsico, além de evidenciar os produtos a serem comercializados:

“Toda sorte de bebidas, nacionais e estrangeiras. Dispõe o chalet de um excelente preparador de sorvetes e gelados, que serão servidos a preços populares”.

Esse documento, no entanto, não foi localizado no livro de registro de contratos e convênios do período. Também não foram identificadas notícias sobre atividades no local a partir desta data.

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Sem o chalé: a praça durante as obras de remodelação e nivelamento em meados de 1928. Vê-se a Catedral ainda com as escadarias frontaisFoto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / Divulgação

A demolição

Em virtude das obras de remodelação e nivelamento da Praça Dante Alighieri, empreendidas durante a administração do intendente Celeste Gobbato (gestão 1924-1928), acredita-se que o “Chalet Municipal” tenha sido demolido no ano de 1926  – visto que o Relatório da Intendência Municipal do ano de 1927 apresenta fotografias das interferências na praça já sem a estrutura.

Na imagem acima, os trabalhos por volta de 1928-1929. O local onde está a Estátua da Liberdade já havia passado pelo processo de rebaixamento. Vê-se o centro da praça sem vestígios do chalé e, entre a escadaria da Catedral Diocesana e a Estátua da Liberdade, parte do pedestal de Júlio de Castilhos.

Esse monumento, inaugurado em 1914, foi retirado no final da década de 1920 e recolocado em um ponto próximo às vésperas da Festa da Uva de 1937 – e lá permanece até hoje. Foi na edição de 1937, aliás, que surgiu, no mesmo ponto do chalé, o chafariz, destacado nos jornais da época como “Fonte Luminosa” (abaixo).

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Festa da Uva de 1937: tendeiras ao redor do chafariz da Praça Dante, inaugurado naquele ano no mesmo ponto do antigo Chalé MunicipalFoto: Giacomo Geremia, Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / Divulgação

Parceria

Informações e fotos desta página foram publicadas originalmente no Facebook do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami.

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