Flexibilização e desrespeito às normas: o que pode explicar o aumento de casos ativos de covid em Caxias  - Geral - Pioneiro

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A pandemia continua 22/10/2020 | 11h56Atualizada em 22/10/2020 | 14h07

Flexibilização e desrespeito às normas: o que pode explicar o aumento de casos ativos de covid em Caxias 

No dia 1º de outubro eram 474 casos contabilizados; nesta terça são 1.039

Flexibilização e desrespeito às normas: o que pode explicar o aumento de casos ativos de covid em Caxias  Porthus Junior/Agencia RBS
Secretário da Saúde afirma que descumprimento de normas, como não uso de máscaras e aglomerações, ajuda a explicar aumento de casos Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Diante da subida da curva de casos de moradores de Caxias do Sul contaminados pela coronavírus que ainda estão com a doença ativa, o secretário municipal da Saúde, Jorge Olavo Hanh Castro, avalia que um cenário complexo, que tem a população como ator central, ajude a explicar o novo avanço da doença. Para o médico, existem várias situações que trazem esse impacto nos números. Duas delas são a abertura de mais atividades econômicas e o comportamento da população: 

— Parte da população esqueceu as regras de higiene, de uso de máscaras. As aglomerações de finais de semana são enormes, como se não existisse pandemia. Então, isso se traduz em aumento do contágio. Tudo foi planejado para que haja liberação das atividades econômicas, que isso precisa acontecer, mas tomando os devidos cuidados. Não significa que porque se liberou as atividades econômicas, que está tudo liberado, que não precisa mais se seguir regras. Não é assim.  

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Nesta quinta-feira, o indicador “data de registro” do Painel Covid da prefeitura, mostra que são 1.039 casos ativos na cidade, que é quando o paciente ainda não se curou da doença e pode transmitir a covid-19. No último dia 1º, eram 474. A cidade voltou a atingir o patamar acima de mil casos na terça-feira (20). Antes disso, a última vez que o número havia sido superado havia sido em 21 de setembro.  

Os dados podem apresentar alguma defasagem no retrato do cenário do momento. Isso porque esse indicador representa o dia em que os casos foram colocados no sistema. No entanto, outro indicador, relativo à data de procura pelo serviço pelo paciente, também mostra que ocorreu aumento desde o início do mês, embora em uma curva menos acentuada, o que pode ser explicado pela demora no abastecimento dos gráficos. 

Segundo o secretário, a curva de crescimento de casos ativos traz uma preocupação natural em relação aos serviços de saúde, embora não haja indícios do esgotamento de leitos. Dados da Secretaria Estadual da Saúde mostram que a taxa de ocupação de UTIs está em 76% nesta quinta-feira. Nos últimos 15 dias, o índice variou de 70% a 77%.  

No final de semana, a prefeitura prometeu a intensificação das fiscalizações para combater aglomerações e o descumprimento de outras regras determinadas pelo poder público para este período. Para se ter uma ideia, entre a sexta-feira (16) e o sábado (17), um bar e um restaurante foram interditados por terem aglomerações. Além disso, cerca de 60 pessoas que estavam na Lagoa do Rizzo foram dispersadas, também por desobedecerem regras do distanciamento.  

Os testes
O secretário avalia ainda que o aumento de testes aplicados, já que agora todos os sintomáticos que procuram o serviço de saúde são testados, é outro fator que contribui para os números em ascendência. Mas o cientista de dados Isaac Schrarstzhaupt, que tem acompanhado de perto os dados da covid-19 no mundo, tem uma visão diferente. Um levantamento feito pela reportagem a partir de informações disponibilizadas pela Secretaria da Saúde nas redes sociais mostra que a positividade, um índice calculado a partir da quantidade positivos em relação aos aplicados, está praticamente estável desde o início do mês. Para Schrarstzhaupt, isso indica que não é possível dizer que o aumento de casos ativos está relacionado à testagem:

— É uma subida de pessoas com vírus mesmo — garante. 

Segundo ele, esses dados são extremamente importantes de serem avaliados, porque podem ajudar a controlar a pandemia. Um exemplo, de acordo com Schrarstzhaupt, é Nova York, que cruzou os dados e identificou aumento na positividade, o que levou ao fechamento dos bairros com espalhamento da doença. 

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