Sandra Trintinaglia: os primórdios da dança cênica caxiense - Geral - Pioneiro

Versão mobile

 
 

Memória06/10/2020 | 07h00Atualizada em 06/10/2020 | 07h00

Sandra Trintinaglia: os primórdios da dança cênica caxiense

Em live com o jornalista Carlinhos Santos, bailarina e professora resgata parte de sua trajetória e das aulas na antiga Escola Municipal de Belas Artes

Sandra Trintinaglia: os primórdios da dança cênica caxiense Acervo pessoal/divulgação
Duas gerações e uma paixão em comum: Sandra Trintinaglia e a filha Lisa Susin Foto: Acervo pessoal / divulgação

Sandra Regina Trintingalia tinha apenas quatro anos quando iniciou no curso de ballet da Escola Municipal de Belas Artes (Emba), em 1949. Foi uma das primeiras alunas do lendário espaço, criado na Caxias do pós-guerra para impulsionar uma série de práticas artísticas, que incluía ainda música e pintura.

Aluna, bailarina, professora particular, professora do São Carlos, administradora de escola, Sandra tem sua história mesclada não apenas à Emba como também à evolução da dança em Caxias – testemunhando e impulsionando o surgimento de centenas de novos espaços e profissionais da área.

Parte dessa trajetória, destacada no livro Frestas da Memória - A Dança Cênica em Caxias do Sul, de Sigrid Nora e Maria Ramos Flores, também será recordada hoje, durante a última live do projeto Figuras da Dança Cênica em Caxias do Sul. A conversa com Sandra tem transmissão pelo Instagram do jornalista e crítico de dança Carlinhos Santos, às 10h30min.

O bate-papo promete uma viagem não apenas pelo universo da dança, mas pela Caxias das últimas seis décadas, quando espaços como o Cine Ópera e o Cine Central eram recintos multifuncionais. Conforme descrito no livro lançado em 2013, “além da exibição dos filmes, ali aconteciam concertos, récitas de ballet, peças de teatro, apresentação de coros e produções artísticas de várias naturezas”.

Leia mais:
Erico Veríssimo visita Caxias do Sul em 1956
Nu fotográfico agita a Aliança Francesa em 1955
Mauro De Blanco no Atelier de Teatro da Aliança Francesa em 1961 

Aos oito anos: Sandra Trintinaglia em atuação no ¿Festival Anual¿ da Escola Municipal de Belas Artes, em 1953  <!-- NICAID(14609243) -->
Sandra em atuação no “Festival Anual” da Escola de Belas Artes, em 1953, aos oito anosFoto: Acervo pessoal / divulgação
Sandra Trintinaglia e a aluna Abigail Francisco<!-- NICAID(14609242) -->
Sandra e a aluna Abigail Francisco durante uma apresentaçãoFoto: Acervo pessoal / divulgação

O endereço

Lembranças da Emba e do clássico endereço da Rua Dr. Montaury (atual Casa da Cultura e Biblioteca Pública Municipal) também não devem faltar na live. O perfil de Sandra no livro de Sigrid e Maria Ramos Flores dá mais detalhes daquele espaço:

“Embora não fosse muito grande, o local contava com um pequeno vestiário e uma sala com espelhos, barras e até um piano, que permitia que as aulas e os ensaios fossem acompanhados musicalmente. Lembra Sandra que atuaram como músicos nessa tarefa Adelaide Ribero Mendes, Lorita Sanvitto, Nestor Campagnollo e até mesmo o maestro Max Hendrischky, regente da Orquestra Sinfônica da Sociedade de Cultura Artística de Caxias do Sul, que tocava ao vivo para as récitas de ballet de fim de ano, principalmente as que ocorriam no Cine Central e no Cine Ópera”.

