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Memória02/10/2020 | 15h54Atualizada em 02/10/2020 | 15h54

Impressões sobre a Rua Marechal Floriano em 1959

Texto publicado há 61 anos destacava ícones como a Industrial Madeireira, o Alfred e o Armazém Mandelli

Impressões sobre a Rua Marechal Floriano em 1959 Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / Divulgação/Divulgação
A Rua Marechal Floriano esquina com a Os Dezoito do Forte, captada a partir da Sinimbu, nos anos 1960. Vê-se o Auto-Posto São Pelegrino (E), o primeiro prédio da Importadora Comercial (D) e as extintas chaminés da Industrial Madeireira (ao fundo) Foto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / Divulgação / Divulgação

Lembrado principalmente como colunista social dos jornais Pioneiro e Caxias Magazine, o jornalista e escritor Christiano Carpes Antunes (1934-1967) também teve atuação no lendário Boletim Eberle, informativo interno editado pela metalúrgica entre 1956 e 1965.

Rua Marquês do Herval no Boletim Eberle em 1959

Era ele o responsável pela seção Ruas de Caxias do Sul, espécie de testemunho informal sobre o que enxergava durante seus passeios pela área central entre os anos 1950 e 1960. “Pegando carona” nas atuais obras que vêm sendo feitas na Rua Marechal Floriano, trazemos um curioso relato de Antunes sobre a via publicado em julho de 1959. Coisas de 61 anos atrás...

“A Rua Marechal Floriano nasce na zona denominada Tupy, bem no local onde funcionava o Curtume Tupy, da firma Da­vids & Cia Ltda. É desse ponto que iniciamos nosso passeio. Os primeiros tre­chos cão essencialmente residen­ciais. Após atravessarmos oito ruas preferenciais, deparamos com a Avenida Júlio de Castilhos, principal artéria da cidade. A es­ta altura, a Rua Marechal Floriano toma outro aspecto, emoldurada por grandes  prédios e edifícios, onde funcionam potentes indústrias. Assim, na esquina  formada com a Rua Sinimbu acha-se localizada a firma Tecidos e Artefatos Kalil Sehbe S.A, uma das maiores indústrias no gênero em nosso Estado.

Na esquina formada com a Rua Os Dezoito do Forte, encontramos dois bem montados postos de gasolina e lubrificação e uma das maiores firmas comerciais e atacadistas distas de nossa cidade, a Im­portadora Comercial Ltda. Mais adiante, encontramos uma das maiores madeireiras do sul do país, que é a Industrial Madeireira Ltda., com conjunto de prédios ocupando vários  quarteirões. 

Além de outras indústrias e casas de comércio, encontramos os pré­dios da Transportadora Aurora Ltda, o Armazém Mandelli, os depósitos de vinhos da firma Luiz Antunes & Cia. Ltda e a garagem dos ônibus urbanos de Caxias do Sul. Do ponto de vista cultural, en­contramos nessa via o Grupo Es­colar Clemente Pinto, que orien­tado por nobres mestras inicia as crianças daquele bairro (Lusitano) nas primeiras letras. Termina a Rua Marechal Flo­riano ao encontrar a preferencial Sarmento Leite. Nesse local, en­contramos a Metalúrgica Triches Ltda, que ocupa um quarteirão inteiro”.

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Mudanças

Confira alguns pontos citados no texto acima e seu destino seis décadas depois:

Curtume Caxiense (Tupy): parte do antigos pavilhões ainda sobrevive por lá, porém, com outras ocupações e configurações. Área também abrigava o campo do Tupy, até as proximidades com a Rua Visconde de Pelotas.

Grupo Escolar Clemente Pinto: localizava-se originalmente na esquina da Marechal Floriano com a Rua Tronca (antigo Bar Itália e posterior loja Conexão Urbana). Hoje funciona na esquina da Sarmento Leite com a Euclides da Cunha.

Industrial Madeireira: demolida em meados dos anos 1980 para abrigar o Centro Comercial Alvorada. Complexo foi cortado ao meio para a abertura da Rua Dal Canalle.

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Rua Marechal Floriano em 1956: os caminhões da antiga Industrial Madeireira estacionados em frente ao complexo Foto: Studio Geremia, Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / Divulgação

Depósito da Vinícola Luiz Antunes: situado próximo à Rua Antônio Prado, terreno abrigou a Triches Ferro & Aço. Atualmente sedia parte da FSG (Centro Universitário da Serra Gaúcha).

Tecidos & Artefatos Kalil Sehbe Ltda: o conhecido prédio das Lojas Alfred foi dividido em várias salas e abrigou um sem número de estabelecimentos após o fechamento, em meados dos anos 1990. Entram aí desde a Livraria do Maneco até a sede da RGE e as Lojas Quero-Quero.

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Lembranças

Você morou na Rua Marechal Floriano e tem fotos antigas de algum trecho? Possui imagens do antigo Curtume Tupy? Entre em contato pelo e-mail rodrigolopes33@gmail.com.

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