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Pandemia22/10/2020 | 14h28Atualizada em 23/10/2020 | 15h07

Doações de plasma convalescente em Caxias do Sul beneficiaram 100 pacientes com coronavírus 

Pacientes de cinco hospitais do Estado já utilizaram o líquido como terapia alternativa na recuperação da covid-19. Confira a avaliação de especialistas sobre o tratamento

Doações de plasma convalescente em Caxias do Sul beneficiaram 100 pacientes com coronavírus  Andréia Copini/Divulgação
As doações em Caxias do Sul, até o momento, geraram 208 bolsas de plasma convalescente Foto: Andréia Copini / Divulgação

O Hemocentro Regional de Caxias do Sul (Hemocs) alcançou, nesta quarta-feira (21), a marca de 100 pacientes beneficiados com o plasma convalescente. A último paciente beneficiado é um homem de 56 anos, que foi internado na UTI do Hospital Virvi Ramos, na última terça-feira (20). O tratamento experimental que utiliza o plasma convalescente em pacientes com coronavírus começou a ser realizado em 26 de maio, em parceria entre o Hemocs e o Hospital Virvi Ramos, em Caxias. Foi a primeira aplicação do método no Rio Grande do Sul. 

Desde a primeira coleta, no dia 22 de maio até a última terça, foram beneficiados 59 pacientes em Caxias do Sul, no Hospital Virvi Ramos, 31 em Bento Gonçalves, no Tacchini, seis em Feliz, no Schlatter;  um em Passo Fundo, no Clínicas, e três em Vacaria, no Nossa Senhora da Oliveira. São 58 homens e 42 mulheres.

Em Caxias do Sul, dos 59 pacientes que receberam a transfusão do plasma, 24 (40,7%) já tiveram alta hospitalar, 24 (40,7%) morreram e 11 (18,6%) seguem internados em recuperação. No Tacchini em Bento Gonçalves, dos 31 pacientes, 21 (67,7%) tivevaram alta, cinco (16,1%) morreram e cinco (16,1%) permanecem internados. Em Vacaria, todos os pacientes receberam alta. Em Feliz, cinco (80%) receberam alta e um paciente morreu; em Passo Fundo o paciente que recebeu a transfusão acabou não resistindo à doença. 

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Em Caxias do Sul, conforme o Hemocs, as doações geraram, até o momento, 208 bolsas de plasma convalescente. Dessas, 139 foram coletadas por meio de aférese, e 39 por meio de sangue. Já se inscreveram para doar, 244 candidatos, sendo 151 homens e 93 mulheres. Após entrevista e triagem, 114 foram considerados aptos para realizar o procedimento.

Resultados positivos 

A avaliação da médica intensivista responsável pela UTI do Virvi Ramos, Eveline Maciel Correa Grenelmaier, é positiva em relação aos cinco meses de uso do plasma convalescente no tratamento da covid-19. 

— A mortalidade mundial esperada para esse grupo de pacientes (com covid-19, comorbidades e idosos que vão para a ventilação mecânica) é de cerca de 50%. Dos nossos 64 pacientes que receberam plasma convalescente, de modo que cinco não recebram pelo Hemocs, essa mortalidade ficou em torno de 37%, bem abaixo do esperado para esse público —  destaca Eveline. 

Outro dado importante levantado pela médica é que 18% dos pacientes que receberam o plasma tinham indícios em exames, que evoluiriam para a ventilação mecânica, o que não foi necessário. Isso diminui o tempo de internação e comorbidades associadas ao uso da ventilação mecânica e sedação. A partir disso, Eveline conclui que, num contexto global, tiveram bastante benefícios com o uso de plasma nesses cinco meses. 

O diretor técnico do Hospital Schlatter de Feliz, Rogério Cardoso, afirma que o tratamento precoce com plasma em pacientes internados com diagnóstico definido, garantiu menor tempo de internação e reduziu drasticamente a necessidade de oxigênioterapia. 

—  Estamos utilizando o tratamento no modo compassivo há cerca de dois meses e foram resultados ótimos. Dos seis pacientes, cinco receberam alta. Depois de 24h da transfusão, diminuiu a necessidade de oxigênio e em 36h ou 48h eles receberam alta. Todos tinham compromentimentos pulmonares importantes e não tivemos nenhum efeito adverso. Um paciente faleceu entre uma transfusão e outra, ele tinha mais de 75% do pulmão comprometido e teve o início do tratamento postergado, pois o diagnóstico foi prejudicado pelo tempo de espera do exame de PCR naquele momento —  explica Cardoso.