Leia mais
Anos 1950: primórdios da Escola de Belas Artes de Caxias do Sul
Escola de Belas Artes de Caxias do Sul em 1958
Elyr Ramos Rodrigues e Aldo Locatelli: um retrato em 1952 

Fachada do antigo prédio da Escola Superior de Belas Artes de Caxias do Sul, na Rua Dr. Montaury, entre a Av, Júlio de Castilhos e a Rua Sinimbu, em meados dos anos 1950, No local também funcionavam o Museu Municipal e a Biblioteca Pública Municipal, inaugurados em 1947. À direita, parte do Banco Nacional do Comércio, e à esquerda, parte da primeira sede própria do Banco do Brasil, na esquina da Rua Dr. Montaury, com a Sinimbu.<!-- NICAID(13404905) -->
Rua Dr. Montaury nos anos 1950: a fachada do prédio onde funcionava a Escola Municipal de Belas Artes, atual Casa da CulturaFoto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami,divulgação
Alunas praticando ballet na antiga Escola Municipal de Belas Artes de Caxias do Sul. FOTO STUDIO GEREMIA, DO AERVO DO ARQUIVO HISTÓRICO MUNICIPAL JOÃO SPADARI ADAMI<!-- NICAID(9448886) -->
Alunas praticando ballet na antiga Escola Municipal de Belas Artes de Caxias do SulFoto: FOTO STUDIO GEREMIA,DO AERVO DO ARQUIVO HISTÓRICO MUNICIPAL JOÃO SPADARI ADAMI / Reprodução

O início

Um depoimento de Sandra Trintinaglia no livro Frestas da Memória, lançado em 2013, explica a paixão pela dança desde sempre:

“Certa vez, em 1947, minha mãe, dona Marina, se surpreendeu ao ver-me apoiada nas paredes da sala, munida de um calçado do tipo “alpargatas”, comum na época, uma espécie de sapato de lona, de contorno firme, com solado de corda trançada, que se assemelha a uma sapatilha, a deslizar alegremente nas pontas dos pés, e disse: “Acho que esta menina tem jeitinho para a dança. Se algum dia em Caxias houver aulas de ballet, vou colocar Sandrinha”.

Dona Marina foi profética…

Leia mais
Inauguração da Pinacoteca Aldo Locatelli em 1975
Pinacoteca Aldo Locatelli e Amarp: uma trajetória na imprensa
Vídeo: inauguração da Pinacoteca Aldo Locatelli em 5 de junho de 1975 

Duas gerações: Sandra Trintingalia (E) e a filha Lisa Susin<!-- NICAID(14609241) -->
Duas gerações e uma paixão em comum: Sandra Trintinaglia e a filha Lisa Susin Foto: Acervo pessoal / divulgação
Duas gerações e uma paixão em comum: Sandra Trintinaglia e a filha Lisa Susin Foto: Acervo pessoal / Divulgação

O projeto

Concebido pelo jornalista e crítico de dança Carlinhos Santos e contemplado pelo edital do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) Digital RS, o projeto Figuras da Dança Cênica em Caxias do Sul traz entrevistas com coreógrafos, bailarinos e pesquisadores da área, evidenciando seu rico percurso na cidade.

Fechando o roteiro iniciado em 15 de setembro, a live de hoje traz, além da bailarina e coreógrafa Sandra Trintinaglia Susin, uma herdeira direta de seu talento – a filha Lisa Susin, da Endança Jazz & Cia.

A saber: o projeto destacou o surgimento de outros espaços de dança, além da criação do lendário Grupo Raízes e da Cia Municipal de Dança de Caxias do Sul – temas abordados nas lives anteriores, quando participaram os coreógrafos e pesquisadores Gislaine Sacchet, Matheus Brusa e Sigrid Nora. Todas as entrevistas, aliás, ficam gravadas no IGTV do perfil @carlinhos.santos.7 e podem ser conferidas por quem não assistiu “ao vivo”.

A série de lives que se encerra hoje é uma realização da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, em parceria com a Feevale, por meio da Feevale Tech Park.  O edital do FAC Digital RS também beneficiou outro projeto destacado neste espaço na última semana: o Podcast Memórias de Galópolis, conduzido pela historiadora Geovana Erlo.

Leia mais
Primórdios do Museu Municipal nos anos 1950
Barbearia Mantovani: um ícone preservado no Museu Municipal
Dona Valesca: um dos símbolos do Atelier Zambelli
Casa de Pedra: uma restauração em 1975
A inauguração da Casa de Pedra em 1975  
Museu Municipal: uma viagem ao passado de Caxias
Endereços para recordar da história de Caxias do Sul
Família de Aldo Locatelli prestigia abertura da Pinacoteca em 1975
Arquivo Histórico Municipal: um casarão para a história

Confira outras publicações da coluna Memória
Leia antigos conteúdos do blog Memória 

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros