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Plano B28/10/2020 | 15h45

Operadores de vans de Caxias buscam alternativa de renda à espera do fim da pandemia

Setor que mais sofre é o de transporte escolar, parado desde março

Operadores de vans de Caxias buscam alternativa de renda à espera do fim da pandemia Porthus Junior/Agencia RBS
Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Enquanto alguns setores da economia conseguiram aproveitar as flexibilizações para amenizar os prejuízos da fase aguda da pandemia, outros ainda aguardam por uma luz no fim do túnel que permita enxergar o futuro do negócio. É o caso do transporte por vans, por exemplo, que enfrentou queda expressiva na demanda e ainda encara um cenário de instabilidade. Na área de transporte escolar, especificamente, a situação é ainda mais grave. Nem mesmo o retorno parcial às aulas fez com que os veículos se movimentassem. Impossibilitados de esperar, muitos donos de vans precisaram buscar outras fontes de renda, ao menos até o fim da pandemia.

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De acordo com Paulo Marcos da Silva, segundo presidente da Associação Univans de  Caxias, que representa o setor, dependendo do ramo de atividade, a realidade pode ser mais ou menos grave, mas todos enfrentam dificuldades.

— O escolar teve 100% de impacto, por isso muitos estão desistindo. Uns foram trabalhar de motorista, outros foram para a lavoura. Para o escolar, é bom que comece logo as escolas municipais, porque aí o ano que vem começa bem — observa.

Conforme Silva, um levantamento da entidade apontou que, de cerca de mil vans escolares cadastradas atualmente na Secretaria de Trânsito, entre 300 e 400 não realizaram a vistoria obrigatória em setembro. Entre os motivos estão problemas nos veículos após meses parados ou impossibilidade de pagar os cerca de R$ 200, entre a taxa e o selo.

Com relação ao fretamento para funcionários de empresas, houve paralisações totais no início da pandemia. Na medida em que as atividades começaram a ser retomadas, o transporte voltou a ser necessário. Ainda assim, a estimativa é de que a demanda atualmente seja de 60% na comparação com o cenário anterior à crise. Os operadores também enfrentam instabilidade na procura.

— Eu fazia nove linhas, fiquei com três e não voltou mais. As empresas também querem baixar custo e pagam Uber. Algumas tinham dois turnos e agora têm um só. De dois meses para cá aumenta o serviço e, depois, cai novamente — revela.

O ramo que mais tem registrado aquecimento é o transporte turístico. De acordo com Silva, quem trabalha com viagens viu a demanda praticamente voltar ao normal nos últimos meses. Contudo, a restrição de metade da ocupação, o que impacta na receita.

— Tem colegas meus que fizeram viagem para Caldas de Prata, Beto Carrero... Muita gente quer voltar a viajar — avalia.

Van praticamente não rodou

Aos 54 anos, Rosane Paim, está entre os operadores de vans escolares que decidiu procurar emprego. Há 10 anos ela se dedica à parte administrativa das atividades mantidas há 38 anos pela família. Antes, ela trabalhava no setor da saúde, mas diante da falta de perspectiva de retorno das aulas municipais, há cerca de um mês ela decidiu iniciar a distribuição de currículos. A esperança é encontrar uma colocação para pagar as contas da casa e dos dois veículos de transporte até uma retomada.

— Dos 110 alunos que transportamos, 80% é da rede municipal. Particularmente, acho que esse ano não vai voltar. Os clientes que me ligam dizem que não vão mandar os filhos. Estou procurando emprego até de chão de fábrica, se aparecer — revela.

Entre as preocupações da família está honrar com as mensalidades de R$ 2 mil do financiamento de uma van, comprada no início do ano. A vistoria que autorizou a entrada do veículo em serviço ocorreu no dia 15 de março e as atividades foram paralisadas quatro dias depois. A família ainda conta com um micro-ônibus, que também está parado.

De acordo com Rosane, no início da pandemia o banco protelou as parcelas que seriam pagas até junho. Depois disso, contudo, as faturas voltaram a ser cobradas, com incidência de juros. A solução então, foi o filho, Douglas, vender o carro para auxiliar no pagamento. O jovem, de 25 anos, que dirigia um dos veículos, também passou a trabalhar como ajudante de pedreiro. Já o pai, Luiz Paim, 60, passou a atuar como motorista de aplicativo.

Para manter as contas em dia, a família buscou financiamentos, que foram negados, e, após receber duas parcelas do Auxílio Emergencial, Rosane enfrenta dificuldade de sacar o restante. A van e o micro-ônibus também foram colocados à venda. A situação só não é mais grave porque os pais de 15 estudantes decidiram continuar pagando as mensalidades, mesmo sem a prestação do serviço. 

— Tentamos outras áreas de transporte, mas o que tinha já está preenchido. Com o que os pais estão me ajudando, estou pagando o básico. Para comer, meu filho e meu marido estão se virando. Eu e minha filha estamos correndo atrás — desabafa Rosane.

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