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Após resistências24/10/2020 | 13h14Atualizada em 24/10/2020 | 13h14

Caxias desiste de implantar Centro de Bem-Estar Animal em 2020

Solução a ser adotada para a construção do espaço terá que ser decidida pelo próximo prefeito

Caxias desiste de implantar Centro de Bem-Estar Animal em 2020 Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Canil Municipal fica em São Virgílio da 6ª Légua Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Entre tantos assuntos a serem enfrentados pelo próximo prefeito de Caxias do Sul a partir de janeiro, um polêmico acaba de ser adicionado à lista: a implantação do Centro de Bem-Estar Animal. Após enfrentar resistências e também por conta do período eleitoral, a atual administração decidiu não dar continuidade ao projeto neste ano. Dessa forma, o mandatário que assumir precisará decidir onde e como será a construção da estrutura que abrirá cães e gatos sem dono.

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Atualmente, o município já possui um canil, onde estão recolhidos cerca de 700 animais. O espaço, de 20 mil metros quadrados, fica em São Virgílio da 6ª Légua. No fim do ano passado, uma licitação chegou a ser aberta para a construção do Centro de Bem-Estar Animal no mesmo endereço. A estrutura prevê novos canis, gatis, baias para cavalos e centro clínico e cirúrgico. Uma empresa chegou a vencer o certame, mas as obras, orçadas em R$ 3,7 milhões, não tiveram início e acabaram descartadas pelo município.

— Aquilo era um projeto faraônico. Tinha uma caixa d'água de aço inox, enquanto temos crianças sem acesso a serviços básicos. Sem contar que já é uma região urbanizada — justifica o secretário do Meio Ambiente de Caxias, Nerio Susin.

Com a decisão de levar a ideia inicial adiante, o município propôs, então, outra solução: realizar a permuta da área atual, avaliada em R$ 2,5 milhões, por uma área maior, com 70 mil metros quadrados, em Capela de São Francisco, na 6ª Légua. Esse novo terreno, no entanto, foi avaliado em R$ 1,2 milhão, por estar mais distante do centro. A diferença, de R$ 1,3 milhão, seria utilizada para a construção da nova estrutura pela empresa envolvida na permuta.

Contudo, a ideia passou a sofrer resistência tão logo foi proposta. Moradores das proximidades do novo terreno argumentaram que a estrutura poderia causar danos à produção agrícola, devido à possibilidade de contaminação da água. Entidades voltadas à causa animal também apontaram falhas no projeto.

Na época, Susin rebateu as críticas dizendo que todas as questões ambientais seriam observadas e que o esgoto gerado pelo centro seria tratado. Ao contrário do que apontavam os moradores, o secretário disse também que a área possui uma cortina vegetal e que ela não seria derrubada.

Apesar de rebater as críticas, no dia 24 de setembro o município decidiu retirar da Câmara de Vereadores o projeto de lei que autorizava a permuta. O texto havia sido encaminhado no dia 8 de setembro.

— Essa administração não vai investir. Você não vai fazer isso em período pré-eleitoral. O projeto fica agora em stand by (espera) — observa Susin.

Comunidade comemora desistência

Os moradores do entorno da área escolhida para a em Capela de São Francisco comemoraram a desistência da administração em concretizar a permuta. Integrante da comissão de moradores contrários ao avanço da proposta, Nestor Pistorello, entende que a área escolhida não é adequada por estar na beira da estrada, contar com mata atlântica e ficar distante um quilômetro da área urbana.

— É importante ter um local para o canil, mas pensar em um solução de futuro, e não imediatista. Esperamos que a situação esteja resolvida. Mostramos que não era viável — observa.

Pistorello afirma ainda que por contar com vegetação nativa, o município nem poderia utilizar toda a área recebida na permuta. Dessa forma, entende que a escolha de outra área, que pudesse ser integralmente aproveitada, proporcionaria um uso mais eficiente dos recursos públicos.

— Poderia ser abrir um edital oferecendo a área atual e construir (o Centro de Bem-Estar Animal) onde quiser — opina.

Diante da polêmica, o Ministério Público chegou a ser acionado. A promotora Janaína De Carli solicitou informações ao município a respeito do projeto, mas a prefeitura ainda está dentro do prazo para resposta.

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