Conforme o diretor, todos os seis pacientes possuiam comorbidades e eles tinham idades entre 46 e 85 anos.  Para Cardoso, o uso do plasma é "infinitamente superior a qualquer terapêutica existente hoje". 

A diretora técnica do Tacchini Sistema de Saúde, Roberta Pozza, afirma que o tratamento com o uso do plasma convalescente é seguro a partir das impressões da instituição.

— A nossa impressão é que o plasma convalescente para pacientes com SARS-COV2 é um tratamento seguro, ressaltamos que as publicações científicas ainda são controversas quanto ao real benefício. Em estudo indiano multicêntrico, publicado recentemente no British Medical Journal, foram incluidos 400 participantes e não observou-se benefício no plasma convalescente.

O enfermeiro Marcos Carvalho acompanhou o processo desde a primeira coleta, e para ele, foi um desafio fazer parte do projeto de estudo e uso do plasma convalescente. 

— Isso aconteceu em um momento onde havia muita incerteza  e até certo medo por conta da pandemia. Foi um desafio muito grande pois tínhamos poucas informações e estudos referentes ao assunto. O trabalho não é muito simples, captar, organizar, planilhar, avaliar, coletar exames, agendar e coletar o plasma, além de monitorar o estoque. Tudo isso toma muito tempo e exige muita atenção. O fato de saber que fizemos a diferença na vida de alguém, trouxemos uma luz de esperança, já é a recompensa — salienta Carvalho.

O diretor geral da Secretaria Municipal da Saúde de Caxias do Sul, Mário Taddeucci, lembra que desde o início da pandemia, quando o plasma convalescente surgiu como forma de terapia, foram iniciados os estudos para coleta:

— Temos uma equipe multiprofissional muito qualificada que abraçou mais essa causa. Além disso, queremos agradecer também a todos que se dispuseram a doar, os quais, além dos momentos difíceis que enfrentaram, são nossos parceiros nessa luta.

DOAÇÕES

A seleção dos doadores de plasma é feita pelo Hemocentro e passa por avaliação rigorosa. As doações precisam ser agendadas pelos telefones (54) 3290.4543 e (54) 3290.4580 ou por meio do WhatsApp (54) 99929.7491. O Hemocs (Rua Ernesto Alves, 2260, ao lado da UPA Central) atende de segunda a quarta-feira, das 8h às 19h, sem fechar ao meio dia. Na quinta e sexta-feira, o atendimento ocorre das 8h às 17h, também sem fechar ao meio dia e, aos sábados, das 8h até 12h.

DOAÇÃO DE  SANGUE CONVENCIONAL

A doação de plasma por meio do método sangue total pode ser feita por homens e mulheres, entre 16 e 69 anos, 11 meses e 29 dias. No caso das mulheres, são aceitas para doação aquelas que tiveram até duas gestações ou abortos. Os procedimentos técnicos são a cargo do Hemocentro, que testa as amostras  para buscar anticorpos IgG contra o coronavírus. 

DOAÇÃO POR AFÉRESE

Na doação de plasma por aférese há alguns pontos que diferem do método realizado através da doação de sangue convencional. Para o procedimento utiliza-se uma máquina coletora, que separa os componentes do sangue por centrifugação, permitindo a coleta seletiva de um ou mais de seus componentes.

É necessário que o doador também tenha testado positivo para a covid-19, pelo exame PCR ou teste sorológico, e estar recuperado e sem sintomas há, pelo menos, 28 dias. Para homens, podem ser doadores aqueles que têm entre 18 e 59 anos, 11 meses e 29 dias. Há uma realização prévia de teste sorológico para detecção dos anticorpos e bloco sorológico. O plasma é destinado para o projeto de pesquisa do Hospital Virvi Ramos, o qual contempla apenas homens.

Para as mulheres, a idade é de 18 até 59 anos, 11 meses e 29 dias. Também serão aceitas mulheres que tiveram até duas gestações ou abortos. Ocorre, igualmente, a realização prévia do teste sorológico para detecção dos anticorpos e bloco sorológico. 

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