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Herança19/10/2020 | 17h39Atualizada em 19/10/2020 | 17h39

Carrinho utilizado por papeleiro que morreu queimado é doado para reciclagem em Caxias do Sul

Cedida pelo padre Renato Ariotti, a carrocinha está sendo utilizada por recicladores do bairro Cruzeiro

Carrinho utilizado por papeleiro que morreu queimado é doado para reciclagem em Caxias do Sul Porthus Junior/Agencia RBS
Anderson Eduardo Francescon, de 26 anos, é um dos trabalhadores da Reciclagem do Baixinho Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

O carrinho que foi utilizado para o trabalho diário do papeleiro Carlos Miguel dos Santos, que teve o corpo incendiado por adolescentes enquanto dormia, em setembro de 2012, ganhou um novo endereço e já está circulando novamente pelas ruas de Caxias do Sul. Isso porque o objeto foi doado pelo padre Renato Ariotti para a Reciclagem do Baixinho, localizada no bairro Cruzeiro, na última sexta-feira (16).

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Na época da morte de Carlos Miguel, o religioso foi a pessoa que ficou responsável pelos cães Scooby e Preta e também acabou adquirindo a carrocinha utilizada pelo catador de material reciclável. O pároco ficou com o carrinho para que os cães, que moram hoje com ele na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, do bairro Cruzeiro, ficassem perto do objeto que era usado para que eles se sentissem seguros.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 06/10/2012 - Scooby (Beige) e Preta, cães do papeleiro Carlos Miguel dos Santos, que morreu queimado, foram adotados pelo padre Renato Ariotti. (JONAS RAMOS/ ESPECIAL)<!-- NICAID(8680031) -->
Em 2012, Pe. Renato Ariotti ficou responsável pelos cachorros e pela carrocinha de Carlos MiguelFoto: Jonas Ramos / Especial

— Fazia oito anos que o carrinho estava comigo e diversos recicladores me pediram se eu não podia doar, passar para frente. Daí fui segurando até que apareceu o sentimento no meu coração de reformar e doar porque ele poderia ajudar outras pessoas. Foi um desapego para o bem — conta o padre Renato.

O carrinho foi reformado por dois amigos do padre, Francisco Cecconi e Nelson Perini, e foi entregue para o reciclador Anderson Eduardo Francescon, 26. O caxiense relata que o carrinho está auxiliando ainda mais o trabalho da reciclagem, que fica na Zona Leste da cidade e conta com o material recolhido por 25 catadores.

— Nós temos muitos catadores e os nossos carrinhos já eram poucos. Esse vai ajudar porque tem uns que ficam sem e precisam reciclar em sacarias. E não é muito bom, pois é muito pesado para carregar nas costas — descreve o reciclador.

INSPIRAÇÃO PARA OUTRAS AÇÕES

A morte de Carlos Miguel, em 2012, sensibilizou toda a comunidade pela luta contra a violência. Na época, foi organizado o memorial “Miguel Vive” com fotos e comentários do episódio nos fundos da Casa Paroquial Santa Catarina e que é administrado pelo padre Renato Ariotti. O religioso, que chegou a publicar em 2013 o livro “Miguel, a trajetória do papeleiro Miguel e seus cães Scooby e Preta”, pensa em retomar o memorial, agora na Casa Paroquial do bairro Cruzeiro.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL  (22/09/2015) Padre Renato Ariotti. Padre Renato Ariotti acolheu os cachorros Preta e Scooby (marron), que pertenceu ao papeleiro Miguel, que foi morto por adolescentes....(Roni Rigon/pioneiro)<!-- NICAID(11702864) -->
O religioso organizou o memorial "Miguel Vive" nos fundos da Casa Paroquial Santa CatarinaFoto: Roni Rigon / Agencia RBS

Além disso, o papeleiro deu nome ao antigo Albergue Municipal, atual Casa de Acolhimento Carlos Miguel dos Santos, localizada no bairro Fátima. Em 2016, a data da morte do papeleiro, 23 de setembro, também foi promulgada como o Dia Municipal dos Catadores de Material Reciclável.

Com a morte de Carlos Miguel surgiram muitas iniciativas. Entre elas, o projeto Círculos da Paz, atividade que integra o programa de Justiça Restaurativa e que precisou ser interrompida por causa da pandemia. O programa conta com a participação voluntária da comunidade e atua na prevenção da violência, além de auxiliar vítimas e familiares através do diálogo, do fortalecimento dos vínculos e do autocuidado.

Em 2019, o caso de Carlos Miguel inspirou também o trabalho do grafiteiro caxiense Andrigo Martins que, em parceria com o Instituto Sérgio Lovato, imortalizou a imagem do papeleiro com asas de anjo ao lado dos cães que sempre lhe acompanhavam. A obra está no muro da Casa de Acolhimento, que tem o nome de Carlos Miguel.

